Estou de férias e só quero falar de amor

Flávia Moreira

‘Arisco, mergulhando na floresta. Julguei o seu humor pelo meu próprio. As almas cismarentas andam sós. Deixei-o em paz, com a mente apaziguada. De bom grado evitei quem me evitara’. 

(Shakespeare)

É preciso ter esse cuidado na vida. Muitas vezes não é o que a gente fala e nem como a gente fala, mas o momento em que se fala. Gosto dessa frase: “De bom grado evitei quem me evita”. Saber esperar, saber se resguardar. 

Há pessoas que possuem tão negro humor, promete algo infeliz. Mas você sabia que o bom conselho arranca o mal pela raiz? A raiz de algo infeliz. Um bom conselho ao coração aberto muda a vida. Salomão fala sobre isso, que na multidão de conselhos há harmonia, há segurança. O bom conselho pode abdicar de um caminho mal. Pode mudar o destino. Bons conselhos demandam de bons conselheiros. Mas é necessário diferenciar entre bom conselheiro e apoiador. O bom conselho pode ir contra os seus desejos, diverge da sua vontade. A sabedoria está no conselho e não no apoio, na concordância. Há um ditado que diz: “Calma no andar, pois quem tropeça não chega”. A velocidade deve ser adequada ao momento. As pessoas confundem ousadia com imprudência. Ousadia é correr determinado risco de forma pensada. Imprudência sem medir consequências, fazer o que quer. É bom ser ousado, mas é essencial ser prudente. Por quê digo isso? Porque a vida encarrega os acontecimentos de forma que externa o que realmente há dentro de nós. Em razão DE UM FATO que ocorreu na semana que passou, posso replicar o que Romeu do romance Romeu e Julieta disse:  “Amor ê fumo aceso em ventos suspirantes. Se satisfeito brilha um fogo entre amantes. Negado, vira um mar de dor e todo pranto. E o que mais é o amor? Discreta insanidade. É véu que engaja o peito, é doce habilidade’’. Resumo o que Romeu descreve como a faceta do que é o amor correspondido e o amor não correspondido. São coisas afetas ao coração. Toda pessoa é sem comparação. Não é possível colocar o mesmo peso em ambos pratos.  Acho que me inspirei vendo o amor nos olhos daquele que nunca deixei de amar. O tempo foi bálsamo, o amadurecimento também, é que a vida nos compele mudar. Falo o contrário do que repliquei, pois foi nesse amor que me inspirei. Mas a verdade é que quando você não muda de ambiente, você acredita que aquela pessoa é única no mundo. Eu disse isso a minha primogênita nessa semana. O ser humano precisa dar a chance de conhecer mais pessoas, outras belezas, outros encantos para torná-la única naquele mundo. Vi nos olhos da minha jovem menina que o amor do jovem mora no capricho do olhar. 

“Os jovens amam com os olhos, não com o coração” (Frei Lourenço). Mas com minha experiência, afirmo a quem quiser ouvir, se você quer ser feliz, afaste do homem inconstante. 

Há uma passagem na história de Romeu e Julieta em que ela diz a sua ama: 

‘O meu único ódio, o amor levanta e arde, precocemente visto e conhecido da arte. É um prodígio esse amor que nasce conturbado, pois devo agora amar quem me é mais detestado ’ 

Em quatro versos, Julieta narra o encontro dela com Romeu. A verdade é que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Uma pessoa ama a outra, não o título que ela carrega, a origem que ela tem, a família a quem ela pertence. É uma pessoa amando outra pessoa. 

Quem não sofreu, debocha de quem chora (Romeu).

O que tem o direito com o amor? O direito só é possível por meio da existência da relação entre as pessoas. O amor ou a perda dele é o único capaz de nortear as lides. O direito vive de abdicações, de reivindicações. O direito é a lei do que rege a alma, portanto, termino o texto exclamando em voz alta:

A vida tem pressa, o tempo urge, o amor perdoa e rechaça o tempo de espera. Portanto, vire a esquina e veja o que a vida lhe reserva!  

 

 

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