Mamata sertaneja

CREPÚSCULO DA LEI - ANO IV -  LXXX

MAMATA SERTANEJA

Depois de décadas dedicadas a surrupiar e cantar para incautos, eis que pessoas se deram conta de uma agromáfia agindo nos palcos sertanejos, bem ao estilo das “rachadinhas” das festas do peão.

Mesmo tardiamente, o alarde começou em maio deste ano no Mato Grosso, quando tal de Zé Neto veio do palco com um ufanismo intra show ao dizer para a distinta plateia que “nosso cachê quem paga é o povo…”.  Uma verdadeira confissão bem na cidade de Sorriso, mas não foi uma piada. 

O tal sertanejo – let’s banana performance – falou tais coisas depois de ofender a cantora Anitta (vide New York, Madame Tussaud Museum), exatamente aquela que já se negou a envolver-se com falcatruas na mamata-rachadinha-festa-do- peão.

Só que o tal Zé Neto não informou à distinta plateia é que ele – seu companheiro – estava ali mediante um cachê de 400 mil reais (?) pela coitada da prefeitura municipal. Aliás, a coitada pagou por todo o evento cerca de 1 milhão de reais. Como isso? Eis a questão.

O imbróglio envolve as seguintes palavras chaves: cachês milionários, agromáfia, verbas escusas, cofres públicos, desvios, apurações não realizadas.

Fato é que os contratos milionários “pagos com dinheiro do povo” envolvendo modestas prefeituras pelo país já deveriam estar sendo investigadas numa CPI da mamata sertaneja, antes que o tal mandrião da presidência venha com aquela conversa fiada de 100 anos de sigilo, bem ao (seu) estilo “no name, no shame and fuck all”.

Evidentemente que não poderia ficar de fora outro tal sertanejo de iate – Gusttavo Lima – e seu moralismo de lacrimoso “ex positis”.

Em desfavor dele o tribunal da Bahia já cancelou show mamata na cidade de Teolândia, impedindo um cachê “pago com dinheiro do povo” de R$ 704 mil, numa tal Festa da Banana, que pelo nome combinaria mais com a “let’s performance”  do moralista lá do palco de  Sorriso.

Há que se esclarecer que a coitada da Teolândia já havia sido vítima de duas enchentes em dezembro passado, as quais deixaram inúmeras pessoas desabrigadas. Um descalabro.

No mesmo lastro, mas ainda tardiamente (2),  Ministério Público abriu procedimento para apurar essas contratações “com o dinheiro do povo” em outras 29 pequenas prefeituras, desde Mato Grosso, e que deve – ou deveria – se estender por outros estados do país.

Outra questão significativa envolve a crítica do pessoal “mamata-sertaneja” à Lei Rouanet (lei 8.313/91) que é uma lei de incentivo fiscal. É uma lei federal bem mais rigorosa que as coitadas das prefeituras escolhidas. Nessa lei, depois das devidas garantias burocráticas federais, se permite um cachê de (até) 35 mil reais, ou seja, bem menor que a “mamata-sertaneja” das coitadas das prefeituras. 

Deve ser por isso que a “mamata-sertaneja” diz que “não precisa da Lei Rouanet”.

Ainda sobre uma possível CPI da “mamata sertaneja”, não será nem um pouco difícil associar tais práticas a uma “lavagem de dinheiro” ligada a uma organização criminosa conhecida como “orçamento secreto”. Parece óbvio.

E pensar que toda essa prática especializada em surrupiar só acordou fiscais da lei por conta de comentários do tal Zé Neto à cantora Anitta, principalmente em relação sua tatuagem no hemisfério anal. Literalmente Anitta “acertou a mão” (...), se é que entendem.





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