Falhamos

Falhamos 

Não tem como começar o editorial de hoje de outra forma ou com outro verbo: falhamos. Sim, nós falhamos miseravelmente como seres humanos, como pessoas, como sociedade. Falhamos. Erramos. E erramos feio. Esquecemos da história e dos males que já causamos a nós mesmos e aos outros, e caminhamos, mais uma vez, para cometer os mesmos erros. Nem mesmo as consequências graves dos erros cometidos no passado são capazes de nos parar ou de, minimamente, nos fazer “recalcular a rota”. Nem mesmo uma pandemia catastrófica é suficiente para nos tornar mais humanos, mais empáticos, mais responsáveis. Seguimos, falhando dia após dia, minuto após minuto. O mundo acordou ontem com uma notícia de aniquilar qualquer esperança na humanidade. A Rússia iniciou, ainda na madrugada, uma invasão à Ucrânia, com ataques aéreos em todo o país, incluindo na capital, Kiev, e a entrada de forças terrestres ao norte, leste e sul, segundo os guardas de fronteira ucranianos, que registram suas primeiras perdas. A ofensiva provocou um clamor internacional, ao qual Moscou não deu ouvidos.

A sirene, os ataques, as explosões, as mortes, as pessoas feridas, o povo fugindo, o desespero no olhar de cada um, os gritos, o choro, as vidas inocentes interrompidas precocemente nos fazem ter a certeza de que falhamos. Dois dias depois de reconhecer a independência dos territórios separatistas ucranianos no Donbas, o presidente russo, Vladimir Putin, alegando "defendê-los" contra a agressão ucraniana, lançou a invasão. Quem estudou história sabe muito bem que tudo isso é bem familiar. A sirene em Kiev não tocava desde a Segunda Guerra Mundial. Angústia. Desespero. Desesperança. Talvez essas sejam as palavras mais apropriadas para definir o atual cenário. Uma guerra dentro de outra guerra. A humanidade enfrentando um inimigo invisível e o que há de mais sombrio em um ser humano: seus demônios e a sede pelo poder. 

Ainda não é possível mensurar o impacto que esses ataques trarão para o Brasil. Mas já se pode, sem sombra de dúvidas, afirmar que este cenário traz à tona toda podridão que um ser humano pode carregar dentro de si. É repetir a história, já sabendo das possíveis consequências e dos impactos que essa decisão trará ao mundo. Para quem não sabe, esse é o maior ataque de um país europeu contra outro do mesmo continente desde a Segunda Guerra. Os fatos históricos impressionam, sim! Mas o que impressiona mais é a capacidade humana de causar mal, de destruir, de causar dor, sofrimento, de matar inocentes e trazer desesperança. Ontem, aquela teoria de que com a pandemia da covid-19 os seres humanos seriam mais empáticos caiu completamente por terra. Nós não aprendemos nem mesmo na dor. Continuaremos a falhar e fazer mal. Falhamos como sociedade, como seres humanos. Vivemos em uma hipocrisia sem fim. Aliás, somos feitos de hipocrisia. Só conseguimos fazer o bem quando ele de alguma forma nos beneficia. Do contrário, seguimos o nosso caminho falhando e provocando dor.

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