Flerte fatal

Flerte fatal 

Se existe um fato contemporâneo, que não tem como ninguém contestar, é que os brasileiros em várias partes do país, mais do que nunca, estão flertando – perigosamente – com o autoritarismo. Para quem não sabe, o autoritarismo é um sistema de liderança pelo qual o líder tem poder absoluto e autoritário e implementa seus objetivos e regras sem buscar a orientação e conselhos dos seus seguidores. Esse sistema de liderança é caracterizado por um poder central e pela repressão das liberdades individuais dos cidadãos. Um autoritário acredita que a liberdade é secundária à ordem social e que a ordem deve emanar de uma pessoa. Em outras palavras, é tudo ao contrário do que prega o artigo primeiro da Constituição Federal: “todo poder emana do povo”. Apesar de a explicação do que é o autoritarismo em sua essência assustar, e até mesmo levantar questionamentos, é fácil provar como o povo brasileiro está flertando perigosamente com este sistema no dia a dia. 

Como todos sabem, o Brasil é um país regido pelo sistema democrático de direito. A democracia é um tipo de organização social na qual o controle político é, teoricamente, exercido pelo povo, que resulta em um sistema governamental que se forma pela livre escolha de governantes pela maioria da população, por meio de votação. Porém, impor sigilo sobre suas próprias atividades, minar o controle popular, espalhar notícias falsas, desqualificar a imprensa e, em alguns casos, até órgãos oficiais de governo e sufocar os mais críticos são práticas autoritárias que podem ser observadas em governos considerados democráticos e em grandes organizações. Em poucas palavras é o autoritarismo sendo exercido livremente dentro da democracia. Sem sombra de dúvidas, identificar essas práticas por parte dos governantes nos tempos atuais é tão claro quanto “o sol do meio-dia”. 

Mas, o que mais chama a atenção neste processo é pensar que tal prática é apoiada inúmeras vezes pela população, que, incapaz de pensar, serve como massa de manobra para que os interesses dos outros sejam atingidos. Outro ponto bastante peculiar dentro dessa análise é ver quão perigoso esse sistema é para a liberdade do povo, que segue apoiando atos no mínimo questionáveis. Afinal de contas, pode-se afirmar, de olhos fechados, que, sim, o autoritarismo vem sendo praticado cada vez mais por civis e, de alguma forma, esses atos falam a linguagem da democracia. Muitas vezes sob a justificativa – já bastante conhecida e utilizada – de “liberdade de expressão”. Dizer que o povo perdeu a vergonha de ser burro, nesta altura do campeonato, já não faz grande efeito, mas é primordial que aqueles que não se deixam levar pelas palavras bonitas se mantenham alerta, pois esse flerte cada vez mais intenso com o autoritarismo pode, sim, trazer graves consequências. 

É importante ressaltar que essas práticas autoritárias são cometidas tanto pela direita quanto pela esquerda. Todos estão “unidos” com um único propósito: o poder. Tudo feito em um jogo milimetricamente montado e articulado diariamente, em que o único que perde é exatamente o cidadão.

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