Bate-boca e explicações marcam encontro entre Semusa e São João

Com a presença de vereadores e MP, representantes apresentaram suas versões sobre a polêmica; Flávio Marra e Alan Rodrigo protagonizam briga

 

Bruno Bueno

Apresentações, bate-boca e esclarecimentos. Esse foi o resumo da reunião entre membros da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) ocorrida na manhã de ontem, 5, na Câmara de Divinópolis.

O encontro, que contou com a presença de vereadores e promotores do Ministério Público (MP), foi convocado pela Comissão de Fiscalização para esclarecer possíveis divergências em cobranças de procedimentos do hospital. Técnicas lançadas pelo hospital com valor de R$ 5.748, por exemplo, passariam, após a triagem da Semusa, para R$ 599. Os dados foram apresentados pela pasta do Executivo em prestação realizada no mês passado.

 

Fala do hospital

A reunião começou com a apresentação dos esclarecimentos feitos pelo hospital. A gerente de receitas do CSSJD, Gisele Gonçalves Nascimento, disse que todas as contas hospitalares necessitam passar pela supervisão municipal antes de serem processadas e pagas. 

O hospital também alega que os procedimentos da tabela SUS têm caráter interpretativo e alguns realizados não têm consenso entre os próprios supervisores do Município, portanto, conforme o CSSJD, necessitam de discussão.  O hospital mostrou que há casos em que o código registrado prevê um valor menor e, quando auditado pela Semusa, passa a ter um valor maior.

— Contas com códigos modificados de valores a menor para a maior e também a maior para menor são comuns em processos de discussão de glosa, portanto não há que se falar em fraude em processos — explicou.

 

Semusa

O secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo, abriu o pronunciamento da Semusa. Ele reiterou que não existe qualquer tipo de conflito entre ambas instituições.

— Essa situação tem colocado Semusa e São João em lados opostos. Isso não existe. Falo nos olhos dos membros do hospital que me conhecem muitos anos antes de ser secretário. (...) A apresentação trouxe uma luz para o processo, no entanto, eu acho que é hora de colocar um basta que o São João está de um lado e a Semusa de outro (...) — disse.

Depois da fala do secretário, a palavra livre foi aberta aos vereadores. Hilton de Aguiar (MDB) voltou a chamar Alan Rodrigo de mentiroso — assim como já havia feito em outra reunião da Câmara. O secretário disse que o edil precisaria provar o que estava dizendo e afirmou que Hilton levantou a voz para um servidor público em outra oportunidade.

Ana Paula do Quintino (PSC) destacou a importância do encontro e disse que não participou da outra reunião por ela ter sido feita a portas fechadas. Israel da Farmácia (PDT) prosseguiu os pronunciamentos afirmando que não viu nada de errado na fala da Semusa e que, em sua opinião, a pasta só mostrou os dados. 

 

Mais pronunciamentos

Lohanna França (CDN) foi a próxima. Ela questionou se as irregularidades citadas pela Semusa na prestação foram confirmadas e perguntou se o trabalho de auditoria está sendo realizado somente nesta gestão. Alan Rodrigo leu um ofício assinado pelo ex-secretário Amarildo Sousa que, no documento, afirma as divergências. A diretoria do hospital rebateu dizendo que os problemas se referem à gestão de 2009 a 2013.

Zé Braz (PV) afirmou que confia no trabalho de auditoria e confirmou que a função é realizada há muito tempo. Edsom Sousa (CDN) disse que a reunião de hoje foi bem mais produtiva do que a realizada há duas semanas. O parlamentar líder do governo salientou que a sociedade precisa de uma resposta e que, em sua opinião, o caso está encerrado. Diego Espino (PSL) finalizou os pronunciamentos dos vereadores afirmando que admira ambas as partes e que considerou o encontro esclarecedor.

 

Bate-boca

Um dos pronunciamentos não foi citado acima porque merece atenção especial. O vereador Flávio Marra (Patriota), durante sua fala, teceu duras críticas ao secretário de Saúde e disse que não estava entendendo nada da reunião.

— Eu estou aqui há uma hora e acho que estou na reunião errada. Não estou entendendo nada. A Semusa esteve nesta Casa e, se você pegar a reunião na íntegra, é possível escutar as palavras “superfaturamento”, “possíveis irregularidades”, “serviço de inteligência'' e "incapacidade técnica”. No entanto, o que eu estou vendo aqui é o Alan passando pano. (...) Ele esqueceu que esteve aqui e fez sérias denúncias e acusações que atingiram o hospital e seus funcionários — enfatizou.

Alan Rodrigo rebateu a fala de Marra pedindo para que a população assista ao vídeo e comprove que ele não fez acusação nenhuma. Neste momento, o vereador voltou a se pronunciar e disse que o secretário é mentiroso e covarde.

— Senhor presidente, gostaria de concluir minha fala. Queria deixar claro que, além de mentiroso conforme já foi dito pelo vereador Hilton e eu concordo porque falo na cara, você é covarde. Você está pegando e dizendo que não foi você que falou — disse.

O estopim se deu quando Rodyson do Zé Milton (PV), presidente da sessão, chamou atenção do vereador pedindo para que ele não transformasse a situação em polêmica. Ao retirar a máscara, Flávio Marra também foi criticado. O vereador questionou se Rodyson estaria do lado da Semusa, o que foi negado pelo edil.

 

Tréplica

A discussão continuou. Alan Rodrigo voltou a se pronunciar pedindo respeito ao vereador. Ele afirmou que Marra tem ferido a Ética da Câmara em diversas oportunidades.

— O senhor me respeite, porque, ao contrário de suas atitudes, eu tenho te respeitado. Eu sou pai, assim como você, e está me chamando de mentiroso e covarde. Eu não sou, me respeite. O senhor tem um sistema convencional de Ética que, inclusive, o senhor está ferindo diversas vezes ao me atacar — falou.

Ele também enfatizou que a Semusa tem tomado todas as providências no caso e que sua função é somente indicar possíveis irregularidades. Alan Rodrigo informou que ofícios já foram encaminhados para o Ministério Público.

— (...) Os encaminhamentos já foram feitos. Isso aqui não é um julgamento. Legislativo e nem Executivo têm competência judicial. Somente identificamos uma irregularidade e estamos passando para as autoridades competentes. (...) O hospital está ciente que já tomamos providência. (...) Todas as vezes que nós identificarmos será assim — disse.

 

Câmara técnica

A realização de uma câmara técnica para apurar a situação foi levantada na Casa.  O projeto de Edsom Sousa busca esclarecer as divergências. Lohanna pediu que a composição conte com a presença de membros da Superintendência Regional de Saúde (SRS).

Por fim, Rodyson do Zé Milton (PV) agradeceu a presença dos representantes e vereadores, voltou a dizer que não está do lado de ninguém e informou que o encontro serviu para resolver o problema. No entanto, a polêmica está longe de chegar ao fim, já que muitos populares usaram as redes sociais para dizer que não ficaram satisfeitos com os esclarecimentos e que necessitam de outra acareação para apurar os fatos.

 

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