Da miséria como investimento

O grande investimento, a verdadeira “mais valia” política, é a alienação. Da mesma forma, a miséria é uma mercadoria valiosa. A miséria tem uma rentabilidade e uma liquidez acima de qualquer outra movimentação financeira. É lucro certo, imediato, permanente. Tudo caminha para que existam ações na bolsa para compra e venda de blocos de miséria. Entenda-se.

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O maior nome da filosofia política romana seja Marco Antônio Cícero (106 – 43 a, C.), patrono universal dos advogados. Deve-se a Cícero a obra De Re Pública, a qual fundamenta a política em preceitos estoicos, ou seja, amparados na ordem da natureza e da qual se tira inspiração para a razão e para a linguagem.

Neste sentido, somente pela linguagem os homens conversam, dialogam e documentam a República. Esta por sua vez segue as premissas da razão, em cujas linhas a história é conferida e percebida nas virtudes para que a natureza humana acompanhe a natureza que a criou.

Ora, é aí que entra a alienação política atuando para impedir o acompanhamento racional da natureza e produzir miséria. É preciso alienar para produzir a aberração da miserabilidade, essa desgraça antinatural, irracional e lucrativa. 

É pela alienação e pela ignorância política que se traz grandes alegrias na miséria para os alienados. É uma embriaguez feliz e evasiva.

Alienados se tornam tão imensamente festivos que chegam ao ponto de elegerem seus próprios algozes, sem qualquer responsabilidade. Em compensação a alienação política paga juros, correção, dividendos e todas as taxas de rentabilidade possíveis aos investidores.

Os carrascos investidores continuam ad perpetuam no poder, além de trazerem com eles os filhos, os netos, os irmãos, primos e tudo mais que lhes circunda.

A ignorância política funciona assim: um dos responsáveis pelo genocídio pandêmico era ministro da saúde, e foi eleito deputado federal; um dos responsáveis pelo desmatamento criminoso contra a Amazônia era ministro do meio ambiente, e foi eleito deputado federal; uma das responsáveis pelos massacres contra indígenas, contra a liberdade de religião e contra a dignidade humana era ministra dos direitos humanos, e foi eleita senadora.

E assim: o pseudo juiz perseguidor, inquisitorial e mal intencionado que praticou barbaridades na organização criminosa lavajatista: foi eleito senador

Na mesma esteira irracional: o grande chefe de todas essas pessoas, responsável direto por fome, desemprego, inflação, perseguições, mortes, formação de milícia, corrupção sistêmica e mentira como idioma de cotidiano: está para ser reeleito. Ou seja, quer distribuir mais quatro anos de fome, desemprego, inflação, perseguições, mortes, formação de milícia, corrupção sistêmica e mentira como idioma de cotidiano.

A alienação política distribui mentiras solenes e gratuitas, funcionando como mecanismo letárgico, sedante. A mentira ajuda na negação aos malefícios presentes e reais como carestia, desemprego, dificuldades de viver, ter saúde, estudar, locomover e se aposentar.

Seguramente pode-se conceber a existência de um banco virtual da miséria geral, um ministério e talvez uma universidade federal da miséria. Religião já tem. Afinal, é uma produção contínua, ininterrupta, difícil e meticulosa. Mas o lucro é certo. Vale a pena.

 

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