Em meio a discussões, vereadores cobram respeito dentro da Câmara

Parlamentares voltaram a cobrar atitudes do presidente da Câmara e da Corregedoria de Ética

 

Matheus Augusto

Novamente, o comportamento do vereador Diego Espino (PSC) foi duramente criticado pelos colegas. Logo no primeiro discurso da tarde, Ana Paula do Quintino (PSC), do mesmo partido, citou que, na última terça, o vereador usou palavrões em seu pronunciamento. Ela sugeriu que o presidente da Câmara, Eduardo Print Jr (PSDB), e o presidente da Corregedoria da Câmara, o líder do governo Edsom Sousa (Cidadania), conversassem com Espino, pois a atitude afronta o Regimento Interno. 

— Uma das primeiras coisas que eu pedi foi respeito. O público que nos elegeu espera que a gente use a tribuna para trazer informações verdadeiras — argumentou. 

Segundo a vereadora, o desrespeito de determinados parlamentares não pode ser generalizado e estendido aos demais.

Em resposta, Print manifestou compartilhar do pedido por respeito a vereadora. 

— A Câmara tomará as medidas cabíveis contra o vereador — garantiu. 

O presidente da Corregedoria também demonstrou apoio à defesa da “integridade moral”. Ele solicitou à vereadora que apresente um relato formal da denúncia. 

— A Corregedoria de Ética só age quando provocada. (...) Com toda certeza, a comissão será convocada para analisar o caso — assegurou.

O caso voltou à tona quando Lohanna França (PV) interrompeu seu pronunciamento para registrar uma “tentativa de intimidação” de Diego a uma servidora da Casa com ofensa verbal. 

Presidente interino da reunião, dada a ausência temporária de Print, Israel da Farmácia (PDT) confirmou ter ouvido a fala desrespeitosa. 

— Eu ouvi isso e será levado à Corregedoria — afirmou. 

Em seguida, Israel voltou a pedir a Espino que se mantivesse em silêncio para o pronunciamento da vereadora. 

— Ou você respeita ou você se retira do plenário — orientou.

Quando usou a palavra, Diego não se defendeu dos relatos, apenas criticou o projeto de Lohanna que estabelece a Política Municipal de Saúde Integral de para população LGBTQIA+. Em áudio vazado por um microfone próximo, porém, o vereador disse que “o trem vai esquentando tem que ter umas férias porque senão vai sair até no braço. (...) todo mundo de cabeça quente”. A Câmara entra em recesso parlamentar na próxima semana. 

 

Obras

Durante a reunião, Josafá Anderson (Cidadania) mencionou o anúncio da Prefeitura sobre a aplicação dos recursos da Vale. Sobre o tema, ele cobrou fiscalização para garantir a entrega das vias com a qualidade merecida pelos moradores.

— Esperamos uma fiscalização efetiva nessas obras para que não virem obras eleitoreiras, para que não vire aquela correria, esparrama pedra para lá, tira foto daqui, grava vídeo de cá. Que seja uma coisa bem feita, pois é dinheiro público e tem que ser fiscalizado — reforçou.

 

Mobilidade

A cobrança por melhorias no transporte público também se fez presentes nos pronunciamentos. Lohanna reconheceu o pagamento de subsídio como uma prerrogativa legal, mas que, em sua análise do serviço prestado atualmente, não é justo. 

Subsídio para uma empresa que não cumpre contrato é rasgar o dinheiro — avaliou.

Diante da situação, ela informou que formalizará uma solicitação à Mesa Diretora para uma audiência pública para discutir a situação do transporte público em Divinópolis.

Em complemento à fala, Ademir Silva (MDB) acrescentou que a atual Administração perdeu uma “grande oportunidade de avançar no transporte coletivo” ao conceder o subsídio sem a definição de contrapartidas

— Nada foi exigido em troca. (...) o transporte coletivo vai continuar ruim, pois perdemos a oportunidade de sentar com o presidente do consórcio, o secretário da Settrans e estudar um grande avanço, porque a partir do momento que resolveu dar o subsídio poderia ter exigido melhorias no transporte — defendeu.

Outro a abordar o assunto foi Eduardo Azevedo (PSC), que concordou com as críticas aos transporte coletivo, mas apontou a precariedade como uma “herança maldita” das administrações anteriores.

 

Hospital Regional

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Zé Braz (PV), aproveitou seu tempo de fala para detalhar a visita, na última semana, do governador Romeu Zema (Novo) a Divinópolis. Em conversa, o chefe estadual relatou que, apesar das obras dos hospitais regionais de Teófilo Otoni e Governador Valadares terem recomeçado, o de Divinópolis deverá ser entregue antes de ambos, pois está com a conclusão mais avançada e em melhor estado de conservação. 

