Mistura fatal

Mistura fatal 

O fim de semana dedicado às mães foi de muita tristeza em Divinópolis. Infelizmente, duas delas passaram um domingo trágico sem o abraço dos seus filhos, mortos precocemente em dois acidentes violentos, ambos na MG-050. No primeiro, sábado à noite, uma jovem de 27 anos. No outro, um policial civil teve o mesmo destino a caminho de casa. Fatalidades? Talvez, em especial em um deles, ao se constatar que, conforme a polícia, o condutor da batida em que a mulher perdeu a vida estaria sob efeito de álcool. Realidade “nua e crua” vista ainda todos os dias nas rodovias e ruas das cidades. Nessa ocorrência em especial, não adianta falar em estrutura ruim da 050, assunto batido na Câmara e que precisa ser resolvido e cobrado, sim. Mas, nesse caso, em qualquer rodovia, o resultado seria o mesmo. Afinal, todo mundo está “careca de saber” que direção e álcool são uma mistura que quase sempre termina em fatalidades. 

Maior do mundo 

Infelizmente, os acidentes nas vias brasileiras viraram rotina. Todos os dias se registra batidas, umas graves, outras leves, mas frequentes. Não é por acaso que levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária aponta que o número de vítimas no trânsito no Brasil é o maior do planeta. Outra pesquisa com base em registros no seguro Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores (DPVAT) confirma que o país tem 31,3 vítimas fatais por 100 mil habitantes; mais que o verificado no Catar, El Salvador, Belize e Venezuela. Os dados revelam que morre-se mais em acidentes de trânsito no Brasil do que por homicídio ou câncer, por exemplo. Uma mistura de irresponsabilidade, imprudência e omissão dos políticos que, por falta de investimento e cuidado, transformam as rodovias em assassinas diárias. Não reforma, não constrói, não investe em ferrovias ‒ visto que as rodovias estão saturadas ‒ enfim, não oferecem alternativas para se evitar tantas tragédias. Em contrapartida, tiram bilhões do dinheiro público para investir no Fundo Eleitoral para se eleger mais hipócritas que darão seguimento aos mesmos fracassos administrativos.  

Maior parte 

Um dado triste e que chama atenção em diversas pesquisas é a idade de quem perde a vida nas estradas. A maior parte envolve jovens que têm entre 18 e 34 anos – 41% do total. É o caso das mortes dos acidentes neste fim de semana na MG-050. Além disso, a comprovação do que foi citado no tópico acima: mais de 95% dos desastres viários são resultado de irresponsabilidade e imperícia dos motoristas. Quando não morre, para quem sobrevive à experiência, na maioria das vezes, a recuperação é dolorosa. Muitos ficam tetraplégicos ou com outras sequelas graves. Mesmo assim, não serve de exemplo ou muito menos contribui para a diminuição das ocorrências. De duas uma: memória curta, como costuma se dizer, ou falta de amor à vida.

Como agir 

Especialistas são unânimes em afirmar que 80% dos acidentes podem ser evitados. Nesse sentido, diversas ações são feitas por diversos órgãos de trânsito, voltadas à conscientização. Um exemplo é o Maio Amarelo, realizado pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (Settrans), que desenvolveu atividades como caminhada para alertar a população sobre a importância de se saber comportar no trânsito. Ainda estão previstas outras atividades, como blitz e panfletagem. Ou seja, não é por falta de iniciativa de parte do poder público, depende muito mais da consciência de cada um. Então, aproveite o mês dedicado à conscientização para um trânsito mais harmonioso e seguro, diminua a ansiedade, a pressa e saiba se portar. Assim, você poupa a sua vida e a de outras pessoas, que, muitas vezes, trafegam de forma correta e são vítimas da imprudência de outros.  

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