Mais que palavras: "personalidade"

 

Israel Leocádio

Olá! Como vai?! Trago comigo um pensamento: Acredito que todos somos formados na escola da vida impulsionados por forças externas maiores que nós, como: pressão social, motivação, incentivo, desejo e influência. De todas, acredito que a influência é fundamental. Há neste mundo pessoas que se tornam referência. Isso em todas as áreas. Pessoalmente acredito que somos motivados, incentivados e despertados com o desejo por algo, quando encontramos nossas referências. 

Quando comecei a escrever esse artigo, decidi fazer uma pesquisa para ampliar meus horizontes, para projetar meu olhar para tentar ver mais longe...fiquei surpreso com a quantidade de artigos e literaturas que ensinam as pessoas a serem ‘influentes’. São coisas do tipo: ‘cinco regras para ser influente’; ‘seis passos para influenciar’. Logo encerrei a minha busca. Porque o que vi não me ajudaria. Não acredito em ‘influência enlatada’. De cara, percebi que nossa geração já perdeu o conceito. Já não temos referências de significância.

Há uma passagem bíblica em que o apóstolo Paulo afirma: “Sede meus imitadores como sou de Cristo” (1 Coríntios 11.1). Esta é pra mim a verdadeira ideia de referência. Jesus tornou-se um homem de caráter e espiritualidade marcante para sua época e as épocas posteriores a ele. Mais de vinte séculos depois de seu nascimento, aqui estamos nós, falando dele!  Como alguém pode marcar tanto? O que ele tem de especial? Não existem métodos para seguir alguém que é referência. Existe um comportamento adequado, que é imitá-lo. Foi isso que os discípulos de Jesus fizeram e propuseram, imitar o Cristo. Não é uma sugestão para chegar ao sucesso. Tampouco, para projetar alguém aos níveis mais altos da classe social. É a proposta de algo maior. Algo mais nobre. Algo mais poderoso. É ser uma pessoa de caráter e dignidade. Alcançar esse ideal é o que tem deixado nossa geração sem referências. Pessoas que seguem ‘seis passos’ para isso, ou ‘cinco regras’ para aquilo, estão buscando posição social. E, nem sempre isso muda o caráter deles. Ao contrário, podem torná-los mais orgulhosos e cheios de si. Repulsivos e indesejados pela arrogância.

Seguir uma referência de caráter é diferente! No contexto dos dias de Jesus uma palavra era utilizada para discípulo. É a palavra ‘talmid’, que, literalmente, significa ‘empoeirado’. Isso porque um ‘talmid’ andava tão perto de seu mestre que a poeira de seus pés alcançavam o discípulo. A ideia é que uma referência merece nossa atenção. Merece que aprendamos tudo que ele faz. Tudo que ele fizer é transformador. Logo, um aluno não perdia um só lance.

Conversava com minha esposa sobre o fim da geração de nossos avós e pais. E, vagueando no imaginário de nossas indagações, buscávamos um horizonte de esperança para as gerações futuras. E, não encontramos. Aqueles a quem as novas gerações chamam de desatualizados. Aqueles a quem reputavam como sem inteligência, porque não sabem nada sobre a avançada tecnologia. Estes velhinhos, estão indo embora. Talvez tenham sido desatualizados quanto à modernidade e avanço tecnológico. No entanto, doutorandos em caráter. Inquestionáveis quanto ao zelo pela moral e honra. Aqueles, carregavam seus nomes como troféus. Aqueles que têm dificuldade em manusear um avançado computador, tiram de letra a difícil arte de ser confiável. Pessoas que aprenderam que a palavra empenhada vale mais que uma gorda conta bancária.

O que dizer daqueles que além de um caráter invejável, também tornaram-se religiosos de valor? Tementes a Deus e obedientes aos homens. Conseguiram destaque na difícil arte de viver de forma agradável a Deus. Quem se propõe a copiá-los? Devemos ser gratos a Deus por ter ao nosso lado pessoas que inspiram. Podemos aprender um pouco com eles. Quanto aos que se foram, me resta o silêncio da incerteza. Minh’alma em silêncio observa a despedida de nossos heróis na moral e fé. A eles digo... Obrigado! Pense nisso!

Israel Leocádio é pastor 

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