Do viagra, do botox e da prótese peniana

CREPÚSCULO DA LEI – Ano IV – LXXIV



DO VIAGRA, DO BOTOX E DA PRÓTESE PENIANA

As forças armadas do Brasil estão repletas de oficiais e praças íntegros, corretos e de elevado senso de patriotismo. É a imensa maioria. Daí a pergunta: por que pouco mais de uma dúzia de escrotos corruptos (boa parte deles mencionados e indiciados na CPI da Covid) se dão ao espúrio trabalho de humilhar a obra de tantos grandes heróis nacionais?

Aliás, tais salafrários são dotados de uma parafilia qualquer que nem se enrubescem ao coro sarcástico (seria escárnio?) da vergonha (também) para Bezerra da Silva e para os “Originais do Samba” quando (tentam) cantar “Se Gritar Pega Centrão...”. Certamente Deodoro e Floriano estão se revirando em seus túmulos.

Afinal, o que querem essas pessoas de farda com a questionável aquisição de Viagra? Afinal, foram adquiridos 35 mil comprimidos com dinheiro público. Será alguma disfunção erétil em massa?

Sob tal episódio, o vice-presidente (?) alegou assim: “Eu não posso usar o meu viagra, pô (sic)? O que são 35 mil comprimidos para 110 mil velhinhos? Não é nada”.

Interessante nesse caso é que o diálogo com a Pfizer (a mesma da CPI das vacinas contra covid) fluiu sem nenhuma “moleza” (o trocadilho é inevitável). Tudo foi muito rápido. 

Igualmente, ninguém questionou – nem mesmo a capitã “cloroquina” – sobre os efeitos colaterais da sildenafila (princípio ativo da pílula azul) e a possibilidade de alguns dos “velhinhos” se transformarem “em jacarés”.

E quanto aos 546 mil para a compra de “botox” (toxina botulínica)? 

Ora, esses “velhinhos” são mesmo danados. Seria agora, lembrando Proust, uma nova versão de “Em Busca do tempo Perdido”? 

A alegação do Exército é que a toxina “botox” pode ser administrada para algumas patologias neurológicas (...). Ninguém – da mesma forma – questionou eventuais efeitos colaterais dessa possibilidade. Nem a “capitã cloroquina”.

  Como se não bastasse, eis que o Exército também gastou cerca de R$ 3,5 milhões para a aquisição de 60 próteses penianas infláveis. Diversos parlamentares questionaram a compra, enquanto a pessoa que ainda ocupa a presidência alegou o seguinte: “Às vezes o cara (sic) faz uma cirurgia de próstata e fica com disfunção erétil? Por que não dar uma prótese para ele?”.

(Novamente a questão da disfunção erétil)

Nessa lógica de aquisições, dá até medo de pensar nas próximas (...).

Pode-se imaginar o que as tropas estrangeiras estariam falando do Exército Brasileiro em face de tais disparates? Dá para imaginar soldados russos, no Front contra Ucrânia, debochando da força verde-oliva nacional graças a poucos inglórios canalhas da farda?

“Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!” é a famosa frase de Ricardo III em combate, conforme Shakespeare. Não seria ridicularizante ouvir de intrépidos algo como “Minha prótese! Minha prótese! Meu pijama por uma prótese!”... Eis o que alguns podem provocar em desfavor de uma maioria de brilhantes guardiões.

Nesse contexto, uma observação necessária: o silêncio da pastora ministra de Direitos Humanos, tão perspicaz em buscar simbologias homofóbicas em quaisquer desenhos ou filmes infantis (até mesmo em “Frozen”). Ela permanece calada, assim como calada se manteve (também) no caso de pedofilia envolvendo o notório vereador militar do Rio de Janeiro.

Aliás, nem tão calada ficou a ministra(?). Ela se manifestou veementemente CONTRA a distribuição de absorventes para mulheres financeiramente necessitadas. Eis a síntese do que os comandados pela pessoa que ainda ocupa a presidência pensa sobre Direitos Humanos.

Resta ainda aludir à trilogia de Kieslowski quanto à possibilidade de uma nova película “A Vergonha é Verde”, bem como bradar feito o combatente desesperado: “Uma eleição! Uma eleição! Meu voto por uma eleição!” (Não confundir “eleição” com “ereção”).

 

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