Custo da produção aumenta e clientes pagam mais pela cerveja

Novos aumentos são esperados para os próximos dias

 

Jorge Guimarães

A bebida alcoólica mais consumida pelos brasileiros, a cerveja, teve em 2021 a maior alta de preços no país em sete anos. A inflação oficial da cerveja, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já comprova a elevação dos valores nos últimos 12 meses: a cerveja para consumo em casa ficou 9,4% mais cara e, para consumo em bares e restaurantes, 5,22%, segundo os dados de maio último.  

Uma das altas relativas, neste ano, é a cevada e o malte, que ficaram mais caros devido à guerra da Ucrânia. A elevação no preço do frete e a alta do diesel também foram pontos determinantes agregados na alta dos preços.

— O custo de produção ficou mais elevado neste ano. Energia elétrica, combustíveis e mão de obra foram fatores determinantes para as altas nos preços, não só da cerveja, mas em toda uma cadeia alimentícia. Eu, no meu caso, tento repassar o mínimo possível aos meus clientes — explicou o empresário, Renato Dias.

 

Mercado

A reportagem fez levantamentos e verificou que as variações de preços são bem distintas e mudam em função da localização do bar e da tradição. Independentemente do valor e qualidade da oferta em toda a cidade, a média de todos os preços aumentou. Como em um tradicional restaurante no Centro da cidade, que tem em sua linha de cervejas, uma variedade de marcas, nacionais, importadas e artesanais.

— Temos um mix variado de cervejas para melhor atender nossos clientes, mas as altas dos últimos dias, entre 5 e 10%,  aliadas às baixas temperaturas, fizeram com que o vinho ganhasse a preferência neste início de inverno — avaliou o sócio-proprietário, Rolando Meneses.

Em outro estabelecimento, também na área Central, o preço da Heineken de 600 ml é vendido por R$ 16. As outras marcas, entre Skol, Brahma, Petra, Boa, Stella Artois e Original, todas também de 600 ml, variam entre R$ 9 a R$ 12.

— Os aumentos vêm aos poucos e eu seguro o máximo para não repassar de uma vez. Mas tem alguns que vem mais alto, aí não dá mesmo para segurar — relatou o gerente Mário Lúcio Souza.

 

Já em um bar tradicional de bairro, onde se vende as cervejas de marcas mais populares, os preços são mais acessíveis.

— Trabalho só com cervejas mais populares, é mais fácil para mim em relação ao poder aquisitivo de minha clientela. Meus preços variam entre R$ 7 e R$ 10 e para levar para casa. Sem ser gelado,  fica ainda mais barato — avalia o proprietário, Weltom Silva.

 

Preços

Segundo apurou a reportagem, a Heineken já aumentou seu preço. A Ambev deve fazer o mesmo ao longo da semana.

— A caixa da Heineken de 600 ml que estava a R$ 185 foi para R$ 215, registrando um aumento de R$ 16%. As outras marcas ainda não cheguei a verificar,  mas segundo informações dos proprietários, os próximos pedidos já serão com novos preços — disse o vice- presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Divinópolis, Diego Chambinho.

Já para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Divinópolis, Vantuir Ferreira Junior, são esperados novos aumentos também para os produtos da Ambev.

— Pelas informações que estão circulando, a Brasul, que representa a Ambev aqui em Divinópolis e região, deve aumentar suas cervejas nos próximos dias. Agora é esperar quanto vai ser o percentual — informou o presidente.

 

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