Falta de medicamentos em Minas ainda não afeta a região

Mais de 50 remédios estão com estoque crítico no Estado; situação na SRS Divinópolis segue ‘dentro do habitual’

Bruno Bueno

51 medicamentos diferentes estão com estoque crítico na Farmácia de Minas Gerais, distribuidora para as regionais de saúde. A informação foi divulgada ontem pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacchereti, em entrevista à imprensa de Belo Horizonte. Alguns dos medicamentos  são utilizados para tratamento de asmas graves e crônicas, além de transtornos neurológicos. O motivo, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES/MG), está ligado ao atraso de fornecedores e a demora na distribuição feita pelo Ministério de Saúde (MS).

A situação, por enquanto, ainda não preocupa a região Centro-Oeste. Em resposta ao Agora, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis informou que o estoque de medicamentos está “dentro do habitual”. O setor fornece os remédios para 53 cidades da região.

 

Apenas três

Uma funcionária da SRS Divinópolis, que prefere não se identificar, informou que somente três medicamentos utilizados para tratamento de asma grave estão em falta na regional, ainda dentro da normalidade.

— É comum faltar alguns medicamentos na unidade, seja por atraso do Ministério da Saúde ou de fornecedores que necessitam da matéria prima. Não são muitos e nós já estamos preparados para esse tipo de situação. Por enquanto, ainda não é uma situação crítica — afirma.

Ainda segundo a servidora, a unidade já sofreu com a falta de medicamentos em outra data. 

— Em 2013, nós vivemos uma situação crítica. Muitos medicamentos em falta, principalmente relacionados a problemas com fornecedores. Hoje trabalhamos dentro da normalidade — acrescenta.

 

20%

O secretário de estado de Saúde, Fábio Baccheretti, classificou a situação como um “grande problema”. De acordo com o chefe da pasta, cerca de 20% do total de medicamentos (256) estão com estoque crítico.

— A maior parte deles é por falta de fornecimento pelo Ministério da Saúde e outros por atraso de fornecedores. Então esse é o grande problema que a gente vem enfrentando, tanto o Ministério da Saúde quanto as secretarias estaduais de saúde do país estão com grande dificuldade de fazer a compra de medicamentos por falta de fornecedor — relatou à imprensa.

Fábio aponta a inflação como principal culpada pela ausência de medicamentos.

— A inflação vem prejudicando a compra dos insumos e a maior parte dos fornecedores fala que o custo deles está maior do que o valor permitido para venda — disse.

 

Instituições

Diversas instituições demonstram preocupação com uma possível falta de medicamentos. O Congresso Nacional de Saúde (Conas) é um deles. O órgão enviou um documento para o MS solicitando mudanças no teto do valor dos medicamentos. 

Em nota à imprensa, o Conselho Regional de Farmácia também confirmou o envio de ofícios ao Ministério. A pasta, contudo, pede maior racionalidade da produção para investir em insumos químicos e farmoquímicos. 

 

Preocupação

A possível falta dos insumos também preocupa quem precisa dos medicamentos. É o caso da estudante Maria Eduarda Stefanie, portadora de asma crônica e hipertensão.

— É claro que me preocupo. Houve uma época que alguns medicamentos que uso faltaram e foi um “Deus nos acuda”. Na última vez que fui à farmácia a situação estava tranquila, mas mesmo assim fiquei receosa — pontua.

Em 2019, quase metade dos medicamentos ofertados gratuitamente pela Farmácia de Minas foram desabastecidos. 74 deles estavam com estoque zerado. À época, a SES/MG atribuiu a situação à crise financeira. A situação só foi normalizada após semanas de angústia dos mineiros que precisam de medicamentos de alto custo.  

 

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