Nem tudo está perdido

AUGUSTO FIDELIS

 

Nem tudo está perdido

 

Como fumaça levada pelo vento, o tempo passa, e com ele vão nossos dias e nossas esperanças. Mas, como a fumaça que se foi, outra fumaça virá, e com ela novas perspectivas de uma vida melhor. Por sorte, assim está escrito: “Para tudo há um tempo nesta vida: tempo para chorar e tempo para rir”. Porém, em qualquer que seja a situação, temos que combater o bom combate e guardar a fé, porque a fé remove montanhas e ilumina o túnel da nossa existência.

Mais um ano caminha para o fim, período em que houve tristezas e cruentas batalhas para preservação da vida. Mas houve também muitos momentos de alegria por uma mão estendida, um medicamento que deu certo, por conseguir passar incólume pela pandemia, que teima em permanecer, não por falta de adeus. A vida é a maior dádiva que nos é concedida por Deus. Então, preservá-la é uma questão de honra, pela qual vale a pena empreender toda e qualquer luta.

Este ano tem sido osso duro, mas já houve outros anos também difíceis. As coisas apenas seguem seu caminho, e cabe a cada um de nós cuidar para que nossa existência seja prolongada fazendo uso de tudo aquilo que é colocado à nossa disposição. Em todo caso, cabe a cada pessoa carregar a sua cruz, por mais pesada que seja, sem se desanimar, pois, quando menos se espera, aparece um Cirineu para aliviar os ombros de quem sofre. O importante é não desistir nunca.

Enquanto há vida há esperança, mas é preciso fazer a vida valer a pena. O espírito altruísta promove boas obras, e as boas obras dão frutos que alimentam a camaradagem, o entendimento, a colaboração nos projetos de edificação da concórdia e do bem-estar para todos. Feliz quem dá do seu pão a quem tem fome, da sua água a quem tem sede, da sua roupa aos que estão nus.

A inveja, a malícia, os preconceitos, tudo que divide será destruído, ainda que tardia, pois o bem prevalecerá, embora pareça o contrário, como bem alertara Rui Barbosa no início do século passado: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantar os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Na verdade, nem tudo está perdido, porque é Advento, período que prenuncia a chegada do Natal. Aquele que entregou sua vida por amor à humanidade se dispõe a nascer de novo no coração de cada um. A estrela de Belém também ressurge e um novo clarão ilumina a nossa estrada. Afinal, mais um ano se passou e a vida continua. E cada um, seja como for, tem mais uma história para ser registrada no livro dos bravos. Alegrem-se, pois se aproxima o Natal. Bendito é aquele que vem em nome do Senhor, para nos dar a sua paz.

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