Desobrigação do uso de máscara deve ficar para 2022, indica Zema

Medida estava prevista para entrar em vigor neste mês

 

Da Redação

Já são três casos da nova variante Ômicron confirmados no Brasil, todos em São Paulo. A preocupação, no entanto, é nacional. Estados e municípios já começam a avaliar a adoção de novas restrições contra o aumento na disseminação da covid-19, especialmente no momento de desmobilização dos leitos. O Carnaval, que antes parecia quase certo, começa a virar incógnita. 

 

Casos

O laboratório Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, confirmou o terceiro caso da nova variante Ômicron no Brasil, todos no estado paulista. O caso trata-se de um homem, brasileiro, de 29 anos, que chegou da Etiópia no último sábado, 27, no aeroporto de Guarulhos. Segundo o governo, ele já havia tomado duas doses de Pfizer. Nos dois primeiros casos, um homem, 41, e uma mulher, 37, chegaram da África do Sul para SP. Em informações atualizadas ontem, o casal tomou o imunizante da Janssen no continente africano.

 

Preocupação

Apesar de todos os casos confirmados serem de SP, a preocupação já chegou a Minas Gerais. Uma pessoa está internada em Belo Horizonte, com suspeita da doença.  Em  evento na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) na capital mineira, o governador Romeu Zema (Novo) declarou que acompanha o avanço da variante no país. Ele disse que não hesitará ser for preciso voltar a impor restrições no estado caso haja piora dos índices de contaminação no estado. 

O secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Bacchereti, comentou, em diversas coletivas nas últimas semanas, que um dos próximos passos de flexibilização em Minas era o retorno total das escolas e a desobrigação do uso de máscara no primeiro momento, apenas em locais abertos. Com a identificação da nova variante, tais medidas, previstas ainda para o fim deste ano, devem ficar para o próximo ano.

Zema, que tem se mantido discreto quanto à discussão do Carnaval de 2022, afirmou que uma decisão concreta deverá ser tomada apenas no começo do ano, quando a Saúde analisará o cenário epidemiológico no estado. Ele adiantou, no entanto, ser favorável à limitação da folia: 

— Ninguém morrerá por ficar sem a festa — justificou.

Em Minas Gerais ainda não há casos confirmados, mas uma mulher, 33, que chegou do Congo, na África, na segunda-feira, 29, teve amostras coletadas para análise. Ela está internada no Hospital Eduardo de Menezes. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, ela não se vacinou contra a covid-19. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) deve entregar os resultados do sequenciamento amanhã.

 

Muitas ideias, nenhuma decisão

Apesar de o Estado ainda não ter anunciado nenhuma medida de restrição, diversas cidades já têm se adiantado ao perigo. O prefeito Alexandre Kalil (PSD) já sinalizou que a Prefeitura não promoverá nem Réveillon nem Carnaval. Anteriormente, ele já havia dito que, apesar da não realização do evento, não pode impedir ninguém de sair de casa. 

O deputado Cleitinho Azevedo (CDN) diz que o Carnaval é uma importante data para movimentar a economia através da geração de renda e emprego. Nesse sentido, ele defendeu que o mesmo se aplica ao comércio, responsável por ser o "ganha pão" de muitas famílias. 

— É hipocrisia dizer que a festa pode acontecer e depois fechar estabelecimentos que recebem um número muito menor de pessoas se comparados a um bloco de Carnaval — afirma Cleitinho.

No vídeo, ele ainda desafia prefeitos e governadores a não fecharem o comércio após o fim da festa, em referência ao possível aumento de casos pela aglomeração.

Como argumento, o parlamentar cita que, em 2019, aproximadamente 5 milhões de mineiros participaram da folia. 

—  Dificilmente um estabelecimento comercial tem mais do que duas ou três pessoas ao mesmo tempo fazendo suas compras, o que mostra uma grande ironia em se impedir o trabalhador de buscar seu sustento, mas deixar que se aglomere nas ruas para participar de uma festa —  reforçou a assessoria do deputado.

Uma das sugestões do deputado para driblar a pandemia é postergar a data, e celebrar o Carnaval em junho.

Em Divinópolis, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) também anunciou que o Pré-Carnaval 2022 não será organizado pela Prefeitura. Outros eventos de celebração à data, desde que comunicados à Vigilância Sanitária e dentro dos decretos da pandemia em vigor, serão permitidos. Conforme mostrou reportagem do Agora na última semana, membros de blocos tradicionais na cidade disseram que não foram consultados antes da decisão e lamentaram o posicionamento do chefe do Executivo, dada a importância da data para movimentar a economia local. 

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