Campanha contra Influenza atinge 107% de cobertura vacinal

Dados incluem grupos não prioritários; mesmo com bons números, infectologista alerta para aumento dos casos de gripe

 

 

Bruno Bueno

A vacinação contra a Influenza atingiu bons números em Divinópolis. De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), a cobertura da imunização atingiu 107,45% do público-alvo, incluindo os grupos que não são considerados prioritários.

A reportagem teve acesso em primeira mão ao balanço de dados finalizado no dia 10 de novembro. Os números detalham a cobertura vacinal em crianças, gestantes, trabalhadores da saúde e outros. 

 

Crianças, gestantes e puérperas

O levantamento ilustra, em primeiro momento, a cobertura vacinal entre crianças de seis meses a 6 anos. De acordo com a Semusa, a população estimada desse grupo é de 14.654. No total, 14.473 doses foram aplicadas, sendo 9.600 dose única, 2.870 primeira dose e 2.003 segunda dose. O número de crianças completamente imunizadas foi de 79,17% e de vacinadas cerca de 85,09%.

Excluindo as crianças, todos os outros grupos foram vacinados com dose única. A cobertura entre gestantes atingiu 78,91%. Da população estimada de 2.096, cerca de 1.654 doses, conforme a Semusa, foram aplicadas. Entre as puérperas, mulheres que estão passando pelo período pós-parto, foram 315 vacinas aplicadas, aproximadamente 91,4% da cobertura total. A população desse grupo, segundo a pasta, é de 345 pessoas.

 

Idosos, professores e deficientes

Ainda nos grupos prioritários, a cobertura entre os idosos, que têm população estimada de 39.165, foi de 74,22%. Ao todo, 29.069 pessoas desse grupo foram imunizadas. Os dados também apontam para o número de 1.803 professores vacinados, representando 75,09% da cobertura. O grupo tem uma população estimada de 2.401 pessoas.

Mesmo com os ótimos números, a campanha de imunização teve um ponto extremamente preocupante. A cobertura vacinal entre pessoas com deficiência foi, de longe, a mais baixa. Segundo levantamento da Semusa, apenas 4,64% do grupo foi imunizado. Estima-se que entre as 6.439 pessoas com deficiência somente 295 receberam a vacina.

 

PPL, trabalhadores da saúde e comorbidades

Finalizando a primeira parte da apresentação dos dados, a Semusa informou que cerca de 88,38% dos trabalhadores da saúde foram imunizados. Das 7.462 pessoas que fazem parte do grupo, cerca de 6.595 receberam a dose contra a doença. 

Cerca de 580 pessoas que se enquadram na População Privada de Liberdade (PPL), e estão no Presídio Floramar, foram vacinadas. O número representa 95,9% da cobertura total – a população estimada chega a 605. Entre as pessoas com comorbidades, em que a população estimada é de 10.312, cerca de 6.901 doses foram aplicadas. O número representa 66,9% da cobertura.

 

Comparação

Na segunda parte da análise, a Semusa fez um comparativo da campanha de imunização de 2020 e 2021 entre alguns grupos específicos. Os trabalhadores das forças de segurança atingiram o número de 486 vacinados. Em 2020, no entanto, o número foi de 711, ou seja, 32% maior.

94 funcionários do sistema prisional foram imunizados, o que representa uma queda de 72% em relação a 2020, quando 327 pessoas desse grupo receberam a vacina. Outro grupo que também registrou queda em relação ao ano anterior, dessa vez de 61%, foi o de caminhoneiros e trabalhadores do transporte. No ano passado, 2.078 pessoas foram vacinadas; em 2021, apenas 813. 19 adolescentes em medidas socioeducativas foram imunizados neste ano.

 

2020 x 2021

Ainda na mesma análise, cerca de 1.775 diabéticos foram vacinados neste ano. O número é  ligeiramente menor do que o do ano passado, quando os dados apontavam para a marca de 1.776. Aproximadamente 71 pessoas com trissomia receberam a vacina, queda de 35% em relação a 2020, quando a imunização atingiu a marca de 108.

Pacientes renais registraram queda de 37% na imunização em relação ao ano passado. Em 2020, foram 146 e, neste ano, 93. Os hepáticos, por sua vez, aumentaram a cobertura. Se ano passado o número atingiu 68, neste ano o grupo vacinou 88. Portadores de doenças neurológicas receberam 400 doses. O número é 9% menor do que em 2020, quando 439 pessoas foram imunizadas.

A imunização entre obesos apresentou resultados positivos. O número de vacinados, que era de 236 no ano passado, passou para 251 neste ano, representando um aumento de 6%. Os imunossuprimidos, no entanto, registraram queda de 30%. Neste ano, 408 pessoas foram imunizadas. Em 2020, por sua vez, o número atingiu 586. 

Pacientes transplantados receberam 26 doses, número 28% menor do que no ano anterior, quando 36 pessoas foram vacinadas. Cerca de 2.983 pacientes com doenças respiratórias também foram imunizados, o que representa uma queda de 49% em relação a 2020, quando 5.829 pessoas do grupo receberam a dose. Por fim, os cardíacos atingiram a marca de 824 imunizados, número 11% maior do que em 2020, quando 736 pessoas foram vacinadas. 

 

Resumo 

Com os dados apresentados, é possível fazer a análise geral da campanha de imunização contra a Influenza em 2021. Segundo dados da Semusa, a cobertura vacinal entre gestantes, puérperas, crianças, idosos e trabalhadores da saúde foi de 78,60%. O levantamento também aponta para 70,50% pessoas com o sistema vacinal completo.

Além dos grupos prioritários, aproximadamente 26.485 pessoas que não possuem comorbidades foram vacinadas. Com as imunizações finais, a campanha atingiu 89.605 doses aplicadas, representando 107,45% da cobertura vacinal completa. O público-alvo da campanha era de 83.391.

 

Preocupa

Mesmo com o grande sucesso da campanha de imunização, especialistas alertam para um possível novo surto da gripe no fim deste ano. Em Belo Horizonte, por exemplo, dados da  Secretaria Municipal de Saúde do município mostram uma alta de 36% de casos neste ano em relação a 2020. O número total, atualizado dia 14, aponta para 373 mil diagnósticos. O grande aumento aconteceu entre setembro e dezembro, quando a pasta contabilizou 102 mil atendimentos. 

Na capital do Rio de Janeiro, a doença apresenta maior letalidade do que a covid-19. Segundo dados do Sistema de Informações em Saúde da Prefeitura, cerca de 33 pessoas morreram da doença no último mês. O número é quase o dobro dos 17 óbitos provocados pelo coronavírus.

 

Motivos

A infectologista Rosângela Guedes elencou os possíveis motivos que levaram à circulação do vírus em uma época incomum.

— Não é comum nessa época do ano a circulação do vírus Influenza. (...) Acredita-se que isso está acontecendo por uma questão multifatorial. Primeiro, porque talvez nós tivemos uma baixa cobertura vacinal da vacina da gripe neste ano. (...) Segundo, nós tivemos agora um relaxamento das medidas de proteção, como abandono das máscaras e outros — afirmou em publicação nas redes sociais.

Ela também ressaltou os cuidados que devem ser tomados para conter a doença.

— A gente vai se proteger contra o vírus Influenza da mesma forma que a gente  se protege do covid: através da máscara, distanciamento social e higienização das mãos. (...) Nesse vírus é muito importante a questão do ambiente. (...) Sobre a dose de reforço? Teremos que aguardar os estudos para ver se vale a pena — pontuou.

 

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