Mãe de criança agredida por dizer ‘Lula lá’ depõe amanhã no MP

Informação foi divulgada pela vereadora Lohanna França; em Brasília, deputado diz que crime é ‘fruto do bolsonarismo’

 Bruno Bueno

A agressão de um policial militar reformado a uma criança de seis anos no último dia 30, em Divinópolis, continua repercutindo dentro e fora da cidade. Nas últimas horas, diversas personalidades políticas falaram sobre o tema em âmbito regional, estadual e nacional.

Segundo informações da vereadora Lohanna França (PV), a mãe da vítima irá depor amanhã no Ministério Público (MP). Em Brasília, o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que o crime é “fruto do bolsonarismo”.

Relembre

Em entrevista ao Estado de Minas na última sexta, a mãe da vítima revelou detalhes da agressão.

— Lá estavam o agressor, a mãe do agressor e o pai do agressor. Eles estavam discutindo Lula e Bolsonaro. Meu menino passou, o agressor passou a mão na cabeça dele e falou: ‘Você é Bolsonaro, tem cara de ser Bolsonaro’. Aí meu menino falou: ‘Eu sou Lula lá’. No que ele falou, ele pegou meu filho pelo pescoço, enforcando meu filho, deixando ele sem ar até ele desmaiar. Quando ele desmaiou, ele soltou meu filho. Machucou o cotovelo dele”, contou a mãe da vítima.

Os detalhes constam no boletim de ocorrência registrado pela família da criança. Até o momento, o acusado não foi preso.

Câmara de Divinópolis

A vereadora Lohanna França (PV) falou sobre o caso durante a reunião ordinária da Câmara de Divinópolis. Ela revelou que a mãe da vítima prestará depoimento amanhã no Ministério Público.

— Este é o nível que a extrema-direita opera. (...) A criança às vezes nem sabe o que está falando, talvez ouviu da mãe. Isso é um absurdo, é crime. (...) Nós já temos o prontuário, entramos com denúncia na Polícia Civil e amanhã a mãe irá depor no Ministério Público para esclarecer o caso — disse.

A parlamentar criticou a suposta omissão de alguns vereadores que não comentaram sobre o caso na Câmara.

— Onde estão os defensores das crianças desta Câmara? Temos uma criança vítima de violência política por conta do ódio da extrema-direita. Eles estão mudos. Cadê os outros vereadores que não se posicionaram e não falam sobre um caso tão absurdo?  (...) — completa.

Câmara Federal

O deputado Rogério Correia (PT/MG) falou nesta semana sobre o caso no Plenário da Câmara Federal, em Brasília. Ele destinou a culpa da agressão ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores.

— Quando eu vejo pessoas nas portas dos quartéis pedindo ditadura militar, isso é completamente inaceitável e tem que se perguntar o que será feito. Este policial será ou não punido da forma e no rigor necessário? (...) Isso é fruto do que foi exposto na campanha pelo bolsonarismo. Este sujeito que foi derrotado fazendo sinal de arma, dizendo que mata. Isso é imperdoável e terá que ser punido — ressalta.

O parlamentar revelou que está articulando um encontro entre a criança com o ex-presidente Lula.

— Essa criança disse que o maior sonho dela é conhecer o Luiz Inácio Lula da Silva depois do ocorrido. Eu vou encaminhar ao presidente para que ele possa acolher esta criança. Essa denúncia tem que ser vigorosa. Uma cidade como Divinópolis não merece a barbaridade a que o Brasil assistiu — acrescenta.

ALMG

O presidente do PT em Minas Gerais e parlamentar da Assembleia Legislativa (ALMG), deputado Cristiano Silveira, solicitou ontem que o Ministério Público apure o caso. 

— Pedimos que o Centro de Apoio adote as medidas que considerar cabíveis, juntamente à Promotoria dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes do município onde ocorreram os eventos descritos. Em virtude da relevância e urgência dos fatos, solicitamos que a resposta seja apresentada o mais breve possível — disse.

PT 

O diretório municipal do PT de Divinópolis também emitiu nota e demonstrou apoio à criança agredida.

— Diante das agressões sofridas, ainda que em tom de brincadeira, conforme fala do agressor, nada justifica o contato físico e a ação por parte de um policial reformado contra uma criança de apenas seis anos — disse.

A entidade também disse aguardar ações das autoridades competentes. A Polícia Civil informou na semana passada que instaurou inquérito para apurar o ocorrido. 

— Que as medidas legais sejam tomadas para que a investigação ocorra de maneira justa e que as autoridades atuem ativamente para a apuração do ocorrido — completa.

OAB 

A presidente da 48ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), localizada em Divinópolis, Ellen Lima, entrou em contato com a Polícia Civil e foi informada que o suspeito, a vítima e testemunhas serão ouvidas ao longo desta semana. Além de oficial reformado, o agressor também é advogado. 

A diretora da entidade garantiu que a OAB está acompanhando os fatos.

— O delegado nos garantiu que logo, logo teremos a conclusão e será enviado para a OAB para qualquer tomada de providência. Enquanto instituição fiscalizadora da conduta de seus inscritos, a OAB não se furtará a adoção de medidas necessárias que o caso requer. Primamos pelo devido processo legal, ampla defesa e contraditório, garantia constitucional a todos os cidadãos — afirma.

Ela também se solidarizou com a família da vítima e disse que o caso é um "lamentável incidente".

Cobertura

A cobertura completa sobre o caso, incluindo novos detalhes, você confere na edição impressa do Agora na próxima quinta-feira.

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