Nazismo no poder

CREPÚSCULO DA LEI – ANO IV – CLXV

 

NAZISMO NO PODER

Há um cinismo sarcástico associado aos fingimentos de assombro em face das práticas nazistas do cotidiano, subescondidas no fascismo, que se esconde no conservadorismo e que se expõe no tradicionalismo das classes dominantes, exemplarmente demonstrável nos latifundiários escravagistas de outrora modernizados pelo “agronegócio” de hoje.

Não custa lembrar que o lema nazista do “Deutschland über alles” – “Alemanha acima de tudo” – foi garbosamente copiado pelo atual governo para “Brasil acima de tudo”, festivo estandarte das organizações de financismo extremo que comandam o país mediante uso de um títere abobalhado.

Recentemente esse embalo cínico fez eclodir alguns  “assustados” com a fala nazista do sujeito com apelido de bicicleta.

Outros também “ficaram assustados” com o gesto nazista do sujeito comentarista com nome de azulejo.

Ocorre que outros “fingiram” não perceber o mesmo gesto nazista repetido pelo sujeito ex-juiz com voz de marreco, e outros tantos sequer se lembram das falas e atitudes nazistas do mandrião que ocupa a presidência, vergonhosamente esparramadas em abundância pela “internet”. 

Sem embargo, a ideologia nazista está no poder.  Não o nazismo hitlerista, mas um nazismo com outro “ismo” bem conhecido. 

Nesse nazismo não há necessidade de campos de concentração – muito embora já houvesse campos de concentração no Brasil desde 1915 mas existem calabouços a céu aberto, mortes a esmo, extermínio com uso da necropolítica racista, impedimento de culto à religiões de herança africana, privação de vacinas e medicamentos, apagamento de dados, uso da mentira na exaltação populista, roubo das finanças públicas por meio de orçamento secreto, políticos pastores se fazendo passar por pastores políticos, exaltação à violência, perseguição aos opositores, desemprego, fome e garantia de  riqueza para os oportunistas do establishment.

A questão do nazismo à brasileira reside em sua diversidade, na espoliação perversa de vulneráveis e expostos, sem afrontamento direto à comunidade judaica – covardia seletiva –, mas contra outras comunidades bem mais frágeis, como favelas, tribos indígenas, pequenos posseiros rurais, além do correspondente ódio às diversidades sexuais e religiosas, intelectuais progressistas, professores sociodemocratas, exílio forçado de opositores e, claro, a velha impiedade absoluta em relação aos pobres e desamparados.

Não custa lembrar que o Brasil já teve (?) se um partido nazista, fundado em 1928, em Santa Catarina, portanto, antes do tal hitlerismo. Aliás, o Brasil foi a primeira sede do partido nazista fora da Alemanha. Por aqui os nazistas de partido se mantiveram filiados até 1938, sob a liderança de um sujeito chamado Hans Henning Von Cossel, orientado diretamente da Alemanha.

Como o partido nazista no Brasil esteve presente em 17 estados, provavelmente era (?) o lugar do mundo com mais nazistas, fora da Alemanha, organizados em partido. Teve até uma Associação das Mulheres Nazistas e Associação dos Professores Nazistas, sem se falar numa bobagem chamada “Integralismo”, de Plínio Salgado.

  Enganam- se, pois, quem acha que o “Sieg Heil” seja uma saudação tão distante e indiferente  de algumas práticas da política no Brasil. Tenhamos memória.

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