Do mesmo jeito

Do mesmo jeito 

Havia uma certa esperança por parte de quem acompanha os trabalhos na Câmara de que os vereadores voltassem às reuniões em 2022 pelo menos mais calmos, visto que educação, para alguns, passa longe. Mas, a depender do cenário deplorável visto no encontro da última quinta-feira, isso está bem longe de acontecer. Mais uma vez os ataques pessoais sobressaíram em um espaço feito para se debater o bem comum de todos, deixando de lado o respeito às regras de etiqueta para comportamento em público e, principalmente, as normas do Regimento Interno.  Ao atacar um colega de forma tão desrespeitosa, o vereador rasga as cláusulas que regem a Casa e sapateia em cima delas ou, no mínimo, confirma que não tem o mínimo de conhecimento sobre tais. Aquilo ali, visto em Plenário, pode ser tudo, menos uma reunião de Câmara. Além disso, credencia ainda mais a atual legislatura para ser uma das piores da história de Divinópolis, isso se não for a pior. 

Carreira política

Em um dos ataques vergonhosos da tarde, Diego Espino (PSL) sugeriu que Lohanna França (CDN) cobra ações do Executivo pensando em se candidatar na eleição deste ano. E foi mais longe: “Daqui uns dias todo mundo vai entender por que fica nessa bateção. A intenção não é ajudar Divinópolis, é fazer carreira política”, enfatizou. Se for isso mesmo, então, a população da cidade está perdida. Até onde se sabe, os bastidores políticos dão conta de que pelo menos quatro dos atuais vereadores vão sair candidatos, e três estão no primeiro mandato. Entre eles, o próprio Espino. Isso não somente pelas aparições demasiadas nas redes sociais e comportamentos hostis, como o de quinta, mas informação de fonte segura.  É assim que funciona? Eu posso e o outro não? Infelizmente, o que se vê na política hoje é que “cada um luta com as armas que tem”, ou seja, um critica, outro puxa saco. O certo é que no Plenário não é lugar de “lavar roupa suja” e nem de apontar e detonar comportamento do colega, sendo que se age do mesmo jeito ou pior. Isso não é papel de vereador, aliás, é notório ali que o que menos se sabe é qual é a função do vereador. 

Passou dos limites 

Ao dizer que se sente envergonhado pelo fato de a população assistir esse tipo de comportamento, Zé Braz (PV) está coberto de razão. Não foi para destilar discurso do ódio e proferir palavrões em pleno andamento de reunião que os 17 vereadores foram escolhidos, salve-se suas exceções. Clima pesado sem produtividade, atitudes desnecessárias, enquanto a Saúde e tantos outros setores pedem socorro. Postura amadora de pessoas irresponsáveis que não têm outro pensamento a não ser nelas próprias. Passou de todos os limites. O que passou da hora também é uma postura mais firme da Mesa Diretora e da Comissão de Ética da Casa. Afinal, vocês não passam vergonha sozinhos, uma cidade inteira está à mercê desse espetáculo horroroso que pode trazer consequências sem precedentes.

Mais ação 

Chegou-se a um ponto nesta legislatura que poucos têm moral para falar algo de alguém lá dentro. O que está precisando mesmo, agora, é menos dedos apontados e mais ação. Falação desenfreada, gritos e ofensas não significam trabalho. Falar bobagem, antes de não fazer uso da palavra na tribuna. Como dizem os mais velhos, “boca fechada não entra mosca”. Mas, aberta por quem não sabe nem o que está falando, costuma passar até um e elefante. Não pense que gravar vídeos aleatórios e falar asneira até bufar significa trabalho e produtividade. Não! Melhor fazer igual Wesley Jarbas, por exemplo, quase não discursa, porque não basta aparecer. É preciso ter conhecimento de causa, jogo de cintura e humildade para aceitar críticas e, em especial, sensatez. O melhor a se fazer é calçar a sandália da humildade, arregaçar as mangas e representar de forma digna a população. Afinal, não foi para isso que foram eleitos? Verdade, foi. Mas falta alguém avisar isso para eles. 

 

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