Mesmo com as chuvas, conta de luz não vai ficar mais barata

Especialista explica que reservatórios do sistema nacional ainda não estão com níveis altos

 

Da Redação

O país enfrentou, em 2021, a maior crise hídrica dos últimos 90 anos. Assim, as autoridades da área tiveram de acionar as usinas termelétricas e comprar energia do exterior. Para financiar os gastos, o governo federal criou novos critérios de cobrança dos consumidores e, com base nas bandeiras tarifárias de energia elétrica, estabeleceu a bandeira de escassez hídrica.

 

Bandeiras

Atualmente, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a bandeira verde vale apenas para os consumidores beneficiários da Tarifa Social. Para os demais consumidores de energia elétrica, tirando os moradores de áreas não conectadas ao Sistema Interligado Nacional, como os de Roraima, que não pagam bandeira tarifária, a vigente no período será a de Escassez Hídrica, que deve ficar até o mês de abril, no valor de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

 

Chuvas 

As chuvas intensas sobre Minas Gerais no fim de 2021 e início deste ano permitiram a elevação de alguns reservatórios do sistema hidrelétrico do Brasil, mas, de forma imediata, essa condição não vai refletir na redução das tarifas da conta de energia elétrica. Isso porque o sistema de geração e transmissão do Brasil é conectado por meio do Sistema Nacional Interligado (SIN), em que a produção de energia no país é compartilhada entre quase todos os estados.

 

Região Sudeste 

O professor da Faculdade Una Divinópolis e especialista em gestão, Jefferson Thompson, explica que, com as recentes chuvas na região Sudeste do país, sobretudo nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, bem como na Bahia, um antigo tema veio à tona: a taxa de escassez hídrica, que está na composição das contas de energia dos brasileiros. 

— Viralizou rapidamente nas redes sociais se a taxa apontada na conta de luz ainda seria cobrada, uma vez que ela entrou em vigor em meados de 2021, momento em que vivíamos o auge da estiagem e, consequentemente, a diminuição dos reservatórios das usinas hidrelétricas no país. A pergunta que fica é: com a entrada do período chuvoso nas regiões citadas acima e a recomposição de alguns reservatórios, a taxa ainda seria devida? — explica Jefferson. 

Segundo o especialista, análise do governo federal, acompanhado da regulação da Aneel, mostra que a composição da conta de energia continua ocorrendo, uma vez que a recomposição dos reservatórios se deu em regiões concentradas do país, entretanto a composição do fornecimento de energia no país é feita a partir do sistema nacional de gestão do setor. 

— Dessa forma, ainda não é hora de alimentar a esperança de uma diminuição da conta de energia elétrica, uma vez que os reservatórios de algumas regiões do Sudeste estão se recompondo, mas na maioria do país esta não é a realidade, o sistema ainda se encontra abaixo do previsto — ressalta. 

 

Região

Jefferson também destaca que outro ponto relevante a ser considerado, a partir da região do Centro-Oeste de Minas, é que um dos reservatórios relevantes no estado, a Usina de Três Marias, ainda se encontra dentro de um nível satisfatório, está com 91%, dado o volume dos últimos dias. 

— A análise de recomposição de um reservatório não deve ser feita com base em uma precipitação em um curto período como o que houve agora no início do mês de janeiro, mas pela regularidade de seu abastecimento. Isso significa que o ideal seria chuvas mais regulares, durante todo o período chuvoso, de forma a restabelecer as áreas de recargas dos mananciais — analisa o especialista. 

 

‘Veranico’

Ainda segundo o professor, a notícia dura é que, mesmo a chuva intensa do início do ano, pode ser seguida de um chamado “veranico”, fazendo que os reservatórios fiquem em níveis abaixo do desejado. 

— Toda a composição acima é o elemento essencial para que o Operador do Sistema Nacional de Energia Elétrica entenda que a distribuição de energia no país ainda necessite ser observada com cautela. O fim da história é o clima irregular, bem como as chuvas, não é favorável para que as taxas sejam retiradas. Por mais que ocorra o clamor da população, as taxas devem permanecer — finaliza.  

 

Reservatórios

Além de Três Marias, que está com 91% de sua capacidade, outro importante reservatório, o da Represa de Furnas, atingiu 76%de seu nível, depois de vários meses em baixa.  

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