Lideranças locais repudiam ataques contra a democracia

Políticos classificam violência como “barbárie” e cobram responsabilização dos envolvidos

 

Matheus Augusto

Os  ataques às sedes dos três poderes (Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal), em Brasília, repercutiram em Divinópolis. Lideranças locais repudiaram os ataques à democracia e cobraram a responsabilização dos envolvidos.

A nível federal, Divinópolis tem dois representantes com cadeira assegurada no Congresso: o reeleito deputado federal Domingos Sávio (PSDB) e o senador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). 

O primeiro senador da história de Divinópolis garantiu não compactuar com o movimento. 

— Sou a favor das manifestações desde que sejam pacíficas e ordeiras. Sempre a favor da liberdade de  expressão, desde que seja com respeito. Sou totalmente contra violência, invasões e agressões como aconteceu hoje. E quem acaba pagando a conta é o povo! — justificou.

Domingos Sávio foi a liderança local a produzir o comentário mais extenso sobre o assunto. Na primeira parte de seu posicionamento, o parlamentar critica os ataques e o uso do termo “bolsonaristas” para se referir aos manifestantes. 

— Não concordo e não compactuo com nenhum ato de violência ou anti-democrático. Não concordo também que seja adequado rotular ou chamar aqueles que promoveram ou participaram de atos de vandalismo em Brasília (que eu repudio) de “bolsonaristas”. Embora eu concorde que a totalidade ou ampla maioria tenha votado em Bolsonaro, neste momento a manifestação não é “pró-Bolsonaro”, e sim contra o risco da implantação do socialismo populista ou comunismo através do governo do PT — disse.

Para o deputado federal, que está desde 2011 no Congresso, a tensão é gerada pelo risco de “caminharmos para um regime socialista”. Reforçando seu discurso pós-eleição, Domingos promete ser oposição ao atual governo.

Chefes na cidade

Chefes das instituições locais, o presidente da Câmara, Eduardo Print Jr (PSDB), e o prefeito, Gleidson Azevedo (PSC), também se manifestaram. 

— Nada justifica a depredação dos patrimônios públicos ou privados. O Direito de manifestação e a liberdade de expressão, constitucionalmente garantidos, esbarram em limites que devem ser respeitados. Afinal de contas, quem pagará a conta dessa destruição será o povo brasileiro — comentou Gleidson.

O líder do Executivo ainda ressaltou que sua atenção está voltada para os problemas reais da cidade.

— As eleições passaram e estou focado em cuidar da minha cidade, principalmente nesse período chuvoso, que tantas famílias precisam do poder público municipal — garantiu.

Já Print classificou os atos como ataques à democracia. 

— A redemocratização do Brasil foi conquistada pelo povo de forma ordeira e legítima. O direito ao voto nos transformou numa verdadeira república. O Estado Democrático de Direito garante a condição de manifestarmos de forma pacífica, sem atacar a liberdade de ninguém — afirmou.

O líder do Legislativo local também cobrou a responsabilização dos envolvidos.

— O que vimos hoje, em Brasília, foi uma barbárie que fere todos os direitos democráticos conquistados pelo povo. Não podemos fechar os olhos para este radicalismo e lamentáveis invasões nos três poderes, locais que são símbolos da nossa democracia. Que todos os responsáveis sejam punidos da forma que define a nossa Constituição, que existe justamente para evitar cenas como essas — concluiu.

A Câmara Municipal também publicou uma nota oficial com o título “Democracia em primeiro lugar!”.

— Manifestações pacíficas são constitucionalmente protegidas, mas atos que atentam contra a democracia e atacam com poder de destruição e força extrema devem ser tratados com o rigor da legislação criminal contra aqueles tomados de espírito de selvageria e que cometem barbaridades contra os Poderes constituídos — pontua.

O posicionamento cita, ainda, a conquista da democracia e a importância de defendê-la.

— Que lembremos sempre de Ulysses Guimarães, que lutou bravamente contra o Golpe Militar de 1964 e pelo restabelecimento da democracia brasileira, líder maior das Diretas-Já, que nunca precisou praticar um ato sequer de violência para vencer o regime ditatorial, referindo-se à nova Constituição brasileira de 1988: “Discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria”. A Democracia está em primeiro lugar. A Câmara Municipal de Divinópolis, portanto, manifesta seu apoio ao diálogo construtivo e às medidas eficientes em prol da ordem, progresso e liberdade.

 

Assembleia

 

Eleita deputada estadual, Lohanna França (PV) conhece o movimento de perto. Após chamar os manifestantes em frente ao Tiro de Guerra de “baderneiros”, eles foram até o Plenário da Câmara, em 13 de janeiro, criticar sua atuação. Após se pronunciar, ela deixou a sede do Legislativo sob a escolta de seguranças, além de ouvir mais xingamentos. 

Depois dos atos em Brasília, a futura representante da cidade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) traçou um paralelo com a invasão, em 6 de janeiro de 2021, do Congresso americano, após a derrota presidencial de Donald Trump. 

— Após a invasão criminosa do Capitólio, dezenas de pessoas foram presas e condenadas. Não há conciliação possível com golpistas. Importante ressaltar que não haveria tamanha paciência com professores, movimentos sociais ou alguém que… carregasse um pinho sol. Anistia não! — comparou.

