Greve da Educação completa um mês

“Quem vai repor isso para gente?”, questionou um estudante; paralisação segue sem previsão de término

Bruno Bueno

A paralisação dos servidores da Educação de Minas Gerais completa, hoje, um mês. A greve foi instaurada em uma Assembleia Estadual realizada no dia 8 de março, em Belo Horizonte. A classe cobra a recomposição salarial de 33%. Romeu Zema (Novo), governador do Estado, ofereceu 10,06%, com base na inflação.

Várias escolas estaduais de Divinópolis estão sem aula desde o mês passado. A greve ainda não tem previsão de término.

 

Entenda

O projeto que concede 10% de reajuste para todos os servidores estaduais chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no mês passado. A pauta foi aprovada em dois turnos, porém, recebeu emendas que adicionam os índices solicitados pela categoria. 

O governador havia adiantado o veto a qualquer adição ao projeto original e assim o fez. A sanção da pauta original, que concede 10,06% de reajuste, foi publicada na edição extra do Diário Oficial dos Municípios Mineiros na última segunda. Sindicalistas lamentaram a decisão do governador e prometeram pressionar os deputados para derrubar o veto.

 

Assembleia

Nesta semana, representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (Sind-UTE/MG) realizaram uma Assembleia Estadual para definir os próximos passos da paralisação. A continuidade da greve foi aprovada, bem como um novo calendário de eventos.

— Continua a greve por tempo indeterminado na rede estadual de Educação de Minas Gerais. Essa foi a decisão aprovada na Assembleia Estadual de Greve realizada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), na tarde desta quarta-feira em Belo Horizonte — afirmou o sindicato.

Entre os dias 7 e 12 de abril, os sindicalistas realizarão uma vigília na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A intenção, segundo o órgão, é pressionar os deputados para derrubar os vetos do governador. 

No próximo dia 12 está marcada uma nova Assembleia sobre a greve e, no dia seguinte, está pautado um ato inter-religioso de Páscoa no estado pela derrubada dos vetos.  

 

85%

A greve, conforme dados do Sind-UTE/MG, atinge 85% da Rede Estadual de Educação. A reivindicação pelo Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no começo do ano, segue.

— Desde 2019, o sindicato já participou de 20 reuniões com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Foram encaminhados 39 documentos ao governo Zema cobrando a aplicação correta dos recursos da Educação e dos reajustes do Piso. Em nenhum momento uma proposta foi apresentada — informou em nota.

 

A suspensão da greve está condicionada à derrubada dos vetos do governador. Segundo a instituição, a direção do sindicato participou nesta semana de uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça após o governo entrar com um pedido de bloqueio das contas do órgão. A reunião terminou sem acordo.

— O Piso Salarial é um direito garantido pela Lei Federal 11.738/08, pela Constituição do Estado, por meio do artigo 201A, e pela Lei estadual 21.710/2015 — elencou o sindicato.

 

Apoio

Ainda de acordo com o sindicato, diversos municípios se manifestaram, por meio das Câmaras Municipais, a favor da continuidade da greve. Além de Divinópolis, outras cidades da região Centro-Oeste, como Campo Belo, São Francisco de Paula, Itaúna, Itapecerica e Passos, estão na lista.

Arcos, outro município da região, enviou uma moção de repúdio ao governo de Romeu Zema. As assembleias estaduais contam com a presença de diversos deputados da ALMG, como Beatriz Cerqueira (PT) e Professor Cleiton (PSB), além de Rogério Correia e Padre João (ambos do PT).

 

Repercussão

A notícia da manutenção da greve foi vista de formas diferentes por estudantes. Lucas Henrique, aluno de uma escola estadual de Divinópolis, reconhece a luta dos professores.

— É triste ficar tanto tempo sem aula, mas temos que entender que os professores precisam lutar por seus direitos — pontuou.

 

Paulo Vinícius, de outra instituição de ensino, quer o retorno imediato das atividades escolares.

— Me sinto revoltado com essa situação. É um absurdo ficar esse tempo todo sem aula ou qualquer tipo de atividade. Quem vai repor isso para gente? Já ficamos tanto tempo sem escola devido à pandemia e agora isso. Vergonhoso — disparou.

 

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