Belfast de Kenneth Branagh

Belfast de Kenneth Branagh

Por Wladimir Weltman

 

Vocês sabiam que Kenneth Branagh, aquele diretor de cinema e ator que foi indicado a cinco Oscars e ganhou dois Emmy e um Globo de Ouro, é irlandês?

Pois eu não sabia. O que eu sabia era que ele dirigiu e atuou em várias adaptações cinematográficas de peças de Shakespeare, incluindo Henry V (1989), Much Ado About Nothing (1993), Othello (1995), Hamlet (1996), Love’s Labour’s Lost (2000) e As You Like It (2006) Sem falar nos diversos outros filmes e séries de TV em que esteve envolvido. Além de ter sido ungido “Sir” pela rainha da Inglaterra em 2012.

A sua mais nova realização – Belfast – é um filme totalmente pessoal, autobiográfico e que está fazendo o maior sucesso nesta temporada de prêmios de Hollywood. Belfast foi indicado para 5 Golden Globes – Melhor Atriz Coadjuvante (Caitríona Balfe), Melhores Atores Coadjuvantes (Ciarán Hinds e Jamie Dornan), Melhor Filme, Melhor Diretor (Kenneth Branagh) e levou o de Melhor Roteiro (Kenneth Branagh).

No SAG Awards (prêmio do sindicato dos atores dos EUA), Caitríona Balfe foi indicada para a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.

A Academia de Hollywood só anunciará seus indicados no dia 7 de fevereiro, mas o site IMDB, um dos mais prestigiados do meio, prediz que Belfast será indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor (Kenneth Branagh) Melhores Atores Coadjuvantes (Jamie Dornan e Ciarán Hinds) Melhores Atrizes Coadjuvantes (Caitríona Balfe e Judi Dench) Melhor Roteiro Original, (Kenneth Branagh), Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Som, Melhor Canção Original (“Down To Joy”). Os Oscars acontecem no dia 27 de março.

E, com o pessoal da Critics Choice Association, Belfast junto com WEST SIDE STORY obteve o maior número de indicações – onze no total, cada. Além de Melhor Filme, Belfast concorre nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante para Jamie Dornan e Ciarán Hinds, Melhor Atriz Coadjuvante por Caitríona Balfe, Melhor Jovem Ator/Atriz por Jude Hill e Melhor Conjunto de Atuação, enquanto Kenneth Branagh poderia levar para casa os troféus de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Belfast também foi indicado para Melhor Fotografia, Melhor Desenho de Produção e Melhor Edição.

Belfast conta das memórias do diretor quando era criança em sua cidade natal, na época em que aconteceram “Os Problemas” (The Troubles), termo que define os conflitos entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte. Algo que durou cerca de 30 anos, do fim dos anos 1960 até 1998. O filme mostra como esse conflito afetou diretamente a família de Kenneth, na rua em que eles viviam. Não conto mais para não dar “spoiler”. Vejam o filme, que, apesar de ter sua carga dramática, também tem muito humor e coração. E, afinal, um final feliz, pois o menino do filme hoje é um dos artistas de maior sucesso da Grã Bretanha.

Belfast está marcado para estrear no Brasil em fevereiro. Eu tive a sorte de vê-lo aqui em Los Angeles ainda em novembro, na sua première no Museu da Academia. Em seguida participei da festa  do lançamento na cobertura do Museu, com direito a música ao vivo e uma canja do ator Jamie Dornan (que ficou conhecido das brasileiras por sua participação nos filmes 50 Tons…).

O rapaz canta bem.

Cheguei a ver Andy Garcia batendo papo com Kenneth Branagh, mas, como o tumulto em volta deles era muito grande, achei melhor me afastar. Ainda mais que na manhã seguinte participei de uma das raras conferências presenciais de imprensa no hotel Four Seasons de Beverly Hills a pandemia quase acabou totalmente com elas. Essas fotos são de lá. 

Como combinado, lá estavam o diretor, a atriz Caitríona Balfe (a estrela de um dos meus seriados favoritos, OUTLANDER), Jamie Dornan, o garotinho Jude Hill e o veterano Ciarán Hinds – todos irlandeses como Kenneth.

Nessa conferência, que durou pouco menos de uma hora, os atores falaram sobre como foi filmar Belfast, sendo que Jamie Dornan comentou que o filme foi realizado em plena pandemia: “Estávamos felizes de estar atuando, pois quase todo mundo não sabia quando voltaríamos a trabalhar. Nos sentimos afortunados só de estar empregados. E envolvidos com uma obra cheia de significado para todos aqui presentes”.

O mediador perguntou a Kenneth de onde veio a inspiração para esse filme tão pessoal. Algo que também estava na minha cabeça. Ao que o diretor respondeu: “Veio do silêncio que todos vivemos assim que começou o confinamento da pandemia. Ele me transportou para outro confinamento quando minha rua ficou bloqueada por barricadas (durante os conflitos de Belfast). Isso fez com que voltássemos nossas vistas para o interior de nós mesmos. Separados de tudo que nos era familiar e que a gente, normalmente, não dá muito valor… Eu quis apertar a mão daquele menino de 9 anos que eu fui um dia”.

Em muitos anos de Hollywood só tive uma oportunidade de entrevistar Kenneth Branagh, um artista que admiro. Foi no lançamento de FRANKENSTEIN, filme que ele dirigiu e atuou. Na época falamos sobre o que ele conhecia do Brasil: “Nunca visitei o país, mas tenho certeza de que trata-se de um lugar cheio de boas energias. É o país de onde surgiu o melhor time de futebol de todos os tempos a seleção brasileira da Copa de 70, que conheci quando tinha apenas nove anos de idade. Uma seleção que nunca mais se viu igual”.

Curiosamente Kenneth curtiu a nossa seleção com a mesma idade da personagem principal do seu filme Belfast…

O Critics Choice Awards estava marcado para ir ao ar (no Brasil pelos canais SKY, VIVO, Claro, Oi e Blu TV) no dia 9 de janeiro, mas, por causa do ômicron e do aumento de casos de covid, foi transferido para o dia 13 de março. Nessa noite pretendo estar de smoking junto com os indicados e com meus colegas da CCA no salão de baile do Hotel Fairmont Century Plaza, para participar das premiações.

Belfast pode contar com alguns de meus votos, pois gostei muito do filme.

Wladimir Weltman - É jornalista, roteirista de cinema e TV e diretor de TV. Cobre Hollywood, de onde informa tudo para o Chumbo Gordo

 

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