Desafio e acusação

Desafio e acusação

A CPI instaurada na Câmara para investigar compras de materiais feitas pela Secretaria de Educação promete novos capítulos nesta semana. Na última, teve desdobramentos e, principalmente, muita polêmica. Em um deles, até a Polícia Militar foi chamada para registrar BO – como se não tivesse coisa muito mais importante para fazer, em vez de resolver “picuinha política”. E não parou por aí: o prefeito Gleidson Azevedo, ao lado da vice Janete Aparecida, do seu líder na Câmara, Edson Sousa e outros integrantes do Executivo, gravou um vídeo desafiando a comissão. Mas, foi além: afirmou que os vereadores deveriam fazer CPI é da rachadinha e do zoneamento. Onde isso vai parar, ainda é incerto. Mas, que está ridículo e é uma vergonha para a cidade, isso é fato.   

Muito negativo 

Os tempos em que Divinópolis era tida como cidade referência em vários aspectos e foi destaque de forma positiva na imprensa até no país parecem mesmo ter ficado no passado. O que se vê nos últimos anos são espetáculos em cima de espetáculos, cada um pior do que outro. Se falta representante suficiente para trazer benefícios e colocar a Cidade do Divino no patamar que ela merece, sobram comportamentos bizarros de políticos locais que mancham a imagem da principal referência do Centro-Oeste. Qual empresa ou outro empreendimento conhecido no mercado quer se instalar em uma cidade onde o Executivo e o Legislativo vivem às turras? Se não há respeito e, em especial, harmonia entre os poderes, qual a chance de desenvolvimento econômico ou qualquer outra situação que traga benefícios ao povo dar certo? 

Passa nem perto

Edsom Sousa foi quem apelidou a Câmara de “Hollywood divinopolitana”. E não está errado de jeito nenhum. Mas, na semana passada, ele próprio esteve no meio de um roteiro que, no “fritar dos ovos”, está totalmente dentro desse contexto. Rodyson do Zé Milton, em seu discurso na semana passada, falou o mesmo. No entanto, quem dera passasse pelo menos perto da pior produção que seja, protagonizada no principal cenário de filmes do mundo. O visto na Câmara, nos últimos meses, está mais para algo bem amador feito no México ou na Colômbia, longe de menosprezar esses dois países, apenas a título de comparação. Porém, aqueles que têm uns personagens mais nada a ver, que protagonizam cenas de um passando a perna na outro, discussões usando palavras de baixo calão e tapinhas nas costas com segundas intenções e altas traições. E, antes que alguém diga que a coluna pegou pesado, é exatamente isso que parte dos eleitos no Legislativo divinopolitano faz, aliás, outros políticos da cidade também. É para rir ou para chorar?

 

Um desastre

Aliás, não se restringe a Divinópolis, esse é o nível da política no Brasil. Uma catástrofe. A inércia do poder público em atuar nas políticas de organização e a omissão do povo em participar são os responsáveis por resultados tão pífios. É para ontem a participação da sociedade nas decisões governamentais, mas, para isso, é preciso o fortalecimento na base, com um trabalho envolvendo entidades, associações de moradores, sindicatos, mas em prol da maioria, não para fazer politicagem, como se vê hoje, na maioria desses poderes representativos, infelizmente. Mas não dá para esperar mais, continuar de braços cruzados e dormindo em berço esplêndido, enquanto o pau quebra. O resultado começa a aparecer logo que terminam as eleições. Aí não adianta ir para trás de uma tela reclamar e mostrar valentia, sendo que na hora de agir se acovardou.

Processo lento

Acredite se quiser, mas o Brasil é o único país do mundo que é federativo, onde os três níveis de competência são autônomos. Isso cria a obrigatoriedade de negociação entre as instâncias federativas, havendo disputas entre elas tanto no plano político-eleitoral quanto na autonomia administrativa e financeira. O resultado é a lerdeza do processo de decisão e, principalmente, pouca eficiência na implementação de políticas de interesse geral. Do jeitinho que os políticos gostam. Deitam e rolam e ainda riem da cara do povo. 

 

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