Lohanna também lamentou a presença de divinopolitanos nos ataques. 

— Terroristas bandidos e baderneiros de Divinópolis presentes na cena criminosa em Brasília são uma vergonha imensurável para a cidade e a democracia. A cada vídeo e foto que recebo, sinto mais repulsa — expressou. 

A vereadora também se colocou à disposição para receber informações que ajudem na identificação dos envolvidos nos atos para encaminhar os dados à Advocacia Geral da União e ao Ministério Público Federal para investigações.

O também eleito deputado estadual, Eduardo Azevedo (PSC), publicou em suas redes sociais seu posicionamento sobre o ocorrido.

— Sou contra todo e qualquer tipo de violência, seja ela de direita ou de esquerda (como infelizmente já presenciamos dezenas de vezes). Que responsáveis sejam punidos de acordo com a lei — afirmou. 

Ele também aproveitou a oportunidade para criticar a esquerda.

— É muita hipocrisia ver figuras da esquerda que invadiram o mesmo local em 2006, que defendem movimentos terroristas como o MST e ditadores como o Maduro, agora se passarem por santinhos e fingirem que são pacíficos. Que eles deixem a hipocrisia de lado e passem a condenar também os ditadores que apoiam, as invasões de propriedade e a quebradeira que movimentos radicais de esquerda provocam em algumas manifestações. Isso não é passar pano para o que aconteceu ontem, muito pelo contrário, é cobrar que a esquerda pare de passar pano para a violência que os “companheiros” deles promovem. Que tudo cesse — citou.

 

Por fim, Eduardo Azevedo pede que a oposição ao atual governo siga firme.

— Esse fato absurdo que aconteceu não pode ser usado para criar uma cortina de fumaça e esconder os problemas que estamos vivendo: Ativismo judicial, censura, estouro do teto de gastos, nomeação de ministros envolvidos em escândalos etc. A oposição pacífica precisa continuar firme e impedir que o atual governo destrua nossa economia. Por fim, tenho plena convicção que os eleitores da direita são pessoas de bem e que estão apenas clamando para que o Brasil não seja entregue ao socialismo e não seja destruído. Porém, infelizmente alguns infiltrados extrapolaram os limites da manifestação pacífica, cometeram atos ilícitos e os mesmo precisam responder por eles — encerra.

Os deputados ocuparão, a partir de fevereiro, uma cadeira na ALMG. A Assembleia, que anunciou o reforço da segurança, manifestou “extremo repúdio” ao ocorrido e cobrou respostas “rápidas, enérgicas e eficientes”. 

— Levando em conta os sinais de alerta de invasão em instituições democráticas, informamos que a segurança no entorno da ALMG está sendo devidamente reforçada. Reiteramos que a democracia e a liberdade são símbolos de nosso Estado e qualquer concessão que estimule ações contrárias a esses valores não pode existir — ressalta o comunicado da Presidência da Casa. 

‘Inaceitável’

Apesar do recesso parlamentar das reuniões ordinárias, outros vereadores também se manifestaram. Ademir Silva (MDB), por exemplo, defendeu mais diálogo e menos vandalismo.

— Eu, como vereador, infelizmente não posso me calar sobre os acontecimentos em Brasília. Cidadãos brasileiros destruindo patrimônio público? Isto não é democracia! Atos de violência não mudam nada e acabam prejudicando a imagem do nosso País! — publicou.

Ana Paula do Quintino (PSC) também se pronunciou. 

— Sobre ontem, sempre fui a favor de manifestações, sendo elas pacíficas, desde que prezem pelo respeito e o zelo das pessoas e dos patrimônios públicos do nosso país. Não apoio nenhum dos atos criminosos em Brasília.

Defensor da causa animal, Flávio Marra (Patriota) publicou a imagem de um cavalo da polícia recebendo curativo: “Mais uma vítima, além do policial, esse cavalo foi agredido de forma covarde”. 

O vereador Diego Espino (PSC) também compartilhou imagens dos ataques. 

— Sou contra essas atitudes. (...) Se alguém quiser me convencer que isso é direita se manifestando, eu devo estar com algum problema, pois eu não consigo ver a direita fazendo esse tipo de coisa. A eleição passou e eu, como vereador da cidade de Divinópolis, preciso focar em trazer resultados para a população, seja ela de direita, esquerda, para cima ou para baixo! Os atos em Brasília de hoje (domingo) não me representam. O diálogo é essencial ao progresso do município o qual represento — publicou.

Outro a se manifestar foi Ney Burguer (PSB).

— O direito de se manifestar é constitucional, desde que pacificamente. Atos de vandalismo e depredação do patrimônio público não são manifestação e, no final, quem paga a conta somos todos nós.

OAB

A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Divinópolis, Ellen Lima, destacou a importância de defender a democracia.

— Consideramos inaceitáveis os ataques sofridos  aos três poderes, em Brasília. (...) Isso não pode ser tolerado. O Estado Democrático de Direito é um dos pilares que a advocacia defende, e dele não abrimos mão. 

Ela defende a identificação e a responsabilização dos envolvidos, com direito à defesa e demais direitos constitucionais. 

— A democracia está sob ataque e isso não pode ser tolerado — afirma

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