Dever de casa

Dever de casa 

A corrida para conquistar um lugar no poder já começou - e está a todo vapor. Os pré-candidatos correm atrás do seu eleitorado. E, na briga pela ascensão eleitoral, vale tudo! Valeu mudar de partido, de aliados, de posicionamentos; vale começar os ataques, as informações falsas e a passar pano para atitudes que são, no mínimo, questionáveis. Foi dada a largada, e cada um, a seu modo, começa a construir a já conhecida “jornada do herói”, que nada mais é do que transformar aquele candidato em um sobrevivente do sistema político brasileiro. Um sobrevivente do caos, da pobreza, da falta de acesso à educação. Para quem acompanha a política mais de perto, é fácil detectar essas histórias. Quem não se interessa pelo assunto além de não conseguir notar a narrativa, ainda acredita piamente nos discursos feitos e nas histórias montadas. 

Em breve, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) divulgam o perfil dos eleitores: idade, raça, sexo, escolaridade, e renda. E, apesar de muita gente pensar que são apenas dados aleatórios, é justamente nesse ponto que se enganam. Quem é o eleitor brasileiro e, principalmente, o seu grau de escolaridade influencia diretamente no que esperar nas urnas e nos próximos quatro anos. Por aqui, em Divinópolis, o povo já vê os “velhos de guerra” tentando voltar ao poder. “Velhos de guerra” até já bem estabilizados na vida, mas que ao, que tudo indica, querem apenas o poder, pois estiveram lá durante anos e pouco fizeram pela cidade ou pelo país. A grande questão aqui é que neste ano aconteceu um fenômeno no Brasil: jovens de 15 a 18 anos estão mais interessados em política, em quem vai representá-los nos Poderes Executivo e Legislativo nos próximos quatro anos. E esse movimento pode ser extremamente importante para o país. 

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil ganhou, no mês de março, mais 445.553 novos eleitores entre 15 e 18 anos. Entre a juventude, a procura pelo primeiro título foi maior na faixa etária de eleitores com 17 anos: foram 158.947 novos documentos concedidos no mês passado. Os dados apresentados pelo TSE trazem um pouco de esperança, afinal, é só olhar o preço dos alimentos, da gasolina, da luz, a situação do Brasil em geral para constatar que os atuais eleitores não estão sabendo escolher muito bem seus representantes. Com uma inflação de 10,06% - fechada em 2021 -, está mais do que provado que algo definitivamente não está dando certo. A esperança, vendo essa busca dos jovens pelo primeiro título de eleitor, está na possível renovação da política brasileira – apesar de saber que muitos “velhos de guerra” serão reeleitos e eleitos. Os divinopolitanos bem sabem que renovação nem sempre é sinônimo de desenvolvimento, mas diante do atual cenário brasileiro, voltar com alguns para o poder, ou permanecer com outros, não é uma boa saída. 

O desejo é que esses jovens façam o dever de casa que todo eleitor deve fazer. Busquem informações, pesquisem os discursos e não caiam na primeira história bonita bem contada. E entendam que política nada mais é do que pontes. Pontes de acesso ao desenvolvimento, à educação, à saúde, e não apenas algo distante. Política é o nosso cotidiano.

 

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