Chover no molhado

Chover no molhado 

O que significa essa expressão? O dicionário diz que é “insistir em fazer ou dizer algo que é redundante ou inútil”. Por aqui, essa expressão se aplica, e muito bem, em especial à Câmara. Qualquer assunto debatido no Legislativo divinopolitano, por mais simples que seja ou aquele que pode trazer benefícios para a maioria, é motivo de polêmica e discussões, muitas vezes infundadas. Como o midiatismo tomou conta da Casa, muitas vezes mais vale um show, “dar corda” para um problema, do que apontar uma solução ou se empenhar de fato para que uma situação seja resolvida. Isso tudo é apenas o reflexo dos interesses próprios, que muitas vezes colocam suas vontades acima das do povo. E, claro, com isso, apenas chovem no molhado, com seus discursos rasos e inúteis, que não trazem melhorias para ninguém. 

E, enquanto os vereadores insistem nessa conduta do “chover no molhado”, o povo, que deveria ser priorizado nesse “processo”, luta dia a dia, mesmo com a corda no pescoço, para sustentar cada parlamentar e suas mordomias. É injusto dizer que a população trabalha sol a sol apenas para sustentar políticos. Para que a justiça seja feita e a verdade seja dita, é preciso lembrar que a população luta diariamente para sustentar deputados federais, estaduais, senadores, governadores, prefeitos, presidente e seus assessores, e suas mordomias, seus auxílios e demais benefícios. Sim! Essa é a verdade brasileira, nua e crua. Uma conta que não fecha, e não vai fechar nunca. Afinal, nessa “balança”, sem sombra de dúvidas, tem um lado que está carregando mais peso do que o outro. E é justamente por isso que essa “estratégia” de “chover no molhado” é a mais inteligente que os governantes poderiam escolher. 

Falar de respeito com o eleitor, de responsabilidade com suas funções, de cumprir com suas obrigações enquanto representante do povo nada mais é do que “chover no molhado”. Afinal de contas, todos estão cansados de saber que isso é redundante. Com políticos cada vez mais amadores, que legislam e executam de acordo com seus interesses, e não os do povo, se tem algo que ficou para trás é esse conjunto de obrigações que deveriam ser minimamente cumpridas. Com o midiatismo falando mais alto, nos tempos da sociedade do espetáculo, discursos rasos e ações inúteis são o que mais se vê por aí – e o pior, continuarão a ser vistos com mais frequência e em maior escala. Por aqui, no país da impunidade, “chover no molhado” é a ordem da vez, afinal de contas, se a estratégia adotada pelos representantes do povo ainda rende frutos é porque o povo gosta. E é justamente isso que causa espanto, afinal de contas, quem hoje trabalha arduamente para manter as mordomias nos Poderes é o mesmo povo que muitas vezes morre à míngua à espera de uma migalha de saúde, de educação, de infraestrutura, enquanto os governantes seguem o ritmo da vida, com seus discursos vazios e inúteis. Sem qualquer tipo de responsabilidade, respeito ou obrigação com aqueles que os elegeram.

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