Cleitinho se irrita com rumores sobre boicote: ‘sistema nojento e covarde’

Político garante que, se não for candidato a senador, não disputará outro cargo; outros nomes já estão confirmados

 

Bruno Bueno

O deputado estadual e pré-candidato ao Senado, Cleitinho Azevedo (PSC), fez duras críticas no último domingo a veículos de imprensa e outros políticos que, supostamente, tentam impedir sua candidatura à vaga em Brasília.

Enfurecido, o ex-vereador por Divinópolis publicou um vídeo nas redes sociais e criticou as especulações sobre um possível ‘leilão’ de sua candidatura ao Senado. Sem citar nomes, ele disse que o sistema é “nojento e covarde”.

Garantia

O deputado do PSC garantiu que não será candidato a nenhum outro cargo caso não tenha seu nome confirmado como postulante ao Senado. Cleitinho intitulou o vídeo como o “mais importante de sua vida”.

— Tratei que sou candidato a senador, não pedi mais nada. Se eu não for candidato a senador, não serei candidato a nada. Não vou me vender. Só não vou ser candidato a senador se eu morrer — afirmou.

A convenção do seu partido está marcada para a próxima sexta-feira, dia 5 de agosto, às 10h. Os rumores sobre uma possível candidatura a deputado federal cresceram neste fim de semana. Cleitinho também questionou os motivos pelos quais seus “inimigos” não querem que ele se candidate.

— Toda hora é gente perguntando se eu vou ser candidato a senador. Esse sistema, nojento e covarde, está querendo me boicotar, me passar uma rasteira. (...) Que medo é esse que vocês estão de mim? Que medo é esse de eu disputar uma vaga no Senado? — questionou.

Repercussão

Pré-candidato a deputado estadual e irmão de Cleitinho, Eduardo Azevedo (PSC) comentou na publicação e desafiou quem supostamente está boicotando o político.

— Um recado pra essa turma que está tentando tirar meu irmão na covardia, na sacanagem. Sejam dignos e enfrentem nas urnas, no voto! Vocês estão tentando prejudicar um cara do bem que sempre trabalhou em prol do povo e se fizerem isso o povo mineiro vai cobrar isso de vocês! Podem ter certeza que tem um exército ao lado dele e iremos pra cima dos covardes — pontuou.

Deputado estadual pelo PL e aliado de Cleitinho, Bartô também declarou apoio ao colega de Assembleia.

— Infelizmente o sistema é assim, utiliza-se de todos os seus braços para minar, desgastar e por pra fora quem o ameaça. Cleitinho, meu amigo, conte comigo para defender a sua candidatura! — ressaltou.

Confirmados 

Se a situação de Cleitinho só será definida no fim da semana, outros nomes já estão confirmados para a disputa ao Senado de Minas Gerais. Alexandre Silveira (PSD) é um deles. Eleito primeiro suplente do senador Antonio Anastasia (PSDB), que deixou o cargo em fevereiro deste ano para ser  ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o político do PSD tomou posse como senador no mesmo mês.

Dirlene Marques, do PSTU, também está garantida na disputa. Ela é economista, mestre em ciência política e professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Feminista, ela tem atuação política voltada para movimentos sociais. Em 2018, a ativista foi candidata ao governo de Minas pelo PSOL.

Irani Gomes (PRTB) é presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) e representa a categoria na busca pela redução do preço do diesel e outras reivindicações.

Marcelo Aro é o candidato do PP ao Senado por Minas Gerais. Está no segundo mandato de deputado federal. Nascido em Belo Horizonte, tem 35 anos e é formado em jornalismo pela Estácio de Sá.

Naomi Coura é o candidato do PCO ao Senado por Minas Gerais. Ele é educador. Pastor Altamiro Alves (PTB) é pastor há 43 anos e fundou a igreja Despertar da Fé em 2002. Sara Azevedo (PSOL) fecha a lista. Ela é professora da rede pública, militante feminista e LGBT.

Especulados

Assim como Cleitinho, outros dois nomes são especulados para a disputa ao Senado. Aécio Neves (PSDB) é o principal deles. Ex-governador e deputado federal por Minas Gerais, o tucano também define seu futuro político na próxima sexta-feira na convenção estadual do partido.

Mesmo sem a confirmação da sua candidatura, Aécio lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado. O último levantamento feito pelo Instituto Datatempo mostra o tucano em primeiro com 24,8%. Cleitinho é o segundo com 12,8%. 

Marcelo Álvaro Antônio é pré-candidato ao Senado pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, seu nome ainda não é unanimidade na legenda. A definição também está marcada para esta semana.

A vereadora mais votada da história de Belo Horizonte, Duda Salabert, desistiu de ser candidata ao Senado. Uma aliança do partido com o PSDB irritou a parlamentar.

— Não quero participar de uma chapa para governo/Senado aliando-me com a turma do Aécio Neves. (...) Só aceitaria disputar se eu pudesse escolher a configuração da chapa majoritária, ou seja: nomes e partidos que comporiam a disputa para Governo e vice — disse em nota nas redes sociais.

Governo

O Agora também fez um levantamento dos candidatos que já estão confirmados para disputar o governo de Minas Gerais. Em ordem alfabética, Alexandre Kalil (PSD) é o primeiro nome da lista. Ex-prefeito de Belo Horizonte por um mandato e meio, ele disputa o governo de Minas Gerais pela primeira vez. Sua foi oficializada no dia 24 de julho.

Natural de Juiz de Fora, Cabo Paulo Tristão (PMB) é casado, tem 36 anos, é policial militar, analista de sistemas e pós-graduado em gestão pública. Indira Xavier é a candidata da Unidade Popular (UP). É ativista dos direitos humanos, do SUS e atua na coordenação da Casa de Referência da Mulher Tina Martins, em Belo Horizonte. 

O PSOL confirmou a candidatura de Lorene Figueiredo. Ela é formada em história e trabalha como professora desde 1985. Atualmente, leciona na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Lourdes Francisco da Costa é a candidata do PCO. Filha de agricultores familiares, é professora aposentada e artesã. Já atuou no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Renata Regina é a candidata do PCB. Fotógrafa e jornalista, já participou de movimentos de juventude, feminista e populares. Disputa o cargo pela primeira vez. O atual governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também está na disputa. Ele venceu com 71,80% dos votos válidos em 2018.

Vanessa Portugal (PSTU) fecha a lista. Professora, militante e sindicalista, já disputou eleições para vários cargos políticos. Na última disputa, tentou uma vaga no Senado. Sua candidatura foi oficializada no dia 21 de julho.

Alianças

 Os dois principais candidatos ao Governo de Minas já constroem alianças com outras legendas. Os partidos Solidariedade, MDB e PP oficializaram neste fim de semana  o apoio a Romeu Zema (Novo). As legendas Avante e PMN já haviam confirmado uma aliança.

Alexandre Kalil (PSD) teve dois apoios oficializados no domingo: PSB e Rede. As legendas confirmaram a aliança durante as convenções eleitorais na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. PT, PCdoB e PV também já oficializaram apoio ao ex-prefeito da capital.

 

Comentários
×