Forças de Segurança descartam os 10% e mantêm indicativo de greve

Reunião entre sindicatos, que cobram recomposição salarial, e Estado terminou sem acordo; Educação também vai protestar

 

Bruno Bueno

A queda de braço entre o governo do Estado e servidores das Forças de Segurança Pública de Minas Gerais segue sem previsão para acabar. Em indicativo de greve desde o mês passado, a categoria cobra recomposição salarial. Na última semana, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou projeto que concede 10% de reajuste para todos os servidores estaduais, valor abaixo do solicitado pela classe.

— Encaminharei hoje à ALMG, em regime de urgência, um projeto de reajuste de 10% para todo o funcionalismo mineiro. Ativos, inativos e pensionistas, com vigência a partir de maio. Além da recomposição salarial, faremos o reajuste da ajuda de custo recebida pelos servidores civis. Quem recebe hoje R$ 47 de auxílio alimentação passará a receber R$ 75 por dia, entre auxílio e ajuda de custo — disse.

Pressionado, o governo do Estado realizou ontem uma reunião com os sindicatos e entidades das Forças de Segurança. O encontro, no entanto, terminou sem acordo. De acordo com informações de veículos de imprensa de Belo Horizonte, os representantes deixaram o local insatisfeitos e alegaram que nenhuma nova proposta foi feita.

 

Frustrante

Em nota à imprensa, o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), Marco Antônio Bahia, disse estar frustrado com as negociações e prometeu uma nova manifestação da classe no dia 9 de março.

— A reunião foi muito frustrante. A gente sai daqui com a sensação que o governo não respeita a segurança pública. Achávamos que a secretária Luiza Barreto estava realmente credenciada para negociar com a categoria. Mas vimos que não tem a boa vontade de dialogar com a categoria e resolver o problema da segurança pública — disse.

Por sua vez, a secretária de Planejamento e Gestão afirmou no encontro que o governo chegou ao limite e não pode oferecer nenhum aumento além dos 10%. 

— Não há possibilidade de se colocar percentuais na mesa porque o Estado, quando ele está acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, psó o que ele pode conceder é recomposição de perdas inflacionárias geral, ou seja, para todas as categorias e no percentual da inflação do último ano que são os 10% que nós propusemos — explica.

 

Sindicatos

A Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (AOPMBM) foi um dos sindicatos que se posicionou contrário à concessão do governador.

 

— O governo não ouviu o clamor e nem dialogou com as forças de segurança pública, deputados, comandantes gerais e entidades de classe. Por isso, a nossa batalha continua. Precisamos da presença de todos os profissionais da segurança nessa luta  — salientou.

De acordo com Zema, a área de Segurança Pública também receberá um acréscimo no abono fardamento, benefício destinado a agentes para a compra de fardas.

— Para os membros das forças de segurança, também enviarei hoje projeto de lei para Assembleia, para que abono fardamento, que hoje é pago em única parcela em abril, seja ampliado para três parcelas, a serem pagas em março, junho e outubro, cada um valor no de 40% da remuneração de um soldado — esclareceu.

 

Revolta

O abono, no entanto, não foi suficiente para impedir a revolta do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG). A categoria lembrou que o benefício não atende profissionais aposentados, o que descontenta os profissionais.

— Lembramos aos policiais civis que esses valores não incidem sobre o 13º, férias, policiais que sofrerem acidente e/ou estão afastados, não alcança nossos pensionistas e aposentados. Não podemos esquecer dos nossos aposentados, pois doaram mais de 30 anos de suas vidas à Polícia Civil e à sociedade mineira — enfatizou.

 

Contrários ao reajuste de 10%, o sindicato também concordou em manter a paralisação dos profissionais.

— O posicionamento do Sindpol/MG e das demais entidades de classe da Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiros Militares, Polícia Penal e Agentes Socioeducativos é pela manutenção da paralisação das Forças de Segurança Pública, pois queremos a nossa devida recomposição das perdas inflacionárias — 

 

Manifestação

Os representantes dos sindicatos e associações da Segurança Pública realizaram, na última sexta, uma manifestação na Cidade Administrativa em resposta ao posicionamento de Zema. De acordo com o sindicato, mais de 8 mil policiais civis, militares, bombeiros militares, policiais penais, agentes socioeducativos e servidores administrativos compareceram.

— Ele está desacreditando da força que nós temos. Exigimos respeito por parte dele. Estamos lutando pela recomposição das nossas perdas inflacionárias, lutamos por uma vida digna — disse Wemerson Oliveira, assessor do Sindpol.

Uma nova manifestação está marcada para o próximo dia 9 de março. A expectativa, segundo os organizadores, é reunir cerca de 40 mil profissionais. Os sindicalistas afirmam que o vídeo do governador soou como deboche e descaso com os profissionais da categoria.

— A fala de Zema gerou um desconforto em todos, ele faz descaso com a Segurança Pública, além de mentir quando disse que estava aberto ao diálogo. Zema nunca se sentou com os sindicatos e associações em uma mesa de negociação — pontuou Oliveira.

 

Educação

Servidores da Educação também não concordam com a decisão do governador. A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romano, informou que a principal reivindicação da categoria é o Piso Salarial Profissional Nacional, previsto no artigo 201 da Constituição de Minas Gerais.

— O governo não pode se esquivar do cumprimento de uma legislação que é estadual. Nós temos uma assembleia marcada para o dia 8 de março, onde poderá ser deflagrada uma greve na rede estadual se o governo Zema não nos apresentar uma proposta de cumprimento da legislação e pagamento do Piso —  informou.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a professora convocou os servidores da Educação para a assembleia da categoria. O encontro pode marcar o início de uma greve dos profissionais. 

— Participem da nossa assembleia, ajudem, paralisem as escolas para que nós expliquemos, mais uma vez, ao governo do Estado que legislações em Minas Gerais precisam ser cumpridas. Nós queremos o Piso e dele não abriremos mão — relatou.

Além do reajuste de 10%, Zema prometeu aos servidores da Educação que pagaria o reajuste retroativo a janeiro. Além disso, uma bonificação adicional pelo desempenho das escolas e alunos deve ser concedida. 

 

Região

Servidores de Divinópolis e outras cidades da região Centro-Oeste têm participação ativa nas campanhas salariais. As últimas manifestações das forças de segurança contaram com a participação de profissionais que atuam nas cidades do interior.

Membros sindicalistas da Educação confirmaram à reportagem uma paralisação no dia 8 de março. De acordo com representantes do  Sind-UTE Divinópolis, profissionais da pasta já se reuniram com servidores de escolas estaduais da cidade para convencê-los a aderir à greve. 

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