Especialista explica causas de tremores de terra em Divinópolis

Cidade registrou mais dois abalos ontem; moradores estão preocupados

Bruno Bueno

Dezenove tremores já foram contabilizados em Divinópolis. Somente ontem, segundo dados do Centro de Sismologia da Universidade São Paulo registrados até o início da tarde, houve dois abalos – sentidos às 9h02 e 12h36. As sismicidades foram contabilizadas com a Escala Richter de 2.4 mR e 2.9 mR, respectivamente.

Especialista em Infraestrutura Sismológica do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), Jackson Calhau explicou, em vídeo divulgado pela Prefeitura de Divinópolis, as possíveis causas dos tremores de terra.

 

Possíveis causas

Conforme o especialista, movimentos, fraturas e falhas na área terrestre podem explicar os fenômenos.

— Normalmente, esses tremores são causados por movimentações e falhas na crosta terrestre. Essas falhas e fraturas estão presentes em todo o território nacional e Divinópolis também deve ter as suas. No caso do município, essa movimentação deve ter acontecido a poucos quilômetros de profundidade. Além disso, o epicentro está muito próximo da cidade — afirmou. 

 

Ele deu mais detalhes sobre os abalos sísmicos registrados na cidade.

— Essa combinação faz com que os tremores, mesmo com magnitudes baixas, sejam mais perceptíveis e assustadores para a população. Tremores de magnitude três não costumam causar grandes estragos. Apenas um estrondo vindo do solo e movimentação de portas, janelas, às vezes até utensílios domésticos e móveis menores — disse.

 

Repercussão

Moradora do bairro Lagoa dos Mandarins, Manoela Souza contou como os tremores de terra aconteceram na sua residência.

— Antes das cinco da manhã houve dois tremores registrados no bairro Lagoa dos Mandarins. Tremeu tudo. Esse pareceu ser mais forte. Quem estuda isso tem que vir ver o que está acontecendo. Falaram que era difícil acontecer de novo, mas praticamente agora todo dia tem. Só pensei em pegar meu filho e sair daqui, estou assustada — afirmou.

 

Raquel Nogueira, que reside no bairro Icaraí, confessou estar com medo dos abalos.

—  Hoje tremeu mais de uma vez na minha casa. Estou ficando com medo desses abalos — disse.

 

Fim de semana

Os abalos sísmicos também foram registrados no fim de semana. O Centro de Sismologia da USP contabilizou, na noite de domingo, mais dois tremores de terra em Divinópolis. De acordo com o instituto, os abalos aconteceram às 4h24 e 7h43. As sismicidades foram contabilizadas com a Escala Richter de 1.6 mR e 1.7 mR.

O Centro de Sismologia da USP se pronunciou, na semana passada, sobre os tremores de terra registrados em Divinópolis. Segundo o Centro, é impossível prever a evolução dos abalos no município, o que sugere que mais tremores podem acontecer.

— Esses tremores são causados pela movimentação em falhas ou fraturas geológicas na crosta terrestre. Infelizmente não há como prever a evolução da sismicidade na região — disse em nota.

 

Registros

Até as 18h de ontem, o Centro de Sismologia da USP havia registrado 19 tremores de terra na região. O mais forte deles, com magnitude de 3.0mR, foi, coincidentemente, o primeiro contabilizado. O tremor aconteceu às 20h13 do último 10. Três dias depois, mais três tremores foram registrados, com magnitudes de 2.8mR, 2.9mR e 1.8mR.

No dia seguinte, a cidade voltou a registrar tremores. No período, foram quatro abalos de sismicidade contabilizada de 2.0mR, 1.6mR, 2.8mR e 2.2mR. Mais oito tremores foram registrados no dia 15. Os abalos foram contabilizados com magnitude de 1.9mR, 1.6mR, 2.4mR, 1.8mR, 2.1mR, 2.4mR e dois de 1.9mR.

 

Providências

O prefeito Gleidson Azevedo (PSC) confirmou ao Agora na semana passada que a Prefeitura já entrou em contato com o Centro de Sismologia em São Paulo, para que profissionais venham à cidade fazer uma avaliação. O objetivo é descobrir o que está por trás desses constantes abalos.   

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