Conflito entre Rússia e Ucrânia deve ter impacto econômico no Brasil

Preço da gasolina e alimentos, mercado de ações e agronegócio são os setores mais afetados

 

 

Da Redação

O conflito entre Rússia e Ucrânia não conseguiu ser resolvido de maneira diplomática e, na madrugada desta quinta, 24, militares russos invadiram o território ucraniano. 

Vídeos viralizaram nas redes sociais mostrando explosões e ataques militares em diversas regiões do país. Até o momento, cerca de 40 soldados foram mortos e centenas ficaram feridos. O pânico se instala por toda a região da Ucrânia, com pessoas tentando fugir do país ou encontrar regiões subterrâneas seguras, longe do conflito. 

Além disso, os acontecimentos dos próximos dias podem gerar impactos econômicos e políticos em todos os lugares do mundo, incluindo o Brasil.

 

Como começou?

A crise entre a Rússia e Ucrânia envolve também os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). 

Em 4 de abril de 1949, dois anos após o início da Guerra Fria, que marcou tensões geopolíticas entre Estados Unidos e União Soviética (URSS), foi criada a Otan.

Fundada em Washington, nos Estados Unidos, é uma aliança militar intergovernamental, criada com o intuito de proteger o ocidente contra possíveis ataques soviéticos na época.

Após o fim da guerra, essa união entre os norte-americanos e europeus se expandiu a 30 países, incluindo aqueles que faziam parte da URSS antes de sua ruptura, como Lituânia e Letônia. Esse avanço foi visto pela Rússia como uma perda de sua influência. 

Então, após a Otan demonstrar interesse em expandir à Ucrânia, fronteira com a Rússia, os embates começaram. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alega que a aliança seria uma forma de paz e segurança, sem estratégias contra a Rússia, o presidente russo Vladmir Putin defende que a Ucrânia se aliar à Otan seria uma preocupação e não quer que seus países vizinhos estejam aliados à organização.

Então, no fim de 2021, ameaçados com a possível aproximação do ocidente com a Ucrânia, a Rússia posicionou cerca de 100 mil soldados e armamentos pesados ao longo de sua fronteira com o país.  

Como parte das negociações, a Rússia exigia comprovações formais de que a Ucrânia nunca entrasse para a Otan.

 

Desespero

Thiago Carvalho Ferreira é brasileiro e mora em Kiev, capital da Ucrânia, onde aconteceu grande parte dos ataques. Natural de Belo Horizonte, ele descreveu a situação como “desesperadora”. 

Está complicado sair do país. Tudo parado, congestionamento sinistro e todo mundo desesperado, doido para vazar. Ninguém sabe se vai ter bomba ou o que mais vai ter. Desespero. Por aqui é só desespero — disse em entrevista à rádio Itatiaia ontem.

Thiago está em um ônibus, fugindo de Kiev, em busca de um lugar seguro.

Consegui pegar um ônibus para a Eslováquia. Perdi o primeiro de tão cheio que estava, mas peguei o segundo e agora estou indo para a Eslováquia. São cinco horas de viagem —  disse.  

 

Como a guerra afeta o Brasil?

Com a globalização, em que trocas comerciais, políticas, sociais, culturais e econômicas são feitas em nível mundial, as ações de alguma nação podem ter reações em todo o mundo, inclusive no Brasil. 

Assim, o ataque russo à Ucrânia pode afetar diretamente o dia a dia dos brasileiros, com aumento no preço da gasolina e alimentos, impacto no mercado de ações e até no agronegócio do país.

A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo, com capacidade de produzir mais de 10 milhões de barris diariamente. O Brasil, por exemplo, não ultrapassa a fabricação de 3 milhões por dia. 

Em menos de 12 horas após a invasão russa, o preço do petróleo atingiu os 100,04 dólares por barril pela primeira vez em cerca de sete anos. Esse aumento impacta a inflação em nível global e o Brasil também sofrerá as consequências. 

Isso significa que o país poderá pagar mais caro não somente pela gasolina, mas também pelos derivados, como o gás de cozinha. 

Outro setor que pode ser impactado é o agronegócio. A Rússia tem importante papel na exportação de fertilizante e insumos agrícolas e o Brasil importa cerca de 85% desses produtos. Com a crise e a incapacidade de exportação russa, os preços serão elevados, o que afeta o poder de compra do Brasil.

Além disso, a Ucrânia vende cerca de 17% do milho do mercado mundial e a  Rússia tem papel relevante na produção de diversas commodities, como o trigo e outros cereais. Com a invasão à Ucrânia e as sanções econômicas contra a Rússia, a exportação desses materiais será ainda mais abalada e o preço dos alimentos, consequentemente, vai subir. 

Por fim, como conflitos geopolíticos, geralmente, elevam a incerteza na economia global, pode haver a possibilidade de aumento da aversão ao risco. Ou seja, o medo de perda de capital pode fazer com que alguns investidores migrem seus ativos para lugares que vão oferecer um retorno financeiro maior, como os Estados Unidos, e deixem mercados que sofrerão impactos maiores com a crise, como o brasileiro. 

 

Como ajudar?

Mesmo estando longe, algumas pequenas ações podem auxiliar aqueles que estão sofrendo as consequências do ataque russo. 

1 – Poste em suas redes sociais mensagens de apoio usando a hashtag #IStandWithUkraine

2- Siga, leia e compartilhe notícias de fontes seguras. Não se esqueça de verificar antes de divulgar qualquer informação relacionada ao ataque. A guerra está acontecendo de forma on-line também.

3- Mobilize e insista que políticos coloquem sanções severas contra a Rússia e mandem ajuda militar à Ucrânia. 

4- Ucranianos de todo o mundo estão organizando protestos – é possível se juntar a eles e ajudar a espalhar a mensagem. Use a hashtag #IStandWithUkraine

 

 

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