Calendário e tramoias

Calendário e tramoias 

Março chegou em um piscar de olhos e, com ele, o pontapé para as eleições 2022. De hoje a 1º de abril acontece a janela partidária – neste período, candidatos podem mudar de partido sem perder os cargos que já ocupam. Entre nomes colocados à disposição em Divinópolis para a disputa e que atualmente ocupam cargo e vão trocar de legenda está Cleitinho Azevedo, ainda no CDN. O deputado estadual disse que ainda estuda algumas possibilidades, mas admite que a coisa é mais complicada do que se imagina. Disso ninguém tem dúvidas. É um tal de “puxa tapete”, jogadas inescrupulosas para inviabilizar as candidaturas, que só Deus na causa. O caso de Cleitinho é um exemplo. Ele não pode continuar no Cidadania porque o partido fechou com o PSDB e já tem outro nome para o Senado. Outros que o querem têm suas imposições, e quem conhece o deputado sabe que ele não costuma aceitar esse tipo de acordo. Então, pelo visto, vai demorar a se decidir. A sorte é que ainda falta quase um mês. 

Nomes em demasia 

Em Divinópolis, não são apenas os “acordos suspeitos” que preocupam. A quantidade de pessoas que entram na disputa também. O pior é que a situação se repete em todo processo eleitoral – muitos candidatos para poucos votos. Acaba dividindo, elege poucos e a cidade e sua população ficam a ver navios. Na última, por exemplo, em 2018, elegeu-se apenas um deputado federal e outro estadual. Domingos Sávio (PSDB) e Cleitinho vivem uma peleja gigante para dar conta do recado, em uma cidade carente de recursos. Fora as cobranças e as injustiças contra eles, em especial Domingos, que luta incansavelmente para trazer recursos – e consegue – para diversas áreas na cidade. E o agradecimento foi a quantidade mixuruca de votos aqui na última eleição. Se não fosse o apoio de outros municípios, aos quais ele também dá assistência, talvez, nem teria sido eleito. Aí é que “bicho iria pegar”, sem ninguém na Câmara Federal. E não é qualquer pessoa, estamos falando de um político experiente que conhece os corredores do Congresso e dos ministérios como a palma da sua mão. Além desse trânsito livre, é extremamente bom no que faz, tem facilidade para debater e reivindicar e, além disso, não sai de mãos vazias. Não dá para ser tudo isso da noite para o dia, o que faz muita diferença. Dito isso, não basta apenas querer se eleger, é preciso muito mais. 

Fato ou fake?

Para se ter uma ideia da dimensão de tudo que foi falado no tópico acima, quando se conversa nas rodas pela cidade, muita gente, mesmo não entendendo muito de política, fica admirada com a quantidade de possíveis candidatos por Divinópolis neste ano. Chegam a perguntar: “é verdade? Deve ser mentira, só pode”! É assim que boa parte da população divinopolitana se sente diante de tanta disputa de egos, satisfação em atrapalhar o outro e falta de desconfiômetro. E esses eleitores têm toda razão, visto que não pagam caro seus representantes para isso. Até o momento fala-se em Eduardo Azevedo; Flávio Marra; Diego Espino; Lohanna França; Luciana do Sintram; o ex-vereador dr. Delano; o também ex-vereador Sargento Elton; os ex-deputados Fabiano Tolentino  e Jaime Martins; o atual Domingos Sávio; Laiz Soares; e a educadora/sindicalista Valéria Morato. E podem ter certeza que devem surgir, pelos menos, mais uns três nomes. Realmente, impossível se fazer quatro representantes que seja. Fora os paraquedistas. É brincar com a cara do divinopolitano, né não?

De baixo pra cima 

É, “tá” danado. Ainda bem que o processo está no início, faltam seis meses para os eleitores cruzarem os dedos e torcerem para que essa realidade mude. Caso contrário, verão a mesmíssima situação de anos anteriores. Muitos candidatos, poucos representantes e mais quatro anos à espera de mudanças – as quais dependem muito deles também. Enquanto continuarem alheios às tretas e aceitando favores em troca de votos, vai continuar exatamente como está. A verdadeira mudança ocorre dentro de cada um e, na política, precisa ser de baixo para cima. Se o povo continuar esperando o contrário, vai seguir padecendo. Acostumar-se com a situação é inadmissível. 

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