Casos de Hanseníase têm redução de quase 84% em Divinópolis

Janeiro roxo é o mês da conscientização da doença

 

Da Redação 

Todos os anos são detectados cerca de 30 mil novos casos de Hanseníase no Brasil. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB) que realiza neste mês a campanha Janeiro Roxo, para alertar sobre o diagnóstico e tratamento da doença. 

Em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o número de casos novos da doença vem aumentando ao longo dos anos. Em 2020, foram 753 novos registros, enquanto em 2022 houve mais 1.002 novos casos.

Nas cidades da região Centro Oeste, a situação é bem diferente, o registro é baixo. Ainda segundo a SES, em Divinópolis, o número de casos novos caiu de 6 registros, em 2020, para 1, no ano passado, redução de quase 84%. Lagoa da Prata também registrou queda de 4 casos, em 2020, para 1 em 2022. Já a cidade de Oliveira teve apenas 2 registros em 2020.

Diagnóstico e tratamento 

A dermatologista Ana Flávia Montenegro explica que a Hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa e de evolução crônica, causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. A doença pode atingir a pele, as mucosas e os nervos.

A especialista reforça a importância do diagnóstico e tratamento precoce para prevenir a forma agravante da doença: caso seu diagnóstico seja tardio ou o tratamento inadequado, podem ocorrer danos incapacitantes irreversíveis. 

Por isso frisamos tanto a importância do diagnóstico precoce para evitar a transmissão, complicações e deficiências completa.

Sintomas 

  • Manchas (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) e/ou área (s) da pele com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e frio) e/ou dolorosa (à dor) e/ou tátil (ao tato);
  • Sensação de fisgada, choque, dormência e formigamento ao longo dos nervos dos membros 
  • Perda de pelos em algumas áreas e redução da transpiração 
  •  Inchaço e dor nas mãos, pés e articulações 
  • Redução da força muscular, sobretudo nas mãos e pés 
  • Caroços no corpo 
  • Pele seca, olhos ressecados 
  • Feridas, sangramento e ressecamento no nariz 

As pessoas que têm contato próximo ou prolongado (por exemplo familiares que moram na mesma casa ) com o paciente com diagnóstico de hanseníase também precisam de avaliação médica para identificar precocemente os indivíduos doentes, completa a especialista em dermatologia.

Tratamento 

Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza todo o tratamento para a doença. Segundo a SES, o tratamento é ambulatorial, e dura de 6 a 12 meses, dependendo da forma clínica. A orientação é que o paciente deve comparecer mensalmente ao serviço de saúde, para ser examinado, receber a medicação e orientações sobre o seguimento do tratamento completo preconizado.

Quando o tratamento é feito da forma correta pode, sim, levar à cura da doença. Quanto antes for realizado o diagnóstico, menor a chance de esse paciente sofrer com sequelas da doença e assim ter uma boa qualidade de vida, sem complicações   explica Ana Flávia Montenegro.

O mês 

A Prefeitura de Divinópolis informou que, durante o mês, ações estão sendo realizadas em todos os postos de saúde. Disse ainda que estão sendo feitos atendimentos nas unidades de casos suspeitos; busca ativa e contatos de casos positivos; acompanhamento e avaliação dos registros ativos; rastreamento de casos novos; divulgação dos sintomas pelas equipes na unidades de saúde e nos domicílios.

Preconceito

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil foi o primeiro país do mundo que desenvolveu legislação que proíbe linguagem discriminatória contra as pessoas acometidas pela hanseníase. Porém, não há penalidades previstas. O estigma e o preconceito em torno da Hanseníase podem prejudicar a busca por informações corretas a respeito da doença.

A hanseníase ainda é, conforme o órgão, uma doença cercada de preconceito e desinformação. 

A informação faz com que as pessoas conheçam os sintomas, procurem ajuda médica precoce, iniciem o tratamento e assim interrompam a cadeia de transmissão, além de prevenir incapacidades como sequela da doença diz o MS 

 

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