KILLING IN THE NAME

 

Quem consegue livrar-se do monopólio cavernoso da falsa música sertaneja – que não tem nada de sertanejo e é patrocinada pelos falsos caipiras do “agronegócio” – e chegar até às luzes do universo dos demais estilos musicais, sabe que existe vida para além dos refrões envolvendo lamentosas crises por processos de cornificação.

Nesse sentido, Killing in The Name é o título de u’a música da banda californiana RAGE AGAINST THE MACHINE (1991) e ela – a música –  será usada nesta pequena reflexão alusiva ao encontro de um partido político chamado PL para aprovar a candidatura da pessoa que se encontra em situação de presidência ao pleito de 2022, pessoa esta que faz uso sistêmico de cumplicidade com armas, dinheiro e bíblias.

Ora, Killing The Name é u’a música potente, rebelde e forte, cuja tradução envolve a conduta de pessoas que estão MATANDO EM NOME de qualquer pessoa ou coisa. Significa claramente o extermínio de alguém em nome de uma abstração qualquer, seja divina, política, cósmica ou normativa (sim, muitos matam “em nome da norma”).

Matar alguém “em nome de” de alguma coisa tem seu locus ideal na construção simbólica de um “inimigo”. Daí, a figura de um inimigo ser espécie de “bode expiatório” sobre o qual serão “ungidos” negativamente todos os malefícios incomodantes, e que irão fazer explodir o “efeito lúcifer” da ira do agressor. Este, por sua vez, se sentirá reconfortado por eliminar seu “inimigo” no repouso de uma “consciência secundária”, eis que terá agido “em nome” de qualquer coisa.

Grandes heróis do mundo foram transformados em inimigos – bodes expiatórios – e mortos “em nome” de alguma coisa. A narrativa bíblica fala claramente como Jesus – o cordeiro da divindade – também foi feito inimigo e morto “em nome” de (...). Sob esse aspecto, não são os seguidores de Jesus que buscam a morte de alguém, posto que Jesus NUNCA matou, ao contrário, RESSUSCITOU pessoas. Assim os falsos cristãos são, ao contrário, seguidores daqueles que O mataram. Os falsos cristãos são violentos e mortais e, na realidade, são projeção histórica dos mesmos perseguidores de sempre.

(Jesus jamais, nunca chegaria à frente de uma multidão, babando e batendo no peito, para gritar: “AQUI É JESUS, PÔRRA!!!”)

É por isso que a música fala: Some of those that work forces / Are the same that burn crosses, ou seja, “Alguns dos que estão no poder / São os mesmos que queimam cruzes”.

O queimador de cruzes que está em situação de presidência chama seus adeptos para a violência “em nome” da liberdade (...), qual liberdade? A dele, pois sabe perfeitamente que será preso pelo vasto histórico de crimes contra a Pátria e contra a Humanidade.

E a música prossegue potente: And now you do what they told ya (“E agora você faz o que te mandaram”). Ao final vem a resposta: Fuck you, I won’t do what you tell me / Motherfucker, huh!

(Esta pequena reflexão é dedicada aos pioneiros da música caipira Jararaca e Ratinho.)

 

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