Empresa investigada pela Educação funciona em mansão na Pampulha

Relato é do presidente da CPI, que foi pessoalmente ao local; suspeita é de formação de cartel

 

Matheus Augusto

Chegou. A CPI da Educação recebeu da Prefeitura um disco contendo os documentos das atas aderidas pela Secretaria de Educação (Semed) e alvo de investigação. O prazo para a entrega era até a próxima semana. Durante a reunião de terça, o presidente da comissão, Josafá Anderson (Cidadania), cobrou do Executivo o envio da documentação para agilidade do processo. Horas mais tarde, o disco chegou ao Legislativo. 

— Até considerava mudar as datas das oitivas se não chegassem [os documentos], mas chegaram. A gente viu o prefeito entregando um pacote de documento no Ministério Público (MP) e chegou, ontem, depois da cobrança, um CD que nossa procuradora vai abrir e conferir a documentação — detalhou.

A expectativa é imprimir todo o material para facilitar a análise.

— Não podemos economizar papel, tem que ficar transparente — justificou.

 

Fortes indícios

Uma das principais suspeitas da CPI, para além do superfaturamento de produtos, é a de formação de cartel entre as empresas participantes das atas aderidas pela Prefeitura. Conforme detalhou o Agora em sua última edição, a relatora da comissão, Lohanna França (PV), apresentou aos demais membros uma palinha detalhando a composição societária das empresas, como sócios mútuos e “dono de uma como sócio da outra”. As ligações apontam para uma falsa concorrência entre as fornecedoras. 

À reportagem, Josafá explicou que cada vereador membro da comissão ficou responsável por colher informações de uma empresa. Os resultados das pesquisas iniciais foram apresentados na quarta-feira, em nova reunião. 

Ele contou que foi pessoalmente ao endereço da sede de uma das fornecedoras. O local, na Pampulha, zona nobre de Belo Horizonte, revelou duas mansões. 

— Estive lá e fiquei esperando um momento oportuno  Quando uma funcionária saiu da residência, eu abordei dizendo que procurava a empresa e ela me disse que seu patrão era representante de várias empresas. (...) vamos apurar profundamente essa suspeita de formação de cartel — prometeu. 

Josafá acrescentou, ainda, estranhar "uma mansão ser também representante empresarial". 

 

Avanço

Sobre os próximos passos, o presidente declarou que é necessário aguardar a avaliação dos documentos enviados pela Prefeitura e os desdobramentos das oitivas, que começam na próxima semana. 

— Assim que fizermos a primeira oitiva e analisarmos os documentos, vamos tomar as providências cabíveis — assegurou. 

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