Gorou o Golpe (3)

 Gorou o golpe (3)

Às vezes, de pura maldade tinha um tantão de gente nem aguardando os festejos do dia 7 de setembro último, não só no aguardo da beleza que um desfile cívico exibe, mas também e de pura maldade aguardando o espetáculo que o presidente Bolsonaro iria proporcionar, mas e principalmente o que se esperava era que o senhor presidente desse um show e sapateasse para estragar a festa que, como o prometido, o presidente não iria obedecer o programado dando um show de rebeldia e desobediência às ordens do Supremo Tribunal Federal (STF), expondo-se ao impeachment.

Esta seria a armadilha para a queda do presidente, mas eis que ele mudou, ficou obediente e jurou obedecer ao Supremo. E assim o fez, e então, a promessa da rebeldia gorou. Resumindo, eis que o presidente boquirroto recuou sob performance quase elegante, ficando dócil e obediente. Não colocou o pé na armadilha golpista quando teve de escolher entre encarar o impeachment ou recuar das ciladas e sobreviver até mais reforçado e realizado. Uf!!!

Valeu a experiência dos envolvidos. Ficou a experiência. E não valem pueris protestos, como está na Folha de S. Paulo do dia 19 de setembro do corrente mês, quando o presidente, eleito pelo povo brasileiro, foi chamado de presidente boçal, e autoridade “sem modos”.

Chega de golpes imaturos e ridículos. Basta de arapucas mal endereçadas...

 

 Versos íntimos

 

Vês? Ninguém assistiu ao formidável

enterro de tua última quimera

Somente a Ingratidão ‒ esta pantera

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera

O Homem, que nesta terra miserável

Mora entre feras, sempre inevitável,

Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acenda teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja

 

Se, a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga.

Escarra nesta boca que te beija!



Quem não conhece este terrível poema de Augusto dos Anjos?... 

Augusto dos Anjos, poeta com nome tão beatífico, assusta vez que nega seu nome tão augusto e nem tão angelical como seu nome sugere. 

Mas, enfim, este belo poema de Augusto dos Anjos, seguindo o contraditório do poema, assusta, mesmo porque cobrindo de doçura o poema, ele continua terrivelmente amargo e convite ao desespero.

 

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