Machismo no mundo: separados por 172,3 trilhões de dólares

Machismo no mundo: separados por 172,3 trilhões de dólares

Laiz Soares

Estamos na semana do Dia Internacional da Mulher, uma semana de luta, celebração e conscientização. Nós queremos respeito, direitos e dignidade! A luta das mulheres é uma luta por igualdade, não somos inferiores a nenhum homem e não aceitaremos sermos tratadas assim. 

Como Bell Hooks já dizia “Eu não terei a minha vida reduzida. Eu não vou me curvar ao capricho ou à ignorância de outra pessoa”! Não seremos reduzidas em nossos empregos, já passou da hora de as mulheres serem valorizadas em seus trabalhos.

Ser mulher no mercado de trabalho é estar sempre na corda bamba: se você se posiciona e é assertiva te interpretam como arrogante, se está aberta a novas ideias você é “maria vai com as outras”. Quando tem filhos, você não é uma trabalhadora dedicada o suficiente. Quando não tem, você é irresponsável e insensível.

Uma das áreas em que as mulheres ainda são vistas como inferiores é na profissional. Dentro do mercado de trabalho mulheres são negligenciadas pelas empresas, passam por assédios e não são ouvidas como deveriam.  

O pior é saber que essa é apenas a ponta do iceberg! Além da falta de respeito à mulher no mercado de trabalho, enfrentamos uma diferença salarial injusta e desigual. No Brasil, as mulheres que ocupam os mesmos cargos e realizam as mesmas tarefas que homens chegam a ganhar até 34% menos que os colegas nas empresas.

De acordo com  a ONU Mulheres, se continuarmos nesse ritmo, vamos levar mais de 250 anos para alcançar a igualdade econômica de gênero no mundo. E não para por aqui!

O Banco Mundial divulgou dados exorbitantes sobre a desigualdade econômica de gênero. Segundo a pesquisa Mulheres, Empresas e o Direito 2022 do banco, a diferença entre os ganhos esperados ao longo da vida de homens e mulheres é de 172,3 trilhões de dólares – praticamente duas vezes o PIB anual do mundo.

Os dados também mostraram que cerca de 2,4 bilhões de mulheres, entre 18 e 64 anos, têm menos oportunidades e direitos econômicos que os homens. O levantamento constatou que 178, dos 190 países analisados, mantêm barreiras legais que impedem a plena participação econômica das mulheres.

Esses números precisam ser levados a sério! Não podemos ignorar o tamanho da desigualdade que sofremos em todo o mundo. Está na hora de nosso Estado criar políticas públicas que transformem esta realidade, seja com a redução do tempo no trabalho não remunerado, na criação de leis que impulsionam a participação das mulheres na força de trabalho e com o incentivo ao empreendedorismo feminino a partir do microcrédito.

Na semana do Dia Internacional da Mulher, proponho um exercício para todos. Repare nas diferenças da valorização dos homens e das mulheres no seu local de trabalho. Procure saber quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelas mulheres à sua volta. Nossa sociedade é machista e não podemos ignorar isso!



*Laiz Soares é formada em relações internacionais pela PUC Minas e pela Essca na França. Atuou liderando equipes e projetos no setor privado, em ONGs e no Congresso Nacional. Idealizadora da Escola de Líderes.

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