Lula violeiro dá adeus á cidade do divino

Lara Ordones 

 

LULA VIOLEIRO DÁ ADEUS À CIDADE DO DIVINO

Depois de mais de 30 anos vivendo em Divinópolis, o poeta, compositor e violeiro “Seu Lula” está deixando a cidade do Divino, mas deixa também sua marca na cultura do município e no coração das pessoas que conviveram com ele.

Aos 91 anos de idade, mas com alma e coração de menino, Seu Lula fez história na cidade com suas canções, sua viola e sua alegria de viver.

Em 1988, ele chegou a Divinópolis vindo da Bahia, para onde retorna no próximo mês. Por vários anos cantou na Rádio Minas e se apresentou na cidade e região ao lado de vários cantores da música raiz, sempre ofertando suas canções e poesias em escolas, praças, festivais, feiras literárias, eventos culturais da cidade, além de ser muito solicitado para entrevistas em rádios e TVs. 

Em 2005 começou, ao lado do parceiro Mirandinho, a apresentar o programa Brasil Sertanejo, que ficou no ar por 13 anos, chegando ao fim em 2018. Esse programa era sua grande paixão.

Nesse período, ele gravou um DVD (O Velho Guerreiro) dois CDs (Que importa e O Recanto das Nascentes). Este último é muito importante, pois conta com a participação mais que especial da dupla João Mineiro & Marciano e traz também o poema “Menino da Roça” que traduz, na sua simplicidade, o tamanho de sua sensibilidade e talento.

Em 2020, por meio da Lei Aldir Blanc, o artista foi contemplado pela primeira vez com uma verba pública e recebeu também uma linda homenagem por sua trajetória artística. Para ele foi algo inusitado e feliz, pois nunca havia recebido por sua arte.

O poeta menino, chamado assim carinhosamente por muitos, não para e, como ele sempre diz, é tempo de renovar, aprender e evoluir. Nos últimos anos, o multitalentoso começou a desenvolver trabalhos manuais de encher os olhos. Ele criou de forma artesanal inúmeras casinhas de sapé, moinho d´água, monjolo, resgatando suas memórias de infância e seu modo de vida. 

Seu Lula, a cidade de Divinópolis e o setor cultural te agradecem por tudo. Sua trajetória é, sem dúvida, inspiradora e está eternizada na história desta cidade. 




LEI ALDIR BLANC 2

JÁ É REALIDADE?

A Lei Aldir Blanc 2 é uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura brasileira. De autoria da deputada federal Jandira feghali (PC do B), a lei prevê um aporte anual de R$ 3 bilhões para o setor.  Assim, a cultura passa a contar, a partir de 2023, com investimentos para fomentar a cultura em todo o Brasil, de forma descentralizada e de forma permanente.

A Lei Aldir Blanc foi criada em 2020 para garantir um auxílio emergencial para o setor cultural de forma descentralizada, sendo executada por estados e municípios. O setor foi afetado profundamente, sendo o primeiro a parar suas atividades e um dos últimos a voltar. O processo de mobilização em torno da LAB de Emergência Cultural fortaleceu o setor, trazendo ânimo e união.

E foi baseado na experiência de sucesso da LAB que foi criado o PL 1518/2021 (LAB 2), transformando a conquista em um direito, criando a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento ao setor cultural. Um recurso muito relevante que estrutura e dá corpo ao funcionamento do Sistema Nacional de Cultura e certamente será um divisor de águas no financiamento à Cultura Brasileira.

E agora? Já é realidade? Ainda não.  A Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc foi aprovada no Congresso Nacional e aguarda a sanção presidencial. O prazo final para sanção ou veto é o dia 4 de maio. Agora é momento de mobilização e ainda mais união do setor para que a sanção da Lei aconteça sem vetos e a cultura vença mais essa batalha.

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