Comemorar o quê?

Comemorar o quê?

Divinópolis completa 110 anos na próxima quarta-feira, 1º de junho. O momento, claro, traz a nostalgia dos tempos de ouro da princesinha do Oeste, que chegou a ser eleita a quinta melhor cidade para se viver em Minas Gerais, no início dos anos 2000 ‒ tempos esses que parecem estar longe, mas muito longe de voltar para o povo divinopolitano. E, infelizmente, é em clima de guerra política que a cidade completará o 110º aniversário. A disputa de egos marcará as comemorações de mais um ano de emancipação da cidade e isso automaticamente nos traz: afinal, iremos comemorar o que? Sim! Divinópolis no atual momento não tem tantos motivos para festejar. O desenvolvimento parece que pegou o trem para outras cidades da região e não tem previsão de voltar. A saúde pública sobrevive como pode. As obras paradas do Hospital Público Regional são a prova de que o prestígio da cidade junto aos governos também foi embora nesse trem.

Por falar em obras paradas, também é possível incluir nesse “pacote” a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Rio Itapecerica, isso sem contar as obras atrasadas da MG-050, que resultaram em – mais uma – audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última terça-feira, 24. Apesar de essas obras citadas serem de responsabilidade do Governo do Estado, a grande questão é: e a articulação? Diante também dos inúmeros escândalos envolvendo Prefeitura e Câmara, dá para comemorar algo, mesmo que sejam as primeiras festividades após os períodos críticos da pandemia da covid-19? Políticos atacando e tentando censurar a imprensa pelo simples fato de – pelo menos – o jornalismo estar cumprindo o seu papel de narrar fatos e manter a população informada. Isso é motivo para festejar? 

Lamentável. Essa é a palavra perfeita para definir o atual momento que a cidade atravessa. De um lado, preocupados em criar uma cortina de fumaça para que o povo divinopolitano continue acreditando em “Papai Noel”, estão os políticos da cidade. Do outro, está a verdade nua, crua e estampada no nariz da população. Só não enxerga quem não quer, em uma situação que não dá para maquiar. Enquanto estão preocupados em fazer vídeos e discursos sensacionalistas, em uma triste tentativa de esconder a “poeira debaixo do tapete”, por baixo dele tem mais problema para ser resolvido do que se imagina. E, infelizmente, com os tempos modernos, com as redes sociais, talvez um vídeo chorando, gritando, berrando, ajoelhando seja o suficiente para que o povo aceite tudo como está. Afinal, a realidade já é tão dura, tão difícil, tão castigante para o povo que encará-la é algo extremamente doloroso. 

Uma pena que muitos não saibam de tanta coisa que acontece por trás das cortinas, mas a esperança foi o último mal libertado na caixa de Pandora.

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