Não tem para onde correr

Não tem para onde correr

O brasileiro amargou, neste fim de semana, mais um aumento da gasolina e do diesel. Com isso, o preço do combustível vendido para o consumidor final, subiu cerca de R$ 0,20 na gasolina e uns R$ 0,70 no diesel.  Definitivamente, não está nada fácil ser brasileiro. Ao contrário do que muita gente imagina, o reajuste dos combustíveis não impacta somente os donos de veículos. Setores importantes da economia deverão repassar a alta dos combustíveis a seus produtos nos próximos meses. Preços em áreas cruciais para o dia a dia do brasileiro como transporte, alimentação, vestuário e construção civil devem ter elevação, agravando a pressão inflacionária dos últimos meses.

Em poucas palavras, é só ladeira abaixo. O pior é que não há perspectivas de melhora. A luz no fim do túnel, argumentado por muitos, é a já aprovada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Combustíveis com o intuito de frear o preço. A PEC, encampada pelo governo, tem como objetivo colocar um teto de 17% na cobrança desse imposto, visto que o valor varia de estado para estado. Porém nem tudo são Especialistas afirmam que pode haver uma redução no preço da gasolina em 10% e no diesel de 12% a 13%, mas só se tudo for repassado para o consumidor. E, claro, como aqui é Brasil, essa alteração na Constituição com a PEC dos Combustíveis também aumenta o chamado risco fiscal, com o mercado temendo um possível descontrole nos gastos e contas do governo e a consequente saída de investimentos, valorizando o dólar ante o real e, automaticamente, o encarecimento dos produtos que são importados, incluindo os combustíveis.

É como diz aquele velho ditado: “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come”. Ou melhor, por aqui, não tem muito para onde correr, é apenas sentar e esperar o “bicho comer”, pois nada é tão ruim que não possa piorar. Pois, apesar de haver a expectativa de redução do preço dos combustíveis diante tantas condições e com riscos tão elevados, há ainda outro ponto a ser levado em consideração. Por ter validade de apenas um ano, tudo que será reduzido de impostos em 2022 vai voltar em 2023, o que significa que empurra o problema inflacionário de 2022 para 2023. Diante do atual cenário, a grande pergunta é: tem para onde correr? Existe um caminho melhor a seguir? Existe alguma alternativa que traga alento e esperança para os brasileiros? Ou a única opção é apertar os cintos para descer essa ladeira desgovernadamente? Talvez todos já saibam as respostas dessas perguntas, e infelizmente, apesar de desejarem muito que o cenário melhore em curto prazo, não há esperanças. 

A única saída, neste exato momento, é realmente apertar os cintos. Além disso, se comprova mais uma vez  que o brasileiro continua a pagar uma conta que definitivamente não é sua.

 

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