Inquérito sobre criança enforcada por apoio a Lula está estagnado

Afirmação é de advogado da família que cita falta de delegado; PC confirma ausência de titular na Delegacia

Matheus Augusto

Quase três meses após a abertura da investigação, o inquérito que investiga a denúncia de agressão de um policial reformado contra uma criança de 7 anos segue parado. O caso ganhou inclusive repercussão nacional. No dia da eleição, em 30 de outubro do ano passado, o suspeito teria enforcado o menino após ele negar ter “cara de ser Bolsonaro”: “Eu sou Lula lá”, em referência ao jingle da campanha do petista. A criança teria desmaiado e, ao cair, ainda machucou o cotovelo.

Sem delegado 

O não andamento do inquérito que investiga a agressão, conforme o advogado que atua junto à família da criança,  se deve à ausência de titular definitivo na Delegacia Especializada para Mulheres, Idosos, Crianças e Adolescentes na Polícia Civil. A divisão era comandada, desde 2011, pela delegada Maria Gorete Rios, que se aposentou no ano passado. A nova titular, Flávia Granado Alvarenga, assumiu a função em junho do ano passado, mas foi logo transferida.

Ao Agora, a assessoria de comunicação da PC, informou que a delegada Flávia Granado foi transferida da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), a pedido, para assumir outra delegacia. 

— O delegado Anderson Vicente de Sousa responde temporariamente pela Deam em Divinópolis, sem prejuízo dos trabalhos investigativos e do atendimento ao cidadão. A PCMG esclarece que, tão logo, o novo titular assuma em definitivo, a imprensa será comunicada — explicou.

A PC também garante que a investigação sobre o referido caso segue em curso. 

— Quanto ao inquérito, a PC informa que as investigações seguem em andamento e mais informações serão repassadas em momento oportuno — ressaltou.

Conclusão

O advogado que acompanha a família no caso, Farlandes Guimarães, destacou sua confiança na Polícia Civil e demais órgãos e autoridades envolvidas na apuração do caso, mas reforçou o pedido para a conclusão do inquérito. O passo é necessário para que a família possa definir as próximas ações. 

— Reiteramos nossa confiança na Polícia Civil, nas instituições e demais autoridades, apenas queremos que o inquérito seja concluído dentro de um prazo razoável. Aguardamos essa conclusão para tomar as medidas cabíveis — explicou. 

O advogado explicou que é comum que o inquérito seja concluído em até 30 dias, mas houve solicitação da PC à Justiça para prorrogar o prazo de investigação.

OAB

O acusado tem registro definitivo na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A presidente da 48ª Subseção da OAB em Divinópolis, Ellen Lima, explicou que aguarda a conclusão do inquérito para também iniciar as medidas cabíveis. Entre elas está a possibilidade de, a partir de uma representação, a abertura de um procedimento ético disciplinar. 

Entenda o caso

A denúncia de agressão ganhou espaço na imprensa pelo país e também motivou discursos de repúdio na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em relato ao Estado de Minas, a mãe da criança deu, à época, mais detalhes do caso.

— Meu menino passou, o agressor passou a mão na cabeça dele e falou: ‘Você é Bolsonaro, tem cara de ser Bolsonaro’. Aí meu menino falou: ‘Eu sou Lula lá’. No que ele falou, ele pegou meu filho pelo pescoço, enforcando meu filho, deixando ele sem ar até ele desmaiar. Quando ele desmaiou, ele soltou meu filho. Machucou o cotovelo dele — contou.

Na mesma semana, a PC informou que o inquérito tramitava em regime de prioridade e seria concluído “em breve”. Passados quase 90 dias, a família segue à espera da conclusão.

 

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