Enfermagem pode entrar em greve nos próximos dias

Sindicato convoca profissionais para assembleia em Divinópolis

 

Bruno Bueno

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que suspendeu, no último domingo, a lei que estabelece o piso salarial da enfermagem pode impactar o serviço de saúde  em Divinópolis nos próximos dias. De acordo com informações do Sindicato Profissional dos Enfermeiros e Empregados em Hospitais (Sindeess), a categoria não descarta entrar em greve caso a situação não seja revista. A informação foi divulgada com exclusividade ao Agora na tarde de ontem. 

Motivos

A reportagem conversou com a presidente do Sindeess, Denísia Aparecida Silva. A profissional destacou que a greve só acontecerá em caso de parecer desfavorável do STF.

— Há essa possibilidade se a situação não for resolvida. Existe a expectativa de uma nova análise ser feita pelo STF entre os dias 9 e 19. Em caso de um parecer desfavorável, iremos votar sobre uma possível greve — explicou.

A representante da categoria destacou a importância da união dos profissionais que exerceram papel fundamental durante a pandemia de covid-19. A cidade tem cerca de 1.500 profissionais da área.

— Os trabalhadores deram seu sangue em plena pandemia. Eles não foram reconhecidos até agora. Tem quase 30 anos que isso tramita para resolver o salário da classe. A categoria está muito inflamada —  pontua.

Números

O piso salarial para a enfermagem concede salários maiores aos profissionais. Denísia considera o valor pago atualmente fora dos padrões da realidade.

— Os enfermeiros que concluem a graduação devem receber o valor de R$ 4.750. O salário dos técnicos de enfermagem tem que ser de R$ 3.325 e dos auxiliares e parteiros, R$ 2.375. Atualmente, o profissional que ganha mais recebe cerca de R$ 2.300. O restante, apenas R$ 1.500 — aponta.

Denísia também explica que os hospitais da cidade não serão prejudicados em caso de greve.

— Não tem como fazer greve geral onde se encontram pacientes doentes. Então iremos fazer uma escala de revezamento para todos participarem. Isso, claro, se a situação não for resolvida — enfatiza.

Enfermagem

Letícia Souza é enfermeira e relata as dificuldades que viveu durante a pandemia na cidade.

— Já teve dia que chorei escondido no trabalho com a dor e a exaustão. Além disso, tem a questão emocional. Era muito difícil. Muita gente com sonhos perdeu a vida repentinamente por essa doença horrível — relata.

A profissional se indigna ao lembrar da valorização do profissional durante o período pandêmico. 

—  Todo mundo estava em casa e a gente lá, trabalhando e salvando vidas. A dor, o medo e a incerteza eram muito grandes. Na época, todo mundo estava com a gente, nos desejando força, mas agora não estão nem aí. É um absurdo — relembra.

Assembleia

O Sindeess realizará uma Assembleia Geral com os trabalhadores da enfermagem para informar as providências que serão tomadas na luta pelo piso salarial. O encontro acontece nos dias 14 e 15 de setembro, às 7h, na Praça do Santuário.  

— Contamos com a participação de todos para que juntos possamos lutar  pelos direitos desses trabalhadores que durante a pandemia agiram como heróis e merecem receber seu reconhecimento — informou o sindicato em nota divulgada à imprensa.

Denísia ressalta a importância da assembleia.

— O sindicato tem que se posicionar. Vamos explicar os trâmites nesta assembleia. O pessoal já quer entrar em greve, mas antes temos que decidir algumas coisas. Convocamos todos os enfermeiros para a assembleia a fim de resolver essa situação. Precisamos decidir o que faremos diante da decisão do STF — concluiu.

Manifestação

Essa não é a primeira ação realizada pela categoria na cidade. Diversos enfermeiros se reuniram na Praça do Santuário no feriado de 7 de Setembro. A classe percorreu as ruas da cidade com faixas e gritos contra o ministro do STF.

A luta da categoria também foi assunto na reunião da Câmara de ontem. Os vereadores demonstraram seu apoio e cobraram soluções do Supremo.

 

Decisão

 

A decisão de Barroso é válida por 60 dias. Neste período, serão analisados os números dos municípios, estados, órgãos, conselhos e entidades da área da saúde sobre o impacto financeiro. Além disso, o ministro argumenta que há risco de demissões.

— É necessário atentar aos eventuais impactos negativos da adoção dos pisos salariais impugnados — justificou.

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