Líder do governo vê afastamento de secretária como precipitado

Por outro lado, o presidente da CPI da Educação avaliou a decisão como prudente diante das denúncias

 

Matheus Augusto

A Secretaria de Educação (Semed) de Divinópolis segue oficialmente sem liderança. Andreia Dimas foi afastada temporariamente do cargo na noite de quarta-feira, 11, devido à investigação da CPI sobre os gastos da pasta no fim do ano passado. A decisão foi alvo de comentários na Câmara, oscilando entre o elogio à sensatez e a crítica à precipitação. 

 

Serenidade e intimidação

O afastamento da secretária não era um tema descartado dentro da CPI da Educação. Os membros aguardavam a avaliação dos documentos e o avanço da investigação para decidir se solicitariam ao prefeito Gleidson Azevedo (PSC) o afastamento dos envolvidos no processo. No entanto, o chefe do Executivo se antecipou.

Ao Agora, o presidente da comissão, Josafá (Cidadania), disse que a decisão foi sensata. 

Ele [prefeito] foi prudente nesse ato. (...) Ele se antecipou nesse afastamento e vamos, no decorrer, não temos subsídio ainda para pedir o afastamento de quem quer que seja, mas no decorrer vamos ter essas prerrogativas — explicou.

Josafá também relatou ter recebido e rejeitado duas ligações anônimas, as quais ele atribui a possíveis tentativas de intimidação. 

— A gente percebe que há articulações externas querendo atrapalhar a CPI, mas não vamos permitir isso de forma alguma, nem em interferência nem em benefício — destacou.

 

Não foi consultado

Durante a reunião de ontem, a reportagem também ouviu o líder do Executivo na Câmara, Edsom Sousa (Cidadania). O parlamentar tomou conhecimento do afastamento temporário da secretária apenas quando a decisão foi anunciada publicamente. Para ele, a deliberação foi precipitada. 

— Para mim foi uma surpresa. As oitivas estão começando agora e temos no ordenamento jurídico a presunção da inocência. Isso foi, a meu ver, um pré-julgamento, acho que foi prematuro, muito cedo, sem ouvir nenhum depoimento ainda — justificou. 

Edsom revelou não ter envolvimento no afastamento, pois, apesar de defender o esclarecimento das denúncias, não vê espaço para “pré-julgamentos”.

— Não fui consultado. Eu, se fosse, seria contra. Assinei a CPI, quero a verdade dos fatos, mas tenho como linha não fazer pré-julgamento. Não quero inocentar nem condenar ninguém — afirmou. 

Questionado sobre novos afastamentos de servidores envolvidos no trâmite das compras, o parlamentar disse que a prerrogativa cabe ao Executivo. Em defesa da coerência, no entanto, seria natural aplicar a mesma regra. 

— Se afastou um, deveria afastar todos — defendeu.

 

Documentos chegam à CPI

O requerente da CPI, Ademir Silva (MDB), publicou ontem, em suas redes sociais, um vídeo com documentos recebidos. São 1.480 páginas com respostas aos questionamentos do vereador. O material será encaminhado à comissão. 

— Faremos uma análise profunda para chegar à verdade — escreveu.

 

Ex-vereador aciona MP

Uma denúncia mais ampla sobre as adesões de atas também foi protocolada no Ministério Público (MP) pelo ex-vereador Renato Ferreira (PSDB). Segundo ele, o intuito é tornar a questão oficial ao órgão, bem como ampliar a visão sobre o caso. 

— Com essa denúncia sobre a Educação, que é muito grave, os vereadores da casa legislativa precisam olhar para as outras secretarias e olhar como estão sendo feitas as adesões às atas, porque pode causar um prejuízo muito grande para nosso município — explicou.

O alerta, justifica, é por causa de adesões a atas não apenas na Educação, mas também em outras pastas. 

— O que mesmo espanta mais é que o mesmo consórcio da educação é o mesmo da pavimentação. São valores com aditivos muito altos. Estamos vendo várias frentes de trabalho [obras] sem nenhuma placa de onde está vindo o recurso, quais recursos, federal, estadual ou municipal — destacou.

Para Renato, o modelo escolhido não foi o ideal, ainda mais por se tratar de comprar com valores altos. 

— Um dos grandes problemas das atas de adesão é não ter licitação para recursos tão grandes. Tinha que ter uma licitação para ter uma transparência maior — finalizou.

 

 

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