Inimigos

João Carlos Ramos

 

Inimigos

Segundo crenças milenares, todos nós temos a face do dia e da noite dentro de nós. Por causa disso, erramos e acertamos, consciente ou inconscientemente. Nossa mente é um terreno fértil e, corajosamente, somos impulsionados pela multiplicação das semeaduras.  Nosso corpo obedece ao sistema digestivo, usufruindo dos alimentos as substâncias necessárias ao nosso desenvolvimento e, consequentemente, expelindo o excesso. Assim também temos um subterrâneo nas regiões profundas do nosso ser que nos orienta a expelir os excessos de caráter mental. Contudo, essa orientação nem sempre é seguida e o resultado comumente é catastrófico. Existem pessoas que possuem a intuição extremamente desenvolvida e "deletam" pensamentos perniciosos, antes que sejam desenvolvidos no campo do livre-arbítrio. Todos nós somos livres e, infelizmente, muitos atravessam a ponte e penetram no terreno do inimigo. Inicialmente, pode ser até benéfico, pois nosso corpo físico almeja a zona de conforto. Logo após a bonança, surge a famosa tempestade: queremos voltar e não podemos. Queremos lutar sem o devido preparo e usamos as armas da mente enfraquecida.

Os inimigos são múltiplos. Podem ser reais ou fantasiosos, pois as batalhas humanas podem ser internas ou externas. A "síndrome de heroísmo" assola uma grande parte de nossa mente inconsciente e o perigo passa a nos estimular, crendo que sempre venceremos. Ledo engano! Uma coisa é o perigo real e outra é o perigo criado ou desenvolvido, apenas por infantilidade mortal.

Surge uma questão: quais são meus inimigos reais ou fictícios? A eterna sabedoria oriental nos ensina a amar os inimigos e nos distanciarmos deles. Um grande sábio nos orienta a explodirmos as pontes, para impedir o retorno... O perdão é altamente recomendável, porém, mudanças de atitudes também. Todos os inimigos querem saber quais são seus planos, pois são atormentados pelo medo, embora não assumam e às vezes não percebam. Procurarão criar laços de astúcias com seus amigos e presenteá-los, principalmente com banquetes e ou elogios, com a finalidade do lucro fácil no terreno proposto.  Genial Plutarco escreveu os livros: “Como tirar proveito dos seus inimigos” e “Como distinguir o amigo do bajulador”. Nessas obras clássicas ele nos mostra que todos dois são seus inimigos. O inimigo propriamente dito que quer tudo aquilo que você tem e o bajulador que possui a mesma intenção. Em ambos os casos, deixa-os livres para que cumpram seus intentos.

Não permita que vejam sua visão acerca deles. O sábio se veste de tolo para vencer. Jamais queira ter inimigos para demonstrar sua força.

Alguns podem citar a máxima: o maior inimigo do homem é ele mesmo. Certo!  O maior não significa o único. A porta de entrada dos exércitos inimigos é sua própria mente e atitudes impróprias de um vencedor. Sede prudentes como as serpentes, pois, como diz o adágio oriental: "Todos os inimigos se encontram no Nilo".

Que Deus vos ilumine!

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