Mais que uma notícia

O mundo foi tomado nos últimos anos por uma onda de fake news. Um dos fatores para que as notícias falsas tenham ganhado força, sem sombra de dúvidas, foi o “boom” das redes sociais e o acesso à internet. Apesar de ser um processo natural e previsível, a grande questão é: a humanidade estava preparada para receber essa enxurrada de informações diariamente? Hoje, diante do impacto que essas notícias falsas trouxeram, e ainda trazem para a sociedade, é fácil constatar que o mundo não estava preparado para este acesso indiscriminado à informação. Sem sombra de dúvidas, um dos segmentos mais afetados com essa popularização do mundo virtual foi o jornalismo. Com a explosão de sites – de tudo quanto é tipo e para tudo quanto é lado –, as previsões para o jornal impresso eram as piores possíveis. O imediatismo seria implacável com a notícia trazida no papel. 

Mas o que muita gente não contava é que para se “fazer” notícia é preciso qualidade e credibilidade. Que uma fake news não resiste a um minuto de uma notícia bem apurada, bem estruturada. Que por trás de uma notícia, é preciso um processo rigoroso e criterioso, afinal, o jornalismo de verdade é feito com apuração, responsabilidade e respeito à população, pois só agora dá para começar a se mensurar o impacto que uma notícia falsa ou uma “meia notícia” pode causar na sociedade. A pandemia da covid-19 veio apenas para reforçar aquilo que, assim como o acesso à internet, seria um processo natural. A população que buscou se informar em veículos de comunicação de qualidade e credibilidade se respaldou diante do incerto, do caos que se instalava aos olhos da humanidade. 

Muito mais que uma notícia, a informação feita com credibilidade, com responsabilidade e respeito faz parte do Estado Democrático de Direito e cumpre o que determina a Constituição Federal em seu artigo 5º: “é assegurado a todos o acesso à informação”. E assegurar esse direito a toda a população, não resta dúvida é uma luta diária feita com amor e dedicação. Resistir às piores previsões possíveis só é possível com muito empenho e com um propósito: manter o povo bem informado e livre. Livre de mentiras, de “meias notícias” e das informações distorcidas. Manter a notícia no papel só é possível pois há uma finalidade: garantir a todos o direito à informação, e fazer a democracia acontecer diariamente, mesmo que o povo não perceba ou sequer valorize. Essas páginas não são apenas uma notícia no papel, elas são resistência, democracia, direito e liberdade. 

E assim o Agora segue com o seu intuito: informar com qualidade e credibilidade, mesmo que o imediatismo diga que não, mesmo que as piores previsões digam que não. Noticiar com responsabilidade, credibilidade e, principalmente,  saber fazer não é para qualquer um. Fazer parte da democracia brasileira não é para quem quer e acha que sabe. Resistir, garantir um direito constitucional não é para amadores. Fazer diariamente que o povo seja, esteja e permaneça livre não é para o imediatismo desenfreado. É preciso ir além daquilo que os outros dizem ser apenas uma notícia.

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