Cleitinho Azevedo afirma ter apagado publicação

Decisão da Justiça saiu na sexta, mas deputado ainda não foi notificado e se defende de acusações

Da Redação

O deputado estadual Cleitinho Azevedo (Cidadania) retirou de suas redes sociais o vídeo em que documentava sua visita com outros representantes políticos e crianças e adolescentes de um abrigo da cidade a uma recém-inaugurada franquia de fast-food em Divinópolis. Segundo o político, a publicação, de 21 de setembro, foi deletada há cerca de dias. A exclusão veio após a Defensoria Pública acionar a Justiça contra o deputado o acusando de expor os menores. Cleitinho informou ao Agora, ontem, que ainda não havia sido notificado, mas já havia tomado a atitude. 

 

Contexto

Segundo Ação Civil Pública (ACP) apresentada pela Defensoria Pública, o deputado levou dez crianças institucionalizadas para lanchar sem autorização da Justiça, caracterizando exposição indevida ao publicar em suas redes sociais. 

O juiz que responde pela Vara da Infância e da Juventude, Cristiano Oliveira, em expedição que saiu na última sexta-feira, 8, determinou a retirada das imagens dentro de 24h, sendo passível de multa diária no valor de R$ 10 mil por dia. Ainda de acordo com o juiz, além de ter feito exposição indevida dos menores, a ação de suposto altruísmo teve na verdade o objetivo de promoção pessoal do autor.

Em nota, a Defensoria Pública afirmou que a atuação não foi política, uma vez que a instituição serve para proteger os vulneráveis no Brasil.

— A infância possui uma proteção rigorosa no Brasil. São vozes que ninguém escuta, são as que mais precisam de proteção. A lei deve ser cumprida — reforça.

O órgão enfatizou, ainda, que o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a exposição de crianças e adolescentes.

— A gente vê nas reportagens imagens borradas de menores, pois, por lei, é proibida qualquer divulgação. Agora, em relação às imagens de crianças institucionalizadas, a situação ainda é mais grave porque isso acaba expondo essa situação e isso pode trazer danos irreversíveis para o resto da vida. Sabemos que o que cai na rede fica ali para sempre. Então essas imagens jamais poderiam ter sido veiculadas — destaca.

 

Defesa

Por meio das suas redes sociais, Cleitinho se defendeu.

— Neste país, o certo é errado. (...) Eu não fiz nada de errado — citou.

O parlamentar nega ter usado a situação para se promover.  

— Sabe qual era o sonho delas [das crianças]? Comer um sanduíche. Sabe o que eu fiz? Realizar esse sonho e comer um sorvete. (...)  Eu não fiz nada de errado. Eu não expus crianças ao ridículo. Pelo contrário,  eu alimentei e realizei sonhos delas. Tinha crianças ali que nunca tinham comido um sanduíche na vida — afirmou.

Cleitinho destacou que recebeu autorização da instituição.

— Não fiz nada sem autorização do abrigo — garantiu.

Azevedo também mostrou indignação com o responsável pela denúncia. Segundo Cleitinho, a acusação foi feita por ele incomodar o “sistema”. “Os políticos são covardes”, argumentou.

— Quem me denunciou: você já esteve lá para cuidar dessas crianças? (...) Qual dia vocês foi no abrigo ajudar? (...) Você já ajudou alguma criança? Algum morador de rua? — questionou.

Ele reforçou que o intuito foi fazer uma boa ação.

— Em vez de gastar [auxílio-alimentação] comigo, eu prefiro gastar com o povo, com as crianças — justificou.

O deputado disse que não vai se preocupar com o caso, pois “quem não deve, não teme”.

— Não pode doar o auxílio. Tem que pegar os R$ 10 mil, chegar em um restaurante chique aqui em Belo Horizonte, juntar os puxa-saco da Assembleia e pagar almoço para eles. Agora pagar para mendigo, morador de rua, não posso. Eu viro bandido. (...) Com todo respeito à Defensoria Pública, comecem a me respeitar — finalizou.

 

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