— Isso, com certeza, desafogará o Complexo de Saúde de São João de Deus, que é o único hospital filantrópico de grande porte de nossa região, que tem a capacidade instalada em alta complexidade — tranquilizou.

 

“Não são coisas, são vidas”

O presidente da Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal, Flávio Marra (Patriota), voltou a compartilhar denúncias de maus tratos na cidade. Os casos, segundo ele, são recorrentes e demanda união entre os poderes para serem solucionados. 

— Onde vamos parar? Quero chamar a atenção do poder público municipal. Está acontecendo demais — questiona. 

Marra afirmou que, atualmente, é um “jogo de empurra” para definir quais órgãos devem ser acionados para resolver casos similares. No mais recente relato, o vereador encontrou dois cachorros que estavam há aproximadamente dez dias sem comida e água, numa residência com sinais de abandono do proprietário. 

O presidente da comissão voltou a argumentar que uma cidade do tamanho de Divinópolis tem a responsabilidade de ter uma estrutura adequada para lidar com o acolhimento e a saúde dos animais vítimas de maus tratos, como uma delegacia especializada e uma UPA Veterinária. Para isso, Marra citou a articulação com o deputado federal Newton Cardoso Jr (MDB) para a destinação de uma emenda de R$ 450 mil para investir na referida área. Por fim, ele cobrou a retomada das feiras de adoção. 

 

Projetos

O pedido por respeito na Câmara continuou durante a votação dos projetos em pauta. Por diversas vezes, o presidente cobrou silêncio no pronunciamento dos edis. Em determinado momento, ele solicitou que o som dos microfones fosse cortado para dar andamento ao encontro.

— Que falta de respeito é essa aqui hoje? O que está acontecendo hoje? — perguntou.

Ana voltou a repetir seu discurso inicial.

— Mais uma vez, volto a falar sobre o respeito. Saiu outro palavrão, aqui não tem respeito — lamentou. 

Os vereadores aprovaram a abertura de três créditos especiais para a Secretaria de Assistência Social (Semas), totalizando pouco mais de R$ 900 mil. Determinados vereadores solicitaram o adiamento da votação da solicitação, por questionamentos sobre a aplicação dos recursos, mas o pedido foi negado pela maioria. 

De um lado, Marra defendia mais tempo para análise da questão. 

— Estou querendo saber o destino do recurso. Agora, quando tem dúvida quer prejudicar a Administração? Parem de vitimismo — justificou.

Do ouro, Israel da Farmácia defendia a aprovação imediata dos três créditos.

— Não podemos travar saúde e assistência — frisou. 

Em seguida, os vereadores também autorizaram o Município a reaver ao seu patrimônio um terreno doado à Associação de Moradores do Bairro das Mangabeiras, em 2007. Como nenhuma edificação foi realizada na área, o lote voltará a ser de propriedade da Administração. Ney Burguer (PSB) informou aos colegas que o intuito é construir um complexo esportivo no local. 

A Câmara autorizou, ainda, a Prefeitura a contratar o empréstimo de R$ 1,5 milhões junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) para a reforma do Museu Histórico, conhecido como o Casarão. O objetivo é viabilizar a revitalização do imóvel. 

Ao debaterem o assunto, Rodrigo Kaboja (PSD) destacou: “A cultura pede socorro”. 

Outros parlamentares reconheceram a importância da reforma e declararam voto favorável ao empréstimo, mas aproveitaram a oportunidade para criticar a postura do prefeito. 

— Tempos atrás, se a gente falasse em empréstimo saía até fogo. Hoje o governo está pedindo empréstimo e todo mundo está caladinho. (...) o museu é muito importante para que a nossa cidade seja reconhecida como turística, por isso, vou votar a favor — anunciou Ademir Silva (MDB).

Lohanna acrescentou que a Prefeitura pagará cerca de R$ 1 mi de juros até 2028. Para ela, a gestão municipal poderia ter utilizado, por exemplo, parte do recurso da Vale para financiar a reforma e evitar o pagamento de juros.

— Havia recursos livres para investimento na Prefeitura, sem juros. (...) língua é o chicote do homem. O atual prefeito está fazendo uma dívida para o próximo pagar — citou.

A última proposição aprovada trata da readequação de outra proposição, votada em 2019. Josafá (Cidadania) explicou que, na época, um terreno no “trevão” do Icaraí estava sendo transferido para o Estado sem contrapartidas. No referido período, articulou-se três obras: intervenção na rua Maria Pinto, água pluvial da avenida JK e R$ 800 mil para o encabeçamento do Complexo da Ferradura. O texto agora será readequado por solicitação da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra).

— Será aperfeiçoado. (...) do jeito que estava, iria atrasar mais ainda o processo de início das obras — encerrou Josafá.

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