Cesta básica fecha dezembro com aumento de 7,89%

Em relação ao mesmo período em 2020; grupo de alimentos teve reajuste de 16,4%

Da Redação

Depois de uma ligeira queda e seis meses em alta, a cesta básica fechou o ano em Divinópolis com um novo aumento. Segundo levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico Sociais (Nepes) da Faculdade Una Divinópolis, em dezembro, o custo médio da cesta básica de alimentos foi de R$ 525,29, um aumento de 7,89% em relação a novembro, quando o custo da cesta foi de R$ 486,87. Ao comparar o custo no mês (dez/2021) em relação ao mesmo período de 2020, quando o valor foi de R$ 451,25, observa-se uma elevação de 16,4% em 12 meses. 

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Wagner Almeida, a carne bovina é o produto que representa o maior peso (40,2%) na composição da cesta básica de alimentos. No mês de dezembro foi observada uma alta de 5,89% em relação a novembro no item. 

— Pode-se considerar como motivos para este aumento na carne bovina de primeira, a retirada da sanção chinesa à carne brasileira e a retomada das exportações. Além disso, o período de entressafra reduziu a quantidade de boi para abate — explica Wagner. 

Entre os itens que demonstraram aumento estão a banana-prata (38,86%), o tomate longa vida (24,04%) e o açúcar (6,16%). 

— O aumento no preço da banana-prata pode ser explicado pelo aumento da demanda e uma oferta comprometida nas regiões produtoras da fruta, em função do início do período de entressafra. Já no caso do tomate houve redução da área plantada e busca por culturas mais lucrativas, devido ao menor consumo das famílias em 2021. Já a alta no preço do açúcar se deve a entressafra da cana que causou redução na oferta e elevou os preços no varejo — destaca. 

Por outro lado, houve queda no preço da farinha (3,79%), do óleo de soja (3,23%) e da batata inglesa (2,66%). 

A pesquisa do custo da cesta básica é realizada conforme metodologia adotada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e foi realizada entre os dias 23 e 29 de dezembro/2021 com o levantamento de preços praticados por oito estabelecimentos com representatividade no ramo de produtos alimentícios em Divinópolis. A cesta, chamada Cesta Básica de Alimentos, é composta por 13 produtos alimentícios que seriam suficientes para o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta, durante um mês, contendo quantidades balanceadas de todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde.

 

Salário mínimo 

Ainda segundo o levantamento do Nepes, para o trabalhador remunerado pelo piso nacional (R$ 1.100,00 até o fim do ano passado) o custo da cesta básica em dezembro foi equivalente a 47,8% do salário mínimo bruto; em novembro, o percentual foi de 44%. Ao comparar com o salário mínimo líquido, isto é, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador comprometeu, em dezembro, 51,6% do salário mínimo líquido vigente até 31/12/2021 para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

De acordo com o coordenador do Nepes/UNA, Wagner Almeida, estima-se que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 3.939,68, valor que corresponde a aproximadamente 3,6 vezes o piso nacional vigente até 31 de dezembro de 2021, de R$ 1.100,00. 

— O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, composta por dois adultos e duas crianças, que, por hipótese, consomem como um adulto, conforme orienta o Dieese. Pode-se inferir que esse seria o orçamento total capaz de suprir as despesas com alimentação, moradia, vestuário, educação, higiene, transporte, saúde e lazer de um trabalhador e de sua família — explica o professor Wagner Almeida. 

Com base no valor médio da cesta básica em dezembro de 2021, o trabalhador divinopolitano remunerado pelo piso nacional de R$ 1.100,00 até 31 de dezembro do ano passado precisou trabalhar 105 horas e 4 minutos – mais do que novembro, quando foi de 97 horas e 22 minutos. 

 

Dezembro 

Se comparado o custo da cesta básica em Divinópolis com os preços praticados em Belo Horizonte, houve, em dezembro de 2021, uma variação de 15,2% no custo da cesta entre as duas cidades e um impacto maior no orçamento do trabalhador residente na capital mineira.

— Em Belo Horizonte, o valor da cesta básica também apresentou elevação no mês de dezembro, aumento de 1,71% em relação a novembro. No ano, a cesta básica de alimentos na capital mineira apresentou variação de 6,44%. Ao analisar os dados das duas cidades é possível inferir que, em todos os meses do ano de 2021, a pesquisa realizada pelo Nepes em Divinópolis seguiu a tendência observada em Belo Horizonte, através do levantamento realizado pelo Dieese — finaliza o coordenador do Nepes, Wagner Almeida. 

 

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