Longo caminho

Longo caminho

O dia 27 de abril de 2020 entrou para a história de Divinópolis. Naquela data, a Prefeitura anunciava as medidas que visavam evitar aglomerações, riscos de contágio e a propagação da covid-19. Pouco mais de um mês antes, em 8 de março, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais havia feito a confirmação do primeiro caso da doença no estado. A mulher, que à época tinha 47 anos, era moradora de Divinópolis e havia chegado da Itália. No dia 9 de abril daquele ano, a Secretaria Municipal de Saúde, havia confirmado a primeira morte na cidade pela doença. A médica oftalmologista Ana Cláudia Monteiro, de 46 anos, ficou internada no Hospital Santa Mônica por dias e foi a primeira vítima no município. Nesta quarta-feira, 15, fez um ano que a cidade entrou na onda roxa do programa do Governo do Estado, Minas Consciente. 365 dias que o silêncio tomou conta de Divinópolis. Apenas o medo, a ansiedade e o silêncio tomavam conta. 

Falta de leitos hospitalares, transferências, falta de insumos, de equipamentos de proteção individual, de medicamentos. O cenário tanto em 2020 quanto em 2021 foi o pior já enfrentado pela humanidade. As marcas ficaram para todos os lados. Milhares de famílias perderam entes queridos. Sorrisos se foram. Sonhos morreram. Mas tudo teve que continuar. Mesmo que “aos trancos e barrancos”. A esperança era a vacinação. Pois, mesmo diante do caos, mesmo com números epidemiológicos, com orientações da ciência, dos profissionais da saúde, o que não faltou, para tornar ainda pior, foram as notícias falsas e gente acreditando e compartilhando. Olhar para trás hoje e reviver tudo isso quase parece um pesadelo. Tudo foi tão intenso que beira o “irreal”. Mas, não, acredite, se você está sentado hoje, se você tem o privilégio de ler este editorial, você passou por tudo isso. E o melhor, você sobreviveu. Como em um ciclo vicioso sem fim, neste ano o cenário quase se repetiu. Em janeiro, a humanidade enfrentou mais uma vez um “boom” de casos confirmados de contaminação e de óbitos. Porém, não na mesma “intensidade” de 2020 e 2021. Mas a covid-19 segue deixando marcas para a eternidade. 

Novas variantes, previsões não tão animadoras, sem expectativa do fim da pandemia. Prova disso é que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou, na última terça-feira, dois casos da variante deltacron, que seria uma mistura da variante delta com a ômicron. Ainda não se sabe ao certo os sintomas que essa nova cepa do vírus causa. O certo até o momento é que ainda estão em estudo, em monitoramento, e que, em um movimento totalmente contrário ao surgimento dessa variante, estados e municípios começam a flexibilizar ainda mais as regras de prevenção contra  o vírus. Assustador. Afinal de contas, boa parte da população ainda não se recuperou do que viveu nos dois anos anteriores e, ao que tudo indica, ainda terá um longo caminho pela frente. Apertem os cintos, ou melhor, as máscaras, pois, apesar de muita gente querer o fim deste pesadelo, parece que ele insiste em tirar o sono de milhões de pessoas pelo mundo.

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