Desobrigação do uso de máscara divide opiniões

Medida já está em vigor; infectologista afirma que ainda não é o momento

 

Da Redação

Divinópolis começa a semana encerrando parcialmente o ciclo de enfrentamento à covid-19: a desobrigação do uso de máscara em locais abertos. A decisão, justifica a Prefeitura, tem como base três fatores: a queda dos indicadores, o estágio avançado do processo de vacinação e o fim do estado de calamidade pública, estabelecido em março de 2020.

— Fica afastada a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção facial no âmbito do território do Município em ambientes abertos, passando a ser opcional tal uso nessas condições, a juízo de cada indivíduo, recomendado o distanciamento e a adoção das demais medidas de proteção individual contra a covid-19 — determina o decreto.

No entanto, há uma exceção: o uso continua obrigatório para pessoas com sintomas gripais.

— Mantém-se a obrigatoriedade do uso da máscara nas condições do caput em caso de indivíduo com sintomas de síndrome gripal ou manifestação de Síndrome Respiratória Aguda Grave, na forma de regulamento federal — ressalta.

Em locais fechados, a proteção facial segue obrigatória.

 

Divisão

Após o anúncio, o Agora realizou uma enquete no Instagram: 60% (242 votos) expressaram ser contra a decisão; já 40% (163) apoiaram a decisão. Nos comentários, a divisão se confirma. De um lado, pessoas argumentam que ainda continuarão usando a  máscara e questionam se o momento para a decisão é o ideal.

Por via das dúvidas, continuo com a minha, só tiro em casa — respondeu um internauta. 

“Cada um é (in)responsável pelas suas escolhas. Eu e minha família continuamos usando máscaras”, acrescentou outro. 

Outros comentários perguntam “se a pandemia acabou” e classificam a decisão do poder público como irresponsável. Alguns argumentam, inclusive, que a determinação é política, e não sanitária. 

— Decisão política acerca de uma questão que envolve saúde pública. 

Houve também quem celebrasse a decisão, citando a importância de cada um decidir se usa ou não. 

— Nem acredito!!! Graças a Deus. Já não aguentava mais isso — comentou uma internauta na publicação do Agora

Favoráveis à decisão também dizem que “já passou da hora” e cobram novas flexibilizações.

— Rezando para tirar as máscaras das crianças nas escolas.

Vários cidadãos também apontaram para o fato de que a decisão não mudará tanto a rotina, visto que muitos já circulam pela cidade sem máscara. 

— Eu vou continuar usando, porém este decreto não vai fazer muita diferença, pois quase ninguém está usando máscara nas ruas mesmo.

 

Precipitada?

Quem também comentou foi a infectologista Rosângela Guedes. Segundo a médica, a proteção facial ainda é fundamental no atual momento da pandemia.

— Considerando nossa taxa de incidência, ainda não podemos abandonar as máscaras. Que o bom senso prevaleça! — frisou.

A infectologista apontou para indicadores que servem como alerta para a situação.

— Eu gostaria muito de entender por que Divinópolis agora tem uso opcional de máscara em locais abertos. Nos últimos 14 dias, tivemos 2.854 casos notificados de síndrome respiratória, 223 casos confirmados de covid, sendo que apenas 226 exames foram realizados desses pacientes notificados, o que confere uma positividade acima de 98% (...). nossa taxa de incidência de covid nos últimos 14 dias ainda é acima de 90 casos para 100 mil habitantes. Ainda não é hora de deixarmos as máscaras — acrescentou.

 

Minas

O governo de Minas sinalizou no fim do ano passado a possibilidade de desobrigar o uso de máscara em ambientes abertos. Devido à chegada da variante ômicron, no entanto, a discussão foi suspensa. Na época, o secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, argumentava que a determinação viria do próprio governo, com a permissão sendo válida apenas para os municípios que alcançaram índices mínimos de vacinação. 

Agora, a expectativa é que o Estado anuncie, nesta semana, a determinação para todo o território mineiro.

 

Melhora e piora

No primeiro dia com a medida em vigor, na sexta-feira, 4, a ocupação hospitalar dos leitos de enfermaria para covid-19 registrou o menor índice desde 27 de dezembro com 13 pacientes internados entre os 71 leitos disponíveis, o que representa 18,31%. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a ocupação era de 34,15%, com 14 internados em 41 leitos.

As internações, ontem, em CTI e enfermaria estavam, respectivamente, em 24,39% e 10,72%.

Apesar da queda da ocupação, fevereiro ainda foi um mês pior que janeiro, conforme relatório divulgado pela Semusa. Com três dias a menos que o mês anterior, fevereiro registrou 273 casos a mais, totalizando 2.987 confirmações. 

— Em relação a óbitos, neste período [fevereiro] foram contabilizados 23 no município, oito a mais que no último mês [janeiro], que registrou 15. Vinte dessas pessoas se encontravam na faixa etária acima dos 60 anos, pertencentes ao grupo de risco, possuindo alguma comorbidade e com média de oito dias de internação — informou.

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