Fome

João Carlos Ramos

 

Fome

Josué de Castro (5/9/1908 - 24/9/1973), em  seu livro  clássico "GEOPOLÍTICA DA FOME", afirma: "Interesses e preconceitos de ordem moral e de ordem política e econômica  de nossa chamada civilização ocidental tornaram a fome um tema proibido ou, pelo menos, pouco aconselhável de ser abordado". Sua mente brilhante de médico por formação e de geógrafo por vocação fez dele um paladino brasileiro contra  a fome instalada no país e no mundo em contrapartida da reação frágil das forças governamentais, a fim de sua extinção ou pelo menos, redução. Uma voz como essa jamais poderia ser calada, mas foi. Infelizmente, ele teve seus direitos políticos cassados por se posicionar ao lado da justiça social, possuindo  uma coragem indômita em período de intensa repressão.

Não entrando no mérito político-partidário, sua voz até hoje ecoa nos meios acadêmicos e sociais. Passados 49 anos, quais são nossas realidades, acerca da fome e suas consequências? A fome  proteica foi seu ponto de partida, pois a ausência de alimentos que contém proteínas consequentemente gera a maioria das enfermidades,  deixando o organismo extremamente débil. Hoje, em pleno ano de  2022, o Brasil possui uma população de 215.720.922 pessoas, segundo o IBGE (uma população extremamente numerosa), tendo uma renda per capita abaixo da que se faz mister.

A meu ver, as classes sociais brasileiras são divididas em  ALTA, POBRE E MISERÁVEL. Alguém pode me provar o contrário, à luz das estatísticas?

A classe de miseráveis suga em alta velocidade a pobre. Estamos prestes a  nos tornar semelhantes ao  Haiti ou Bangladesh em um futuro próximo. Qual ou quais são os culpados? Inicialmente, a política de privilégios, a começar pelo exagero numérico dos partidos políticos, facilitando a corrupção, tendo  as possibilidades de migrações para outros partidos ao bel-prazer. A seguir, podemos observar  que a política da reeleição facilita os conchavos entre opositores, amantes do poder e do dinheiro, com raras exceções.

Também podemos observar que a questão educacional está intrinsecamente ligada ao subdesenvolvimento, facilitador feroz da corrupção. Não podemos esquecer também das influências religiosas, como ensino do apego à pobreza como atributo divino importado do período  dos colonizadores e agora os movimentos neopentecostais que empobrecem a nação, através da retórica. Enfatizando em demasia a riqueza, os pobres se intimidam e se multiplicam. Finalizando minha explanação, podemos enumerar as catástrofes climáticas e das demais ordens, bem como as epidemias de covid-19, influenza  etc.

A verdade gritante é que temos uma população faminta e todos são culpados. 

A fome chegou a níveis nunca vistos e é momento de solidariedade total.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

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