Ato da Segurança tem descumprimento de medida judicial e fere jornalista

Servidores cobram recomposição salarial de 24%; policiais fecharam ruas e jogaram bombas durante manifestação em Belo Horizonte

 

Bruno Bueno

Servidores das Forças de Segurança Pública de Minas Gerais realizaram uma grande manifestação durante todo o dia de ontem em Belo Horizonte. A classe cobra recomposição salarial de 24%. O governador do Estado, Romeu Zema (Novo), ofereceu 10% de reajuste.

A ação descumpriu uma determinação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que acatou, na última terça, um pedido do Governo de Minas e determinou que os integrantes não interditem ruas, invadam ou bloqueiem o acesso a prédios públicos ou privados ou portem armas de fogo durante as manifestações. Uma jornalista da Band Minas teve trauma auditivo após ser atingida por uma bomba que foi jogada por manifestantes, seu colega de trabalho foi hostilizado e perseguido.

 

Repúdio

O Grupo Bandeirantes repudiou e cobrou providência acerca dos incidentes ocorridos durante a manifestação. Laura França, da TV Band Minas, e Caio Tárcia, da Rádio BandNews FM BH, foram atingidos. De acordo com informações da Band Minas, além das bombas, vários policiais, contrariando decisão da Justiça, protestam armados. 

— A repórter Laura França, da TV Band Minas, sofreu um trauma auditivo após uma bomba estourar do lado da profissional na Praça da Estação, em Belo Horizonte, na manhã desta quarta-feira. Já o repórter Caio Tárcia, da Band News, foi hostilizado e alvo de uma bomba lançada contra ele quando seguia acompanhando o ato em direção à Praça Sete, no centro da capital — afirmou em nota.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em nota à imprensa, informou que todas as condutas que contrariam determinação judicial ou recomendações do Ministério Público serão apuradas. 

— A Sejusp ressalta que não compactua com desvios de condutas de servidores públicos, que devem ser os primeiros a prezar e zelar pela segurança do cidadão mineiro. Na manhã desta quarta-feira (9/3) uma repórter que fazia a cobertura da manifestação, na Praça da Estação, teve que ser socorrida e encaminhada ao hospital depois de um artefato explosivo estourar no seu entorno — relatou.

 

Sindicato

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG), um dos organizadores da manifestação, publicou uma nota repudiando o ataque contra a jornalista.

— Com relação às bombas e foguetes, durante a manifestação desta quarta-feira, somos veemente contra tais atitudes e repudiamos qualquer ato voltado contra os repórteres e demais profissionais de imprensa, qualquer que seja a conduta, muito menos que lancem qualquer tipo de objeto. Somos solidários aos jornalistas, que estão trabalhando, levando a informação à sociedade — afirmou.

O sindicato também afirma que não descarta a possibilidade de o Governo de Minas ter infiltrado “agentes penetras” para prejudicar o movimento. 

— O Sindpol/MG orienta a todos os servidores policiais civis, filiados ou não, para agirem dentro da legalidade. Até o momento, não recebemos nenhuma informação de nenhum dos colegas, policiais civis, praticando tais atos na mobilização. O Sindpol/MG espera que tais ocorrências sejam devidamente apuradas, de modo que o movimento, justo e legítimo, não seja confundido com atitudes que são repudiadas pela entidade — disse.

 

Manifestação

O ponto de encontro da manifestação foi a Praça da Estação, onde os sindicalistas fecharam o trânsito na avenida Andradas, o que causou reflexos em outras ruas e avenidas da cidade. O grupo também passou pela  Afonso Pena, próximo à Praça Sete.

“Governador Romeu Zema, os policiais civis merecem respeito! Exigimos o pagamento da recomposição das perdas inflacionárias já!”, dizia um dos cartazes espalhados. "Se o Zema não pagar, a polícia vai parar!", gritavam os servidores. Até mesmo um boneco do governador foi reproduzido dentro de um caixão. 

A expectativa, segundo órgãos sindicais, era de cerca de 50 mil pessoas nas ruas da cidade, entre policiais militares, civis, penais e bombeiros. Parte desse grupo, inclusive, teria partido de cidades do interior, como Divinópolis. Até o fechamento desta matéria, às 18h de ontem, nenhum número concreto de manifestantes havia sido divulgado.

 

O que diz o governador?

Pressionado por sindicalistas e servidores do funcionalismo público de Minas Gerais, o governador do Estado, Romeu Zema (Novo), anunciou, no último dia 24, um projeto de lei que concede reajuste salarial de 10% para todos os servidores estaduais. A classe, no entanto, cobra 24%.

— Encaminharei hoje à ALMG, em regime de urgência, um projeto de reajuste de 10% para todo o funcionalismo mineiro. Ativos, inativos e pensionistas, com vigência a partir de maio. Além da recomposição salarial, também faremos o reajuste da ajuda de custo recebida pelos servidores civis. Quem recebe hoje R$ 47 de auxílio alimentação passará a receber R$ 75 por dia, entre auxílio e ajuda de custo — disse o governador à época.

A fim de agradar o setor de Segurança Pública, o governador também anunciou que a categoria receberá um acréscimo no abono fardamento, benefício destinado a agentes para a compra de fardas.

— Para os membros das Forças de Segurança, também enviarei hoje projeto de lei para Assembleia, para que abono fardamento, que hoje é pago em única parcela em abril, seja ampliado para três parcelas, a serem pagas em março, junho e outubro, cada um valor no de 40% da remuneração de um soldado — afirmou.

 

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