Não é mais possível

Escrever estas linhas hoje é, sem dúvida, é torturante. Não bastasse a tentativa de golpe feita por vândalos, no dia 8 de janeiro, que ainda seguem com seus desdobramentos, dados divulgados pelo portal Sumaúma apontam que o número de mortes de crianças com menos de cinco anos por causas evitáveis aumentou 29% entre os Yanomami. Nos últimos anos, 570 meninas e meninos nessa idade morreram por doenças que têm tratamento e cura. Definitivamente não dá para ter fé em mudanças. O povo brasileiro falhou de uma forma que não tem como definir. Garimpeiros ilegais levaram contaminação por mercúrio e violência ao maior território indígena do país, localizado em Roraima. Ao mesmo tempo, durante o período, faltou garantia a direitos constitucionais mínimos, como saúde, vacinação e alimentação

Sim.. Mais uma tragédia anunciada. Agora, neste momento, em que você lê estas linhas tem alguém se revoltando, buscando alguma explicação para explicar as atrocidades cometidas contra o povo brasileiro. Essa é só mais uma, afinal, o Brasil tem vivido um ciclo de tragédias e escândalos. Basta acompanhar o noticiário diariamente para se horrorizar com a barbárie que cerca nosso cotidiano.   A desesperança mais uma vez toma conta. Não há fé que resista. Começar um ano lidando com tantos fatos não é fácil. 

Apesar de a situação ser um convite à reflexão sobre a reconstrução do país a partir desses escombros, é difícil imaginar uma pátria unida, desenvolvida, e uma sociedade livre da hipocrisia. É desolador. O Brasil chegou a um ponto em que definitivamente não é mais possível começar de onde tudo parou, é preciso recomeçar, recalcular a rota do zero. Reiniciar. 

Não é mais possível fechar os olhos e fingir que nada aconteceu ou que nada está acontecendo. Não é mais possível viver sob os olhos para a hipocrisia. Não é mais possível fazer aquele discurso moralista de “nós estamos aqui para salvar o Brasil”, quando se fecha os olhos para uma situação como a do povo Yanomami. A sociedade já ficou vendada por muito tempo, focada apenas em seus “querer” e no que lhe convêm. O ego falou mais alto. Já não é mais permitido que o povo brasileiro viva acerca de suas próprias vontades. O coletivo está morrendo aos poucos, e isso é a prova do quanto falhamos. Falhamos miseravelmente. Em todos os sentidos. Quando deixamos o terrorismo crescer, acreditando ser apenas uma fake news aqui e outra ali, e quando não agimos enquanto era tempo de salvar vidas. Para que a esperança volte a nascer vai ser preciso reiniciar, pois partir daqui já não é mais possível. Independente de quem é a culpa, os problemas estão aí e ao que tudo indica  2023 também será um ano difícil. Neste sentido, o foco não é procurar os culpados e sim resolver as situações que estão só começando. 